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Sacre Investimentos
EconomiaCMDT
15/07/2026
4 min

Governo incorpora Selic de 14% e aumenta previsão para a inflação de 2026

Governo incorpora Selic de 14% e aumenta previsão para a inflação de 2026

O Ministério da Fazendaavalia que o ciclo de afrouxamento monetário deve ser mais curto do que o esperado há dois meses. No novo Boletim MacroFiscal, a pasta incorporou uma taxa Selicterminal de 14% em 2026 e, ao mesmo tempo, revisou para cima a projeção para a inflação, que passou de 4,5% para 5,1%.

Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), a mudança reflete a piora das expectativas do mercado para a taxa básica de juros, que passaram a apontar uma Selic terminal de 14% ao ano, ante 13% considerados na edição anterior do relatório. Na prática, a revisão embute um ritmo mais lento de cortes dos juros até o fim do ano.

A equipe econômica destaca que o cenário de juros mais elevados ocorre em um ambiente de desaceleração gradual da atividade econômica. Apesar disso, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3% em 2026.

A expectativa é de que a economia perca fôlego no segundo trimestre, após crescer 1,1% nos três primeiros meses do ano, principalmente pela dissipação do impulso da safra recorde de soja e pelos efeitos defasados da política monetária restritiva.

Para o segundo trimestre, a SPE projeta expansão de 0,8% na margem, com desaceleração da indústria, de 1,2% para 0,8%, e da agropecuária, de 2,0% para 0,6%. Já o setor de serviços deve acelerar levemente, de 0,5% para 0,7%.

Inflação mais resistente

Mesmo considerando uma política monetária mais restritiva e um recuo nas cotações internacionais do petróleo, a Fazenda revisou para cima a estimativa para o IPCAde 2026, de 4,5% para 5,1%.

De acordo com o relatório, a revisão decorre, em parte, dos dados recentes de inflação, que mostraram aceleração acima do esperado nos preços de serviços e bens industriais. Também pesaram fatores prospectivos, como os efeitos secundários do choque do petróleo, o repasse ainda pendente dos preços no atacado para o consumidor, a expectativa de alimentos mais pressionados no segundo semestre diante da possibilidade de um El Niño mais intenso e a deterioração das expectativas de inflação captadas pelo Boletim Focus.

Por outro lado, a SPE avalia que alguns fatores devem ajudar a conter o avanço dos preços ao longo do ano, entre eles a manutenção da Selic em patamar contracionista, a desaceleração esperada da atividade econômica, a acomodação das cotações do petróleo e as medidas adotadas para limitar o repasse da alta dos combustíveis ao mercado doméstico.

A projeção para o IPCA de 2027 também foi elevada, ainda que de forma mais modesta, passando de 3,5% para 3,6%. Já a estimativa para o INPC subiu de 4,6% para 5,3%, refletindo o maior peso dos alimentos no índice, enquanto a previsão para o IGP-DI avançou de 4,9% para 5,6%, em razão da alta acima do esperado dos preços no atacado nos últimos meses.

Petróleo e cenário externo

O boletim também atualizou as premissas utilizadas pela equipe econômica. A projeção para o preço médio do barril de petróleo Brent em 2026 foi reduzida de US$ 91,25 para US$ 79,16, considerando informações disponíveis até 6 de julho, antes da retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã.

Segundo a SPE, apesar da queda nas cotações, o cenário internacional continua marcado por elevada incerteza. Entre os principais riscos estão uma nova escalada do conflito no Oriente Médio, que pode pressionar os preços da energia e afetar o crescimento global, além das novas tarifas comerciais dos Estados Unidos e da possibilidade de um El Niño mais intenso.

No campo fiscal, a equipe econômica destacou que as projeções do mercado para o resultado primário voltaram a melhorar em julho. Segundo a mediana do Prisma Fiscal, a estimativa de déficit primário caiu para R$ 58,1 bilhões, equivalente a 0,43% do PIB, reforçando a expectativa de cumprimento da meta fiscal neste ano.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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