Governo Trump barra repórteres no G20 e ameaça apresentadora da NBC na FCC
Jornalistas do The New York Times, Wall Street Journal e Bloomberg foram excluídos de encontro financeiro internacional, enquanto presidente pressiona agência reguladora após críticas na TV

Lideranças das maiores economias globais se reúnem na próxima semana para o encontro de finanças do G20 em Asheville, na Carolina do Norte. O evento, contudo, não terá a presença de repórteres credenciados de três das principais redações dos Estados Unidos: The New York Times, The Wall Street Journal e Bloomberg News.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos negou credenciais individuais para jornalistas dos veículos cobrirem a reunião de ministros das finanças e presidentes de bancos centrais. Entre os profissionais vetados está Alan Rappeport, repórter do The Times que cobre a pasta desde 2017 e já esteve presente em quase uma dezena de encontros do G7 e do G20.
Segundo o Departamento do Tesouro, cerca de 300 profissionais de imprensa receberam autorização para cobrir o evento, incluindo ao menos outro jornalista do próprio The Times.
Ataque à imprensa e ameaça de punição na FCC
A restrição aos jornalistas coincide com novas declarações do presidente Donald Trump contra a imprensa. No domingo, o republicano criticou a apresentadora do programa Meet the Press, da NBC News, Kristen Welker, sugerindo que a profissional seja denunciada à Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) devido a comentários sobre os resultados eleitorais de seus aliados.
A reação ocorreu após declarações atribuídas a Welker afirmando que Trump obteve "resultados mistos" com os candidatos apoiados por ele no atual ciclo eleitoral. Pré-candidatos endossados pelo ex-presidente, como Mike Lindell (CEO da MyPillow, no Minnesota) e o deputado Randy Feenstra (em Iowa), foram derrotados em primárias recentes.
A fala de Welker foi veiculada durante um segmento prévio à transmissão na afiliada local WRC-TV, em Washington, no qual a jornalista citou vitórias recentes, como a de Darline Graham na Carolina do Sul, ao comentar o cenário eleitoral. Em nota oficial, um porta-voz da NBC News afirmou que apoia a jornalista e a classificou como "uma das melhores do setor".
Escalada em restrições ao trabalho jornalístico
A pressão sobre a NBC ocorre em meio a investidas da administração americana para restringir o acesso da imprensa. No ano passado, o Pentágono estabeleceu diretrizes rígidas de imprensa que levaram à saída da maioria dos veículos de comunicação que recusaram assinar o novo termo de credenciamento.
A atuação de Brendan Carr, presidente da FCC nomeado no segundo mandato de Trump, tem se alinhado aos questionamentos da Casa Branca sobre supostos vieses na cobertura jornalística. Em 2025, o órgão pressionou por medidas contra o apresentador Jimmy Kimmel, da ABC, que teve o programa suspenso temporariamente antes de retornar à grade de programação.
Em publicações na rede Truth Social, Trump defendeu que a comissão investigue também institutos de pesquisa e levantamentos eleitorais divulgados pela imprensa, classificando as sondagens como "fora de controle".
