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Mundo
27/10/2026
5 min

Governo Trump emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família entrarem nos EUA, diz agência

Departamento de Estado dos EUA confirmou à Bloomberg o plano de emitir os documentos depois que Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula nas eleições

Governo Trump emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família entrarem nos EUA, diz agência

O governo de Donald Trump planeja emitir vistos para o senador Flávio Bolsonaro e sua família, para que entrem nos Estados Unidos após ele ter fugido do Brasil. A informação foi confirmada pela Bloomberg.

O Departamento de Estado afirmou à agência de notícias o plano de emitir os documentos depois que Flávio Bolsonaro perdeu a eleição presidencial no domingo para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio Bolsonaro (PL) foi derrotado na disputa presidencial neste domingo, 25, com 59.826.041 votos (48,21%). Enquanto o presidente Lula obteve 64.256.232 votos (51,79%) e foi reeleito para seu 4º mandato.

Saída do Brasil

A agência de notícias Reuters e o jornal The New York Times informaram, mais cedo, que o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. As reportagens citam fontes anônimas. O caso é investigado pela Polícia Federal (PF).

O site argentino Infobae também noticiou que o senador teria saído do Brasil pela fronteira com Puerto Iguazú, na Argentina. Segundo a reportagem, Flávio teria usado seu documento de identidade para cruzar a fronteira.

De acordo com o Infobae, ele viajaria de Puerto Iguazú aos Estados Unidos em um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A.

Registros do site de monitoramento aéreo FlightRadar24 mostram que a aeronave voou de Buenos Aires para Puerto Iguazú e chegou à cidade às 23h45, no horário de Brasília. Segundo a plataforma, o avião não havia deixado o local desde então.

Até o momento, não há confirmação de que Flávio Bolsonaro esteve na aeronave ou de que tenha trocado de avião para seguir aos Estados Unidos.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) não entregou à Polícia Federal (PF) os seus passaportes comum e diplomático. O prazo para a entrega ocorrer se encerrou na manhã desta terça-feira, 27.

Na segunda-feira, 26, Flávio foi intimado a entregar seus passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas e foi proibido de deixar o Brasil por uma decisão do ministro Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

A decisão também proíbe o parlamentar de deixar o Brasil e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, seu amigo e investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas. A PF suspeita que os dois sejam sócios, por exemplo, da Best Bet, casa de apostas que o advogado fundou e controlou. Ambos negam ter qualquer sociedade.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi abordado por agentes da PF após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.

"Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula me intimou na rua. Eu fui intimado para entregar meu passaporte e também estou proibido de deixar o país", disse.

O senador afirmou que a decisão foi tomada na noite de domingo, após o resultado da eleição, e questionou a medida, classificando-a de perseguição. Segundo ele, a determinação teria levado em consideração uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que defendeu que Flávio deixasse o país caso fosse derrotado. Eduardo vive nos Estados Unidos em autoexílio.

A PF também investiga o destino de recursos pagos por Daniel Vorcaro a uma offshore no Texas ligada a um advogado amigo de Eduardo. A suspeita é que os valores, supostamente arrecadados para a realização do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, teriam sido desviados para benefício próprio do ex-deputado.

"Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar", afirmou Flávio Bolsonaro.

O que é investigado no caso de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz?

Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF. Em um deles, é suspeito, ao lado de Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas.

O outro inquérito apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação relacionada às apostas está sob a relatoria de Alexandre de Moraes e teve origem em um procedimento conduzido pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul.

O caso chegou ao Supremo depois que os investigadores identificaram referências ao senador, que possui foro por prerrogativa de função em razão do mandato parlamentar.

A PF apura suspeitas de movimentações financeiras irregulares e possíveis mecanismos de ocultação de recursos por meio de empresas do setor de apostas e plataformas de pagamento vinculadas ao advogado.

Entre os elementos identificados pelos investigadores está uma conta bancária ligada à empresa Alcazar Holdings, associada a Willer Tomaz.

Segundo a investigação, Flávio aparecia como usuário com acesso privilegiado à conta, identificado como master, termo utilizado para designar um perfil com permissões ampliadas de acesso.

Os investigadores buscam esclarecer a natureza dessa vinculação e se houve movimentações financeiras realizadas pelo parlamentar.

A defesa de Willer nega que Flávio tivesse esse tipo de acesso à conta e afirma que os dois mantêm apenas uma relação de amizade, sem movimentações financeiras entre eles.

A Polícia Federal também identificou registros de viagens, encontros e relações comerciais envolvendo os dois.

Uma das linhas de investigação busca esclarecer a origem e o destino de recursos movimentados por empresas relacionadas ao advogado, incluindo uma conta que registrou aproximadamente R$ 130 milhões em operações entre março e maio de 2025.

Veja o resultado do 2º turno das eleições 2026

 

AutorMateus Omena
FonteExame
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