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Mundo
25/07/2026
4 min

Governo Trump quer enviar equipe ao Brasil para questionar urnas, diz jornal

Governo Trump quer enviar equipe ao Brasil para questionar urnas, diz jornal

O governo de Donald Trump prepara o envio de duas autoridades de alto escalão ao Brasil em uma missão voltada a lançar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro, há poucos meses da eleição presidencial marcada para 4 de outubro. A informação é do jornal The Washington Post, que ouviu quatro autoridades dos Estados Unidos e do Brasil sob condição de anonimato.

Segundo a publicação, a delegação do Departamento de Estado deve partir para Brasília nos próximos dias e incluir Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto, ambos indicados políticos do governo Trump. Samson já percorreu países da África e da Europa promovendo a agenda conservadora do presidente americano e estreitando laços com grupos de direita.

Governo brasileiro promete barrar missão

Dois diplomatas brasileiros de alto escalão disseram ao Washington Post que souberam recentemente do que classificaram como uma "manobra" americana e prometeram impedir a entrada dos funcionários no país. Um deles, sob anonimato, afirmou ao jornal que o governo brasileiro agiria para proteger o sistema de votação.

De acordo com essas autoridades, a suspeita é de que o objetivo dos americanos seja reunir-se com céticos do sistema eleitoral e produzir um relatório capaz de deslegitimar a urna eletrônica brasileira.

Procurada pelo jornal, a diplomacia americana confirmou que Barnes e Samson planejam viajar a Brasília na próxima semana, mas não respondeu a perguntas sobre o propósito da viagem nem sobre eventual preocupação do governo Trump com a integridade eleitoral no Brasil. Barnes e Samson não retornaram os pedidos de comentário, segundo a reportagem.

Missão escala tensão entre EUA e Brasil

A iniciativa marca uma escalada no atrito entre os dois países em torno dos limites da liberdade de expressão e do processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, ele cumpre prisão domiciliar.

Nesta semana, Trump impôs tarifas expressivas sobre uma série de produtos brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu classificando a medida como uma jogada política para favorecer seu adversário eleitoral, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e aliado de Trump.

O Post observa que o episódio reflete uma transformação mais ampla no corpo diplomático americano, cada vez mais mobilizado, sob Trump, para objetivos políticos. Um alto funcionário do Departamento de Estado, sob anonimato, disse ao jornal que considera "nocivo" ver a chancelaria usar o poder americano para minar eleições consideradas confiáveis por motivos ideológicos.

Sistema eleitoral tido como robusto

Observadores internacionais afirmam de forma reiterada que o sistema eleitoral brasileiro é sólido. Benoni Belli, embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos, disse ao Post que toda missão de observação ao país desde 2018, incluindo a eleição presidencial de 2022, considerou o sistema seguro e capaz de produzir resultados legítimos.

Salvador Romero, especialista em eleições que já acompanhou pleitos em mais de 20 países, avaliou ao jornal que o sistema eleitoral brasileiro é considerado um dos mais robustos da América Latina. Ainda assim, a desconfiança segue sendo uma força potente entre críticos conservadores do governo.

Nesta semana, Flávio Bolsonaro repetiu, em reunião com diplomatas, alegações semelhantes às do pai. Ele afirmou que as urnas brasileiras foram fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic e seriam vulneráveis a fraude, versão rebatida pelo Tribunal Superior Eleitoral, conforme registra o Post.

Padrão regional de intervenção

A reportagem situa a missão em um esforço mais amplo do governo Trump de impulsionar candidatos alinhados na América Latina, rompendo com normas diplomáticas que em geral desaconselham interferência na política interna de outros países. O Post cita o apoio ao argentino Javier Milei e a Abelardo de la Espriella, vitorioso na Colômbia.

Após a eleição colombiana, o presidente de esquerda Gustavo Petro alegou fraude, preocupação que o governo americano não compartilhou. Em nota conjunta com potências regionais aliadas, o Departamento de Estado condenou tentativas de "lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral" na Colômbia, segundo o jornal.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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