Governo Trump teme ação de inteligência israelense contra altos funcionários, diz NYT

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos elevou nas últimas semanas seu nível de alerta de contrainteligência relacionado a Israel de “alto” para “crítico”, a classificação mais elevada da escala, em meio a preocupações sobre supostas atividades de espionagem conduzidas por serviços de inteligência israelenses contra integrantes do governo americano. As informações foram publicadas neste sábado, 6, pelo jornal The New York Times.
Segundo o jornal, que cita documentos internos da Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos (DIA), a medida reflete o receio de que Israel tenha intensificado seus esforços para obter informações sobre discussões estratégicas realizadas dentro da administração do presidente Donald Trump.
De acordo com a reportagem, o principal interesse de Israel seria acompanhar de perto a posição de Washington nas negociações relacionadas ao conflito com o Irã e a possíveis acordos para reduzir as tensões no Oriente Médio.
As alegações surgem em um momento de divergências entre os dois aliados. Enquanto Trump busca avanços diplomáticos para encerrar a guerra regional, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem defendido uma postura mais agressiva contra Teerã e seus aliados.
Os documentos citados peloNew York Times e pela emissora NBC News apontam que alguns dos principais integrantes da administração americana teriam sido alvo de monitoramento.
Entre eles estariam Steve Witkoff, principal negociador da Casa Branca para questões internacionais, e Elbridge Colby, responsável pela área de políticas estratégicas do Pentágono.
Segundo as reportagens, parte das vulnerabilidades exploradas pelos supostos agentes de inteligência estaria relacionada ao uso de telefones pessoais e aeronaves privadas por algumas autoridades para tratar de assuntos ligados à segurança nacional.
Casa Branca e Israel
A Casa Branca reagiu às informações classificando a reportagem como falsa. Porta-vozes do governo americano afirmaram que as alegações não refletem a realidade e contestaram as conclusões apresentadas pelo jornal.
A Embaixada de Israel em Washington também negou categoricamente as acusações.
“Israel não coleta informações sobre entidades dos Estados Unidos. Nossos esforços de inteligência são direcionados a nossos adversários, não aos nossos aliados”, disse a embaixada em nota.
