GPA (PCAR3): Ações sobem 10% após 2T26 e CEO destaca redução de mais de 50% da dívida com recuperação extrajudicial
As ações do GPA (PCAR3), dona da bandeira Pão de Açúcar, abriram o pregão desta quarta-feira (5) em alta, após o balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), que mostrou prejuízo líquido de R$ 204 milhões, crescimento de 15,5% sobre o resultado negativo de um ano antes. Em teleconferência de resultados realizada nesta manhã, Alexandre […]

As ações do GPA (PCAR3), dona da bandeira Pão de Açúcar, abriram o pregão desta quarta-feira (5) em alta, após o balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), que mostrou prejuízo líquido de R$ 204 milhões, crescimento de 15,5% sobre o resultado negativo de um ano antes.
Em teleconferência de resultados realizada nesta manhã, Alexandre Santoro, CEO da varejista, afirmou que espera a homologação do plano de recuperação extrajudicial no terceiro trimestre deste ano, com efeitos que englobam redução de mais de 50% da dívida.
Além disso, ele destaca o alongamento do prazo médio da dívida de aproximadamente dois anos para cerca de seis anos, redução do custo médio da dívida e queda dos desembolsos previstos entre 2026 e 2028, que passam de cerca de R$ 5,2 bilhões para R$ 400 milhões, considerando principal e juros.
“A recuperação extrajudicial foi um instrumento para fortalecer a companhia. Nosso objetivo sempre foi criar as condições para que o GPA voltasse a concentrar sua energia naquilo que realmente gera valor: o cliente, a operação e a execução da nossa estratégia”, disse.
A homologação do processo representa um passo importante nessa direção, devolvendo flexibilidade financeira e criando condições para acelerar a transformação operacional, segundo Santoro.
Por volta de 11h45 (horário de Brasília), as ações do GPA subiam 9,09%, cotadas a R$ 3,00. Na máxima do dia, até este horário, o avanço chegou a 10,91%. Acompanhe o tempo real.
O CEO da companhia reconhece que ainda existem desafios relevantes pela frente, relacionados à retomada do crescimento de vendas e fortalecimento da geração de caixa. Segundo ele, o segundo trimestre foi marcado por fatores temporários que impactaram a receita.
As vendas totais alcançaram R$ 4,7 bilhões, uma redução de 7% em relação ao mesmo período em 2025, o que Santoro atribui a três fatores.
O primeiro deles é o impacto da recuperação extrajudicial sobre o abastecimento, tendo em vista uma postura mais cautelosa dos fornecedores, somado a isso estão as mudanças estratégicas do negócio e o ambiente macroeconômico, que pesa sobre o varejo alimentar, tendo em vista os juros elevados, maior endividamento e disputa mais intensa pela renda disponível.
Apesar da redução da receita, o crescimento de 7,3% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi destacada como um avanço importante do lado da rentabilidade. O executivo chama atenção para uma captura de mais de metade das eficiências previstas para o ano, além de redução relevante de custos e despesas.
O resultado operacional, medido pelo Ebitda ajustado, subiu para R$ 450 milhões, com a margem passando de 9% para 10,6%.
A administração do GPA reforça que ainda existe espaço para novas reduções de custos, renegociações de contratos e aumento da geração de caixa, com oportunidades relevantes principalmente em logística e tecnologia.
Entre as iniciativas para redução de custos, está a estrutura de pessoal, com readequação do quadro administração, ajustes pontuais em algumas operações e lojas, mas preservando a estrutura necessária para manutenção da experiência do clientes, além de centralização da área de compras indiretas.
Recuperação do GPA
Em março deste ano, o GPA entrou com pedido de recuperação extrajudicial, com cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas para renegociação.
Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores.
A ideia não é levar à Justiça a recuperação, mas chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores. Dessa maneira, o processo tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais barato que a recuperação judicial, focado no acordo voluntário para reestruturar passivos.
O mercado já vinha monitorando uma pressão financeira relacionada a vencimentos de curto prazo. Antes do pedido, o GPA chegou a anunciar a contratação de consultores para auxiliar na busca de alternativas para a melhoria do perfil do endividamento.
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