GPA (PCAR3) vai virar a página? Justiça dá aval a plano de recuperação extrajudicial; ação dispara até 10% na B3
Plano aprovado pela Justiça prevê novas debêntures, novos recursos e até 70% de deságio para parte dos credores

As ações do GPA (PCAR3) dispararam no pregão desta quarta-feira (7), após a companhia avançar na reestruturação de suas contas. A Justiça homologou o plano de recuperação extrajudicial do dono do Pão de Açúcar, que prevê a renegociação de mais de R$ 4,5 bilhões em dívidas.
Por volta das 13h55, as ações PCAR3 subiam 10,39%, a R$ 3,72. Desde o início do ano, contudo, a performance acumulada ainda é negativa em cerca de 1,8% na B3.
Apresentado no início de maio, o plano prevê a reestruturação de R$ 4,568 bilhões em créditos quirografários — dívidas que não estão ligadas às operações correntes de fornecimento de produtos e mercadorias, prestação de serviços ou aluguéis.
Segundo o GPA, credores que representam 57,49% desse montante aderiram à proposta, percentual acima do mínimo exigido pela legislação para a aprovação da recuperação extrajudicial.
De acordo com a varejista, a reestruturação das dívidas está "alinhada ao redimensionamento de sua estrutura de capital, dando continuidade às operações de forma sustentável e deverá impactar positivamente o serviço da dívida e liquidez de curto prazo da companhia".
Com o sinal verde pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo, esses créditos são considerados novados e passam a seguir as condições previstas no plano.
Os credores poderão receber de acordo com uma das três opções estabelecidas na reestruturação:
- Opção A: o credor troca sua dívida por novas debêntures das séries A e B. Para cada R$ 1 ou 1 euro do saldo remanescente, recebe R$ 0,30 ou 0,30 euro em debêntures da série B, além da parcela alocada nas debêntures da série A. Para aderir, precisa também contribuir com sua parcela dos novos recursos.
- Opção B: o credor troca a dívida exclusivamente por debêntures da série B. Para cada R$ 1 ou 1 euro de dívida, recebe R$ 0,30 ou 0,30 euro em novas debêntures — na prática, uma conversão de 30% do valor do crédito em títulos.
- Opção C: o credor recebe em dinheiro, mas com deságio de 70%. Esse saldo passa a ser corrigido pela Taxa DI, com vencimento final em 10 de setembro de 2036 e pagamentos semestrais a partir de março de 2032.
O que muda no caixa do Pão de Açúcar
A reestruturação não se limita à renegociação das dívidas. O GPA também prevê a emissão de novas debêntures e a captação de R$ 200 milhões em novos recursos.
Segundo a companhia, o conjunto de medidas faz parte do redimensionamento da estrutura de capital e deve contribuir para melhorar o perfil do serviço da dívida e a liquidez no curto prazo.
O fato relevante, contudo, não detalha individualmente o impacto financeiro de cada medida.
Segundo o plano, a reestruturação poderia reduzir em mais de R$ 4 bilhões os desembolsos previstos pelo GPA nos dois anos seguintes, com a maior parte da dívida renegociada ficando para ser paga a partir de 2031.
A companhia informou ainda que dará continuidade aos atos necessários para colocar o plano em prática, incluindo a formalização dos instrumentos relacionados aos novos recursos e aos créditos sujeitos à recuperação.
Enquanto isso, o GPA afirma que as operações seguem normalmente e que está em dia com fornecedores, clientes e demais parceiros que não fazem parte da recuperação extrajudicial.
A história de uma crise: como o GPA chegou até aqui?
O movimento começou em março, quando o GPA apresentou o pedido para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.
Na época, o processo chamou atenção pelo tamanho e pela variedade dos credores. A lista reunia 21 contratos com 14 empresas, com bancos entre os principais credores, incluindo o Itaú.
A pressão financeira vinha sendo acompanhada pelo mercado antes mesmo do pedido. Em março, o GPA havia informado que negociava com credores alternativas para melhorar o perfil de seu endividamento, enquanto as ações acumulavam uma forte queda.
A recuperação extrajudicial é uma alternativa à recuperação judicial. Em vez de concentrar toda a reestruturação em um processo judicial, a empresa negocia previamente as condições com os credores e leva o acordo à Justiça para homologação, desde que os requisitos legais sejam cumpridos.
Isso tende a tornar o processo mais rápido e menos burocrático, embora não elimine os desafios financeiros da companhia.
A recuperação ainda não termina aqui
A aprovação do plano pela Justiça resolve uma parte importante do problema: a reorganização dos R$ 4,568 bilhões incluídos no processo de reestruturação. Mas a situação financeira do GPA continua exigindo atenção.
No primeiro trimestre, por exemplo, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 1,347 bilhão, embora boa parte do resultado negativo tenha vindo de efeitos contábeis sem impacto imediato no caixa. Naquele momento, a dívida líquida era de R$ 3,2 bilhões.
Mais recentemente, a administração passou a destacar os primeiros efeitos da reestruturação sobre o negócio.
- Leia também: Como o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) quer transformar uma despesa milionária em fonte de receita em meio à recuperação
No segundo trimestre, o CEO Alexandre Santoro afirmou que o alongamento da dívida e a redução do custo financeiro ajudavam a liberar a gestão para voltar a concentrar esforços na operação.
Naquele momento, a gestão definiu três prioridades: colocar o cliente no centro das decisões, elevar a eficiência operacional e comercial e reforçar a disciplina financeira.
*Com informações do Money Times.
