Gringos retiram R$ 18 bilhões da B3 em agosto e fluxo do ano cai à metade
Saída chegou a R$ 18,12 bilhões, reduzindo para R$ 18,3 bilhões o saldo positivo acumulado no ano

O capital estrangeiro mudou de direção na bolsa brasileira ao longo de 2026 e agosto aprofundou essa virada. Depois de colocar R$ 56,55 bilhões na B3 nos quatro primeiros meses do ano, os gringos passaram a retirar recursos do mercado secundário a partir de maio.
Só em agosto, a saída chegou a R$ 18,12 bilhões, reduzindo para R$ 18,29 bilhões o saldo positivo acumulado no ano. O resultado de agosto é o maior fluxo mensal de saída da série histórica acompanhada pela Elos Ayta desde janeiro de 2022.
O levantamento considera apenas o mercado secundário e exclui recursos destinados a ofertas públicas iniciais (IPOs, em inglês) e follow-ons, operações em que empresas já listadas na bolsa colocam novas ações à venda para captar recursos.
B3: fluxo de estrangeiros ficou negativo em agosto. (Elos Ayta)
De maio a agosto, os estrangeiros retiraram R$ 38,26 bilhões da bolsa, o equivalente a cerca de 68% de tudo o que haviam investido nos quatro primeiros meses do ano. O saldo positivo acumulado até julho, de R$ 36,41 bilhões, encolheu quase pela metade após o movimento de agosto.
Recorde de saída veio com mais negócios
O tamanho da retirada chama atenção também porque não ocorreu em um mês de retração das operações estrangeiras. Pelo contrário, o volume financeiro movimentado por esses investidores subiu de R$ 619,13 bilhões em julho para R$ 739,46 bilhões em agosto.
O avanço foi puxado pelas vendas principalmente, que chegaram a R$ 378,79 bilhões, crescimento de 22,9% em relação ao mês anterior. As compras também aumentaram, mas em ritmo menor, a R$ 360,67 bilhões, alta de 16%.
Bolsa: investidores estrangeiros ampliaram as vendas no mês. (Elos Ayta)
Ou seja, os estrangeiros negociaram mais na B3, mas o aumento das vendas superou o das compras em R$ 18,12 bilhões, exatamente o tamanho da saída líquida registrada no mês.
Bolsa oscilou forte antes da recuperação
A mudança no fluxo ocorreu em um mês de movimentos bastante distintos do Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira acumulou 11 quedas consecutivas até 18 de agosto, período em que recuou 6,55%. Depois disso, veio uma recuperação expressiva.
Entre 18 e 31 de agosto, o Ibovespa avançou 6,66%, reduzindo as perdas acumuladas ao longo do mês. Ainda assim, o índice terminou agosto com queda de 0,33%.
Ibovespa: índice teve forte oscilação ao longo dos anos. (Elos Ayta)
Para a Elos Ayta, o comportamento dos estrangeiros indica uma redução relevante da exposição à B3. A combinação entre a saída recorde, o aumento do volume negociado e a forte oscilação do Ibovespa pode refletir diferentes estratégias adotadas pelos investidores ao longo do mês.
"O movimento pode ter envolvido tanto diminuição de risco durante a queda quanto venda de posições na recuperação dos preços", analisou a casa, que ressaltou, porém, que os dados disponíveis não permitem determinar exatamente o momento em que as posições foram desmontadas.
Sem a abertura diária do fluxo, não é possível atribuir a retirada exclusivamente à realização de lucros.
