Grupo Tauá abre primeiro resort no Nordeste e mira R$ 1 bilhão com nova fase de expansão

O litoral entrou de vez no mapa do Grupo Tauá. Depois de crescer com hotéis em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, a rede mineira abriu nesta quarta-feira, 1º de julho, seu primeiro resort de praia.
O Tauá Resort & Convention João Pessoa começou a operar com famílias hospedadas e um grupo corporativo para eventos. O empreendimento fica no Polo Turístico Cabo Branco, na capital da Paraíba, e é o maior já construído pela empresa.
A abertura marca a entrada do Tauá no Nordeste e chega no mesmo ano em que o grupo mira R$ 1 bilhão em faturamento bruto. Em 2025, a receita foi de R$ 769 milhões. A nova unidade também ajuda a ampliar a oferta da rede para lazer em família e eventos corporativos.
“Esperamos muito por este dia. Ver as primeiras famílias chegando e perceber que o resort finalmente ganhou vida é emocionante. Hoje começamos a construir histórias ao lado de quem escolheu viver essa experiência conosco”, afirma Lizete Ribeiro, CEO do Grupo Tauá.
O plano do grupo vai além da abertura em João Pessoa. A empresa prepara uma nova frente de negócios na gestão de hotéis de terceiros, em um modelo no qual administra empreendimentos que pertencem a outros donos. A meta é fechar 2026 com ao menos dois hotéis sob gestão.
Como é o novo resort do Tauá em João Pessoa
O Tauá João Pessoa começa a operar com cerca de 460 colaboradores. A previsão é chegar a 780 empregos diretos.
O resort tem 1.128 apartamentos em uma área de 300 mil metros quadrados. O investimento é de cerca de R$ 700 milhões.
A estrutura reúne cerca de 9 mil metros quadrados de piscinas, simulador de surf, piscina de ondas, boliche, academia, spa, lojas, teatro e centro de convenções. O resort também tem espaços para bebês, crianças e hóspedes neurodivergentes.
O parque aquático indoor, climatizado e instalado em ambiente fechado, deve entrar em operação no segundo semestre.
A parte de alimentação inclui restaurantes com culinária regional, nacional e internacional. A empresa afirma que a cultura paraibana também aparece na chegada dos hóspedes, em apresentações, músicos, artistas e fornecedores locais.
“Hoje damos início a uma história construída por muitas pessoas. Nossa equipe uniu o jeito Tauá de receber à riqueza da cultura paraibana para acolher os clientes e transformar este resort em um lugar de experiências, encontros e boas lembranças”, afirma Diego Santos, gerente-geral do Tauá João Pessoa.
Lizete Ribeiro, CEO do Grupo Tauá: expansão para o Nordeste e em nova frente de negócios na gestão de hotéis de terceiros (Fabio Costa / Grupo Tauá/Divulgação)
Por que o Nordeste entrou no plano do grupo
A ida para o Nordeste já aparecia no radar da empresa havia alguns anos. O grupo começou avaliando a malha aérea da região antes de escolher João Pessoa.
“Já tinha um tempo que nosso sonho era ir para o Nordeste”, diz Lizete. “Começamos a olhar para onde havia mais voos, e identificamos que era o de Recife. Começamos a estudar a região, e tivemos uma oportunidade bacana em João Pessoa.”
O projeto mudou de tamanho ao longo do tempo. Em 2024, a previsão era inaugurar a unidade no fim de 2025, com 500 quartos na primeira etapa e investimento de R$ 450 milhões. O resort abriu em julho de 2026, com investimento informado de cerca de R$ 700 milhões e previsão de 1.128 apartamentos ao fim das obras.
A unidade também foi pensada para misturar dois públicos: famílias em viagem de lazer e empresas que fazem eventos. Esse modelo já aparece em outros hotéis da rede, como Atibaia, em São Paulo, e Alexânia, em Goiás.
A história do Grupo Tauá
O Tauá nasceu em Caeté, em Minas Gerais, a partir de um sítio da família de João Pinto Ribeiro e Lizete Chequer. O lugar recebia amigos e depois virou um hotel fazenda com 22 apartamentos.
Os filhos entraram no negócio a partir de 1990. A empresa ganhou outro ritmo em 2005, quando a nova geração passou a atuar na operação. Lizete Ribeiro, filha dos fundadores, hoje ocupa o cargo de CEO.
“Não é que somos brilhantes”, diz Lizete. “Mas meus pais tinham outros negócios, e eu e meu irmão estávamos focados no hotel. Era nossa paixão, fomos criados lá. E quando entramos deu um gás, e meu pai sugeriu irmos para São Paulo.”
Em 2008, o grupo inaugurou o Tauá Atibaia, no interior paulista. A unidade começou com 72 quartos. Depois, passou por ampliações e chegou a 788 apartamentos. Na época, o resort respondia sozinho por 55% do faturamento de R$ 500 milhões do grupo.
O crescimento seguiu para outras praças. Hoje, o grupo tem unidades em Caeté, Atibaia, Araxá, Alexânia e João Pessoa. O Grande Hotel Termas de Araxá, em Minas Gerais, é operado sob concessão.
O peso dos eventos na operação
O Tauá cresceu com uma combinação de lazer em família e eventos corporativos. Na prática, isso significa receber empresas durante a semana e famílias nos fins de semana e feriados.
Esse desenho aparece na nova unidade da Paraíba. O primeiro dia de operação já teve hóspedes de lazer e um grupo corporativo. O centro de convenções faz parte do pacote do resort desde a largada.
“Quando vimos o sucesso de Atibaia, mapeamos a oportunidade de replicar esse modelo”, afirma Lizete. “Começamos por cidades próximas a Brasília, achamos em Alexânia, e apostamos num modelo em que as pessoas vêm para eventos empresariais durante a semana e para turismo no final de semana.”
A pandemia testou esse modelo. Entre 2020 e o início de 2021, hotéis e atrações turísticas tiveram queda forte de receita. No caso do Tauá, a crise chegou em um momento em que a empresa finalizava investimentos em um resort de 400 quartos.
“Quase quebramos”, diz Lizete. “Já tínhamos feito o financiamento, e estávamos numa fase posterior, em que a geração de caixa ia direto para a obra.”
Depois da reabertura, a empresa sentiu a volta das famílias, primeiro em viagens perto de casa. Em seguida, vieram os eventos corporativos, que voltaram a ocupar espaço na receita do grupo.
O novo negócio: administrar hotéis de terceiros
Em 2026, o Tauá abriu uma frente de atuação: a gestão de ativos hoteleiros de terceiros. O modelo é chamado de asset light, termo usado para negócios que crescem com menos investimento em imóveis próprios. Na prática, o grupo quer administrar hotéis de outros proprietários.
“Nosso negócio é altamente intensivo em capital. Por isso, com base em estudos e junto ao conselho de administração, entendemos que o melhor caminho para crescer é por meio de um modelo asset light, focado na administração hoteleira”, diz Lizete.
A decisão veio depois de uma mudança na gestão. O grupo reforçou o conselho, contratou diretores externos e estruturou a Tauá Administradora Hoteleira.
“Um ponto muito importante para nós em 2025 foi a solidez que trouxemos ao nosso processo de gestão. Reforçamos o corpo diretivo e o conselho, justamente para viabilizar essa virada e escalar o negócio por meio da administração”, afirma a executiva.
O foco inicial está em resorts e hotéis de lazer. A empresa já começou a procurar clientes e quer terminar o ano com pelo menos dois hotéis administrados nesse formato.
“As negociações são longas, em geral por envolverem a transição de contratos existentes. Para acelerar esse processo, criamos uma área de expansão dedicada”, diz Lizete.
Meta de R$ 1 bilhão em 2026
O Grupo Tauá faturou R$ 769 milhões em 2025, alta de 14% sobre os R$ 672 milhões de 2024. Para 2026, a meta é chegar a R$ 1 bilhão em faturamento bruto.
A abertura de João Pessoa é uma das peças desse plano. A empresa também conta com a nova frente de administração hoteleira e com ampliações nas unidades já existentes.
Em 2025, o grupo investiu em um parque aquático indoor no Tauá Resort & Convention Alexânia, em Goiás, e em uma nova área de piscina térmica e eventos em Atibaia, em São Paulo.
“Com João Pessoa, podemos alcançar 3 milhões de hóspedes. Para este ano, a projeção é chegar a 1,5 milhão, com potencial de dobrar quando todos os projetos forem entregues”, afirma Lizete.
Para 2027, a empresa prevê voltar a investir nas unidades atuais, ao mesmo tempo em que busca novos hotéis para administrar em outras regiões do país.
