Guerra entre EUA e Irã não dá trégua e “está empilhando muito risco inflacionário”, diz analista do BTG

Após Estados Unidos e Irã voltarem a trocar ataques, frustrando as expectativas de um possível cessar-fogo que vinha ganhando força, o head de renda variável do BTG Pactual, Bruno Henriques, afirmou que, enquanto o conflito persistir, inflação, juros e petróleo devem permanecer sob pressão.
No Giro do Mercado desta segunda-feira (1), em entrevista à jornalista Giovana Leal, ele explicou que o mercado tem aversão à imprevisibilidade e, diante desse cenário, reduz exposição ao risco e passa a exigir prêmios maiores para investir.
“Os ativos têm que sofrer, os preços têm que cair para criar essa gordura de valuation – a famosa margem de segurança”, afirmou Henriques.
“Afinal de contas, em um dia eu tenho um memorando bem encaminhado e, no outro, posso fechar o estreito [de Ormuz] de novo? O único consenso é manter uma posição no setor de petróleo como válvula de escape”, declarou.
O analista observou que dificilmente os investidores retirarão petróleo e gás de suas carteiras, já que, com o passar do tempo, uma retomada rápida da produção tende a se tornar mais complexa. Segundo ele, mesmo que o conflito no Irã terminasse hoje, seriam necessários cerca de seis meses para normalizar a oferta global.
Henriques lembrou que, além da reconstrução de bases atacadas, é preciso avaliar se oleodutos também foram atingidos. Ele mencionou ainda uma estimativa de choque de produção entre 10 milhões e 15 milhões de barris. “E se [esse número] aumenta, como se precifica? E aí só tem uma coisa que o mercado entende: isso é inflacionário.”
Na avaliação do executivo, esse cenário provoca efeitos em diferentes cadeias produtivas, com reflexos sobre os custos do transporte rodoviário e marítimo, além de parte da produção agrícola, que mantém correlação com o petróleo. Outro fator de preocupação é a discussão em torno dos impactos de um super El Niño. “Está empilhando muito risco inflacionário e a guerra segue sendo o principal deles”, concluiu Henriques.
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*Com supervisão de Vitor Azevedo
