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Mundo
11/06/2026
3 min

Guerra no Irã não acaba porque Trump não consegue controlar Netanyahu, diz analista

Guerra no Irã não acaba porque Trump não consegue controlar Netanyahu, diz analista

A guerra no Irã envolve três principais atores: Estados Unidos, Israel e Irã. Assim, para que ela acabe, é preciso que haja um entendimento entre os três. Neste momento, EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo, mas Israel segue atacando o Líbano, o que reduz as chances de um acordo de paz.

"Os desdobramentos recentes mostram que ainda estamos longe de uma solução. Não vejo um acordo acontecendo, porque claramente [o presidente Donald] Trump não consegue controlar [o premiê Benjamin] Netanyahu", diz Vinicius Vieira, professor de relações internacionais na FGV.

"Netanyahu vai continuar a atacar o Líbano sob o argumento de que existe o Hezbollah, que, de fato, é um grupo terrorista contra Israel. Mas dentro da lógica de cessar-fogo proposta por Trump, Netanyahu deveria respeitar o acordo", prossegue.

EUA e Israel iniciaram uma operação contra o Irã no final de fevereiro, com uma onda de ataques que matou o líder supremo Ali Khamenei. Os dois países dizem que seu objetivo é impedir o Irã de obter uma bomba nuclear.

Israel diz que o Irã é seu grande inimigo e o acusa de fomentar grupos que buscam a destruição do Estado israelense, como o Hamas e o Hezbollah. O Irã diz ter o direito de buscar a tecnologia nuclear para gerar energia e que Israel e os EUA ameaçam a existência do país.

Em abril, Irã e EUA assinaram um cessar-fogo, que vem se mantendo desde então, apesar de trocas de ataques pontuais, como a ocorrida nessa semana. O conflito fez disparar o preço global do petróleo, pois o Irã conseguiu bloquear a circulação no Estreito de Ormuz, uma importante rota de passagem do produto.

Casos contra Netanyahu

Vieria avalia que Netanyahu usa a guerra como uma espécie de bode expiatório para se manter no poder. O premiê é investigado por casos de corrupção desde 2019, por supostamente ter recebido cerca de R$ 1 milhão em presentes de empresários. Ele diz ser inocente.

Seu julgamento já foi adiado diversas vezes, por ele estar no poder e no comando de um país em guerra. Caso ele deixe o cargo, aumentam as chances de que o processo avance.

Em novembro de 2025, Netanyahu pediu que o presidente de Israel lhe desse um perdão, mas ainda não obteve resposta. Em Israel, o sistema é Parlamentarista e o presidente não comanda o governo no dia a dia, mas pode conceder perdões.

"Trump não é capaz de controlar Israel. Enquanto este triângulo de Israel, EUA e Irã não se resolver por completo, nós teremos o conflito e a impossibilidade da abertura efetiva de Ormuz", diz Vieira.

Embate entre Trump e Netanyahu

Nas últimas semanas, Trump tem subido o tom contra Netanyahu. Ele teria chamado ele de "louco" em uma chamada privada, que foi vazada à imprensa.

Nesta semana, o americano sugeriu que o líder israelense deveria deixar o cargo. "Ele teve uma carreira incrível. Ele quer continuar? Ele é um primeiro-ministro de tempos de guerra. Vamos terminar essa guerra muito em breve, de uma forma ou de outra, e você sabe que ele é um primeiro-ministro de tempos de guerra", disse Trump, à rede ABC.

Israel deverá ter eleições em 27 de outubro, e Netanyahu disse nesta quarta que disputará a reeleição. Hoje com 76 anos, ele já governou o país entre 1996 e 1999, depois entre 2009 e 2021 e está no mandato atual desde 2022. Segundo a imprensa israelense, a chance de que Netanyahu desista da disputa é considerada remota.

AutorRafael Balago
FonteExame
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