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11/06/2026
5 min

Guerra no Oriente Médio já encarece tênis no Brasil, diz CEO da Vulcabras, dona da Olympikus

Guerra no Oriente Médio já encarece tênis no Brasil, diz CEO da Vulcabras, dona da Olympikus

A guerra no Oriente Médio (entre os Estados Unidos e Irã) já começou a pesar no bolso dos consumidores brasileiros, inclusive na hora de comprar um tênis. Para a Vulcabras, dona da Olympikus e responsável pela operação da Mizuno e da Under Armour no Brasil, a escalada da tensão internacional elevou o preço do petróleo e encareceu insumos essenciais para a produção de calçados esportivos.

"Com essa guerra e a volatilidade do petróleo, a gente sofre muito nos nossos insumos, principalmente de sola", afirma Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras, em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME.

Segundo o executivo, mesmo com cerca de 80% dos insumos adquiridos no mercado brasileiro, boa parte das matérias-primas acompanha a cotação internacional do petróleo. Espumas usadas nas entressolas dos tênis, por exemplo, são derivadas do produto e já chegaram mais caras às fábricas.

O impacto foi suficiente para a empresa rever o planejamento do ano.

"Nem todos os produtos a gente conseguiu aumentar preço, mas muitos produtos da coleção foram aumentando de preço e isso deve continuar, a não ser que esse cenário se normalize", diz Bartelle.

Além do conflito internacional, a empresa monitora outros fatores que podem influenciar o desempenho do setor, como inflação, eleições e Copa do Mundo. Para enfrentar esse ambiente mais desafiador, a estratégia foi adaptar coleções, renegociar custos e concentrar esforços em produtos de melhor custo-benefício.

A preocupação com a rentabilidade é reflexo de uma transformação recente da companhia que saiu de uma dívida bilionária para um faturamento recorde em 2025.

Veja também: A estratégia antifrágil da Petrobras: como a estatal cresce em meio ao caos

A virada da Vulcabras

Quando Pedro Bartelle assumiu o comando da empresa, em 2015, a Vulcabras ainda enfrentava os efeitos de uma das maiores reestruturações de sua história. A companhia carregava uma dívida de R$ 1,1 bilhão, acumulava prejuízos e precisava recuperar competitividade diante do avanço dos produtos asiáticos.

A resposta foi concentrar investimentos no segmento esportivo.

Nos últimos cinco anos, a Vulcabras investiu mais de R$ 1 bilhão em ampliação da capacidade produtiva, modernização das fábricas e desenvolvimento tecnológico. Hoje, são 24 mil funcionários, fábricas na Bahia e no Ceará e um dos maiores centros de pesquisa e desenvolvimento de calçados esportivos da América Latina, localizado em Parobé (RS).

A grande aposta dessa nova fase foi a corrida.

Há cerca de 6 anos, a companhia identificou que o mercado de running ganharia força no Brasil e decidiu criar um produto capaz de competir com as grandes marcas internacionais. O desafio lançado por Bartelle para a equipe era simples: desenvolver um tênis brasileiro capaz de vencer uma maratona.

Para isso, a empresa reuniu atletas, especialistas em biomecânica, corredores profissionais e amadores para cocriar a linha Corre.

O resultado transformou a estratégia da marca. Segundo o CEO, a Olympikus passou a disputar o segmento de alta performance, venceu provas importantes e, pelo terceiro ano consecutivo, tem o tênis mais utilizado pelos corredores brasileiros na plataforma Strava.

"O nosso objetivo era mostrar que uma marca brasileira podia criar produtos para competir em nível internacional e vencer no Brasil", afirma Bartelle.

A linha Corre, como é conhecido o modelo de tênis de corrida da Vulcabras, continua crescendo sem linha de chegada. Enquanto prepara o lançamento do Corre 6 para o próximo ano, a empresa amplia o portfólio com novos modelos de amortecimento e produtos com placa de propulsão voltados para corredores de alta performance.

Crescimento sem abrir mão da rentabilidade

A estratégia ajudou a impulsionar os resultados da companhia. A Vulcabras encerrou o último ano com faturamento de R$ 4,1 bilhões e alcançou a marca de 23 trimestres consecutivos de crescimento.

No primeiro trimestre deste ano, a empresa voltou a crescer e ainda conseguiu ampliar as margens bruta e EBITDA, mesmo em um cenário de aumento de custos. Mas para Bartelle, o foco não é crescer a qualquer custo.

"O crescimento da empresa é uma constante, mas o nosso principal objetivo é manter uma grande saúde financeira e entregar bons resultados", afirma.

Além dos novos produtos, a companhia aposta na expansão dos canais próprios. O e-commerce já representa mais de 15% das vendas diretas ao consumidor e 2 novas lojas monomarca da Under Armour serão inauguradas neste ano.

A internacionalização também começa a ganhar espaço. A Olympikus iniciou neste ano operações na Espanha com a linha Corre, em um projeto piloto que poderá abrir caminho para outros mercados.

Enquanto acompanha a evolução da guerra e seus efeitos sobre a cadeia global de suprimentos, a empresa aposta que inovação, velocidade de desenvolvimento e proximidade com os consumidores serão suficientes para manter a trajetória de crescimento.

Hoje, a Vulcabras reúne uma operação espalhada pelo país, com 24 mil funcionários, duas fábricas no Nordeste (Bahia e Ceará), um Centro de Distribuição em Extrema (MG) e o maior Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de calçados esportivos da América Latina, em Parobé (RS) onde os tênis são desenhados e montados usando a expertise humana e tecnológica. Além do e-commerce, a companhia ainda conta com mais de 15 mil pontos de venda.

Se há poucos anos o desafio era sobreviver a uma dívida bilionária, agora o objetivo de Bartelle é outro: atravessar um cenário global de incertezas sem perder a velocidade dentro de casa.

"Estamos aos poucos testando outros países, mas o principal mercado da Vulcabras é o Brasil."

Veja a entrevista completa de Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras, ao De frente com CEO, direto do Rio Grande do Sul:

AutorLayane Serrano
FonteExame
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