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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
16/09/2026
4 min

'Guilhotina' do BBA corta Nubank e só Bradesco escapa com recomendação positiva

A mudança faz parte de uma atualização das projeções do Itaú BBA para o setor bancário brasileiro em 2026 e 2027

'Guilhotina' do BBA corta Nubank e só Bradesco escapa com recomendação positiva

O Itaú BBA reduziu sua preferência por bancos brasileiros e deixou apenas o Bradesco com recomendação positiva entre as grandes instituições do setor. O movimento ocorreu após o banco de investimentos rebaixar o Nubank de Outperform (desempenho acima da média) para Market Perform (desempenho em linha com o mercado).

A mudança faz parte de uma atualização das projeções do BBA para o setor bancário brasileiro em 2026 e 2027. Segundo o relatório, o Nubank continua sendo considerado um vencedor no longo prazo, mas o cenário para os próximos anos ficou menos claro diante de desafios macroeconômicos e operacionais.

Com a revisão, o Bradesco passou a ser o único banco de grande porte (large-cap) coberto peloItaú BBA com recomendação Outperform, equivalente a uma indicação de desempenho superior ao mercado. O relatório destaca que o banco negocia atualmente a múltiplos considerados atrativos pelos analistas, com cerca de 1,1 vez o valor patrimonial projetado para 2026 (P/B) e 7 vezes o lucro estimado para 2026 (P/E).

Segundo o Itaú BBA, o Bradesco apresenta sinais de melhora na execução operacional e passou por uma redução da exposição a carteiras de crédito mais cíclicas. Os analistas destacam avanços tanto no segmento de varejo — incluindo clientes de média e alta renda — quanto no corporate banking.

Outro ponto citado é a área de seguros, que representa mais de 40% do lucro da instituição e deve continuar crescendo em ritmo de dois dígitos, impulsionada pela expansão da BradSaúde, segundo a análise.

O relatório também aponta que a margem financeira do banco segue resiliente, enquanto o custo de risco permaneceu em 3,5%, mesmo considerando efeitos de carências relacionadas ao FGO/FGI e a consolidação de carteiras como agro e John Deere.

Para os analistas, o Bradesco tem potencial de passar por um processo de reavaliação positiva caso consiga entregar os resultados esperados e reduza o ceticismo atual do mercado.

Apesar da visão positiva, o Itaú BBA reduziu levemente sua projeção de lucro líquido do Bradesco para 2026. A estimativa caiu entre 2% e 3% e passou a considerar um lucro de R$ 28,488 bilhões no ano, em razão de premissas de menor crescimento da carteira de crédito e maior custo de risco. Para 2027, a projeção permaneceu em R$ 32,524 bilhões, acima do consenso de mercado.

O preço justo estimado pelo BBA para a ação do Bradesco é de R$ 20,00 ao fim de 2027, já considerando o aumento de capital de R$ 10 bilhões.

Apesar da preferência pelo Bradesco dentro do setor bancário, o Itaú BBA afirma manter uma visão mais favorável para empresas ligadas ao mercado de capitais. Os analistas destacam preferência estratégica por ativos como BTG Pactual, XP e B3 em relação a bancos focados principalmente em operações tradicionais de varejo.

Nubank perde espaço após crescimento mais forte

O rebaixamento do Nubank ocorreu após o Itaú BBA reduzir a recomendação da ação de Outperform para Market Perform. O preço justo estimado para o papel ao fim de 2027 caiu de US$ 20 para US$ 18, enquanto a projeção de lucro para 2027 foi reduzida em 8%.

Os analistas afirmam que o banco digital continua apresentando uma trajetória positiva no longo prazo e deve manter resultados sólidos no curto prazo. O ponto de atenção está no ritmo de crescimento para os próximos anos. A expectativa do BBA é que o crescimento do lucro desacelere de 32% em 2026 para 14% ao ano em 2027, considerando moeda constante.

O relatório aponta dois grupos principais de fatores que levaram à revisão do Nubank. No cenário macroeconômico, os analistas esperam um ambiente mais difícil para o consumidor brasileiro, com possível redução de estímulos fiscais e sociais, além de pressões inflacionárias associadas aos preços do petróleo e de commodities agrícolas. O BBA também cita a possibilidade de medidas regulatórias e macroprudenciais pelo Banco Central voltadas a produtos de crédito de alto custo.

Do ponto de vista operacional, o banco enfrenta uma base de comparação mais elevada em algumas linhas de crédito no Brasil, enquanto continuaaumentando investimentos nos Estados Unidos. Aoperação mexicana, segundo os analistas, ainda não tem escala suficiente para compensar uma eventual desaceleração do mercado brasileiro.

Além disso, o valuation da companhia é apontado como um fator de atenção. O Nubank negociava a cerca de 17 vezes o lucro estimado para 2026 e 4,4 vezes o valor patrimonial, deixando menos espaço para eventuais surpresas negativas.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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