Hackers desviam US$ 320 milhões em bitcoin após ataque à Liquid Network
Responsáveis pelo ataque se autodeclararam "white hats" e já devolveram 85% do que retiraram da sidechain da maior das criptomoedas

Uma vulnerabilidade no software utilizado pela Liquid Network, uma sidechain do Bitcoin desenvolvida pela Blockstream, levou ao desvio de aproximadamente 4 mil bitcoins, avaliados em cerca de US$ 320 milhões no momento do incidente.
Os responsáveis pelo ataque afirmam ser “white hats”, termo usado para designar hackers que exploram vulnerabilidades com o objetivo declarado de ajudar a corrigi-las.
Cerca de 3.400 bitcoins, ou aproximadamente 85% do total retirado, foram devolvidos à carteira da Liquid Federation ontem, 7. Os aproximadamente 598,5 BTC restantes continuavam no endereço que realizou o saque.Não está claro publicamente se houve um acordo formal entre os responsáveis pelo ataque e a Blockstream para a retenção dos bitcoins restantes.
O incidente ocorreu em 6 de setembro e levou a Liquid a paralisar temporariamente as operações da rede. Exchanges também foram notificadas para suspender depósitos e saques de LBTC, o token que representa bitcoin dentro da Liquid.
Como aconteceu o desvio de bitcoin
A Liquid é uma sidechain federada do Bitcoin. Ela permite transações mais rápidas e confidenciais e também a emissão de outros ativos digitais. Atualmente, a rede utiliza 15 membros da federação que lastreia o LBTC para produzir blocos e administrar a conexão entre a Liquid e o blockchain principal do Bitcoin, com um quórum de 11 de 15.
O funcionamento da rede depende do LBTC, uma representação do bitcoin na Liquid. Quando bitcoins são enviados para a carteira da federação no blockchain do Bitcoin, uma quantidade equivalente de LBTC pode ser utilizada na Liquid. No sentido contrário, um processo chamado peg-out permite converter LBTC de volta em bitcoin na rede principal.
Foi justamente esse mecanismo que acabou sendo utilizado no ataque. A falha teria permitido a criação de LBTC sem o correspondente bitcoin depositado na reserva da federação. Esses tokens foram posteriormente utilizados no processo normal de retirada, fazendo com que bitcoins reais fossem liberados da carteira da Liquid.
Segundo a SideSwap, uma plataforma utilizada para operações de peg-out, cerca de 4 mil LBTC foram enviados para seu serviço de retirada. A operação foi processada utilizando uma autorização válida e resultou na liberação de aproximadamente 3.996 BTC pela Liquid Federation.
A Liquid informou inicialmente que a chave criptográfica utilizada na operação não havia sido comprometida. Posteriormente, a SideSwap afirmou que os LBTC envolvidos na transação haviam sido criados por meio de uma falha no software Elements, utilizado como base tecnológica da Liquid. A própria SideSwap disse que seus sistemas e sua chave de autorização para peg-outs também não foram comprometidos.
Quase toda a reserva foi retirada
O tamanho do incidente chamou atenção porque a carteira da Liquid Federation tinha aproximadamente 4,2 mil BTC antes do ataque. Os cerca de 4 mil bitcoins retirados representavam aproximadamente 95% da reserva.
A operação também expôs uma característica importante do modelo da Liquid. Embora o bitcoin utilizado como lastro esteja protegido por uma estrutura de múltiplas assinaturas, a segurança da ponte entre a sidechain e a blockchain principal depende também das regras de software que determinam quais ativos podem ser retirados.
No caso do ataque, entretanto, a operação aparentemente passou pelas validações necessárias para que o sistema tratasse os LBTC envolvidos como legítimos.
