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22/08/2026
5 min

Hapvida (HAPV3) despenca pela 2ª semana consecutiva; veja os destaques semanais do Ibovespa

O Ibovespa (IBOV) engatou a terceira semana de perdas consecutivas com saída de fluxo estrangeiro, aumento das incertezas sobre o cenário fiscal do Brasil e dos EUA e pressão dos juros globais. O principal índice da bolsa brasileira acumulou desvalorização de 0,86% na semana e encerrou a última sessão aos 171.031,73 pontos. Apesar da queda […]

Hapvida (HAPV3) despenca pela 2ª semana consecutiva; veja os destaques semanais do Ibovespa

OIbovespa (IBOV) engatou a terceira semana de perdas consecutivas com saída de fluxo estrangeiro, aumento das incertezas sobre o cenário fiscal do Brasil e dos EUA e pressão dos juros globais.

O principal índice da bolsa brasileira acumulou desvalorização de 0,86% na semana e encerrou aúltima sessão aos 171.031,73 pontos. Apesar da queda semanal, o IBOV conseguiu interromper uma sequência de 11 quedas consecutivas e subiu por três dias seguidos.

Já o dólar à vista terminou a sexta a R$ 5,1451, com alta de 1,21% no acumulado da semana.

Para analistas, a recuperação do Ibovespa nos últimos pregões foi um movimento mais técnico, motivado por ajuste de posições após a forte sequência de quedas e amplificado pelo vencimento de opções sobre ações na sexta-feira, além da melhora do apetite por risco global.

Contudo, a saída de capital estrangeiro segue como o principal vetor. Até o último dia 19, os saques somavam cerca de R$ 22 bilhões no mês, refletindo tanto a rotação global para ativos de tecnologia quanto o aumento da sensibilidade ao risco eleitoral e fiscal doméstico.

Segundo o JP Morgan, o mês de agosto já registrou a terceira maior saída de capital estrangeiro desde a crise financeira de 2008.

O que movimentou o Ibovespa na semana?

Por aqui, o cenário eleitoral seguiu nos holofotes, com o início das campanhas e expectativa de redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Os dois candidatos não confirmaram a presença no primeiro debate presidencial, marcado para este domingo (23).

O ambiente fiscal também voltou ao radar com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PCE) para o fim da escala 6×1. A medida já foi oficialmente despachada para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, sendo o senador Omar Azis (PSD-AM) o relator.

Entre os dados, destaque para o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), com recuo de 0,6%, ante mediana de queda de 0,5% da pesquisa Projeções Broadcast. O dado reforçou a leitura de perda de tração da atividade econômica e a expectativa de moderação do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026 (2T26).

Exterior

A escalada dos juros dos títulos públicos das principais econômias ‘sacudiu’ os mercados no início da semana. O movimento refletiu a crescente preocupação dos investidores com a inflação e a trajetória fiscal dos EUA, em um cenário marcado por tensões geopolíticas e pela pressão dos preços de energia, impulsionada pela recente valorização do petróleo.

Em destaque, o rendimento (yield) do Treasury de 30 anos – referência para hipotecas imobiliárias de longo prazo nos EUA – atingiu na terça-feira (18) o nível mais alto desde 2007.

Na tentativa de conter o avanço e aumentar a liquidez, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou uma operação ampliada de recompra de títulos de longo prazo, dobrando o volume destinado aos papéis com vencimentos entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos. A medida ficará em vigor entre 9 de setembro e 4 de novembro.

Na avaliação de estrategistas, o impacto da medida sobre os juros dos Treasuries deve ser limitado no curto prazo. Para o JP Morgan, por exemplo, não há evidências de problemas de funcionamento no mercado de Treasuries que justificassem, neste momento, uma ampliação das recompras de títulos longos.

O Departamento do Tesouro também informou que a dívida pública do país atingiu US$ 40,05 trilhões, ultrapassando pela primeira vez na história a marca dos US$ 40 trilhões. O valor é mais que o dobro do registrado há uma década.

Sobe e desce do Ibovespa

As ações da MBRF (MBRF3) saltaram quase 22% e lideraram os ganhos da semana no Ibovespa.

Em destaque, o Bank of America elevou a recomendação para as ações MBRF3 de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 23 para R$ 26.

O banco enxerga uma combinação de recuperação das margens da carne bovina nos Estados Unidos, redução dos investimentos e uma forte melhora na geração de caixa a partir de 2027.

Confira as maiores altas do Ibovespa entre 17 e 21 de agosto:

CÓDIGO NOME VARIAÇÃO SEMANAL
MBRF3 MBRF ON 21,59%
SLCE3 SLC Agrícola 20,20%
BEEF3 Minerva ON 15,99%
MRVE3 MRV ON 14,13%
UGPA3 Ultrapar ON 10,55%
PRIO3 PRIO ON 9,40%
PETR4 Petrobras PN 8,39%
CMIN3 CSN Mineração ON 8,26%
PETR3 Petrobras ON 7,99%
SUZB3 Suzano ON 7,84%
Fonte: B3

Já a ponta negativa do Ibovespa foi liderada por Hapvida(HAPV3), pela segunda semana consecutiva, ainda pressionada pelos resultados do segundo trimestre (2T25).

No período, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões, tombo de 95,8% ante o resultado registrado um ano antes.

A empresa apurou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 504,4 milhões, queda de 44,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

Já a taxa de sinistralidade ficou em 75,2%, alta de 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nesta semana, o BTG Pactual cortou o preço-alvo das ações da companhia quase pela metade, avaliando que a companhia “tem um longo caminho pela frente”, considerando os ‘desafios’ evidenciados no 2T26: escalada da judicialização, frequências ainda elevadas, sinistralidade (MLR) alta, provisões contingenciais e penalidades da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) elevadas, aumento das despesas corporativas e deterioração dos fundamentos do balanço, com consumo significativo de caixa.

Além disso, a ANS suspendeu os efeitos de medida cautelar anterior que impedia reajustes e cancelamentos de contratos anunciados recentemente pela operadora de saúde.

Veja as maiores quedas da semana:

CÓDIGO NOME VARIAÇÃO SEMANAL
HAPV3 Hapvida ON -39,28%
CEAB3 C&A Modas ON -16,78%
BRKM5 Braskem PN -14,65%
CSMG3 Copasa ON -12,01%
SBSP3 Sabesp ON -11,68%
GGBR4 Gerdau PN -11,58%
LREN3 Lojas Renner ON -11,30%
VAMO3 Vamos ON -11,04%
AZZA3 Azzas 2154 -10,99%
GOAU4 Metalúrgica Gerdau ON -10,54%

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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