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23/06/2026
3 min

Heineken escolhe executivo brasileiro de café para turbinar vendas de cerveja

Heineken escolhe executivo brasileiro de café para turbinar vendas de cerveja

A Heineken anunciou nesta terça-feira, 23, a nomeação do executivo brasileiro-britânico Rafael Oliveira, de 51 anos, como novo presidente-executivo da cervejaria holandesa.

A nomeação marca a primeira vez, em 87 anos de história da empresa como companhia aberta, que a Heineken escolhe um executivo vindo de fora do próprio grupo para o comando.

Oliveira deixa o cargo de CEO da JDE Peet's, maior empresa do mundo dedicada exclusivamente a café e chá, depois de menos de dois anos na função.

Sua posse na Heineken está prevista para 1º de outubro, por um mandato de quatro anos, sujeito à aprovação dos acionistas em assembleia extraordinária marcada para 5 de agosto, segundo o Financial Times.

Um executivo formado em bens de consumo, não em cerveja

Oliveira assumiu a JDE Peet's em novembro de 2024 e, segundo a Heineken, devolveu foco estratégico e crescimento rentável à companhia, criando valor relevante para os acionistas.

Antes disso, passou uma década na Kraft Heinz (2014–2024), onde chegou a vice-presidente executivo e presidente de mercados internacionais, com responsabilidade sobre um portfólio de mais de US$ 7 bilhões na Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina. Também trabalhou no banco de investimentos Goldman Sachs antes de migrar para o setor de bens de consumo.

"Estou honrado e animado para entrar na Heineken, uma das marcas mais icônicas do mundo", disse Oliveira em comunicado. "Como admirador de longa data do legado da Heineken, estou animado com a oportunidade de liderar essa grande companhia em seu próximo capítulo."

Uma sucessão conturbada

A escolha de um executivo externo encerra um processo de sucessão marcado por indecisão.

O ex-presidente-executivo Dolf van den Brink deixou o cargo em maio, antes do esperado, depois de mais de 20 anos na empresa e seis anos no comando — e a saída deixou dois candidatos internos na disputa pela vaga.

Segundo o Financial Times, o conselho considerou que nenhum dos dois estava pronto para o cargo, o que levou a companhia a buscar candidatos externos.

A Heineken é controlada pela família De Carvalho-Heineken, que detém participação majoritária e ocupa cinco das oito cadeiras do conselho da holding.

Charlene de Carvalho-Heineken, herdeira da família e acionista relevante, apoiou a nomeação, afirmando que Oliveira tem a visão estratégica, a capacidade de liderança e a habilidade de execução necessárias para a próxima fase da companhia.

Por que a cervejaria precisava de uma mudança

A escolha de Oliveira ocorre em um momento de pressão financeira para a Heineken, que enfrenta inflação e queda no consumo global de cerveja.

As ações da companhia, negociadas a cerca de 73 euros, com valor de mercado em torno de 40 bilhões de euros, acumulam queda de 30% nos últimos cinco anos — desempenho pior do que o de concorrentes como Anheuser-Busch InBev e Carlsberg no mesmo período.

A empresa também está em meio a um plano de corte de 7% do quadro global de funcionários, com consolidação de cervejarias na Europa e fusão de operações administrativas em mercados menores.

Segundo o analista Ed Mundy, do banco Jefferies, a expectativa é que Oliveira mantenha a estratégia já em curso, batizada de EverGreen 2030, mas com "disciplina de execução mais afiada" e maior engajamento com o mercado de capitais.

As ações da Heineken subiram mais de 2% no início do pregão de terça, em reação ao anúncio.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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