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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioACSFII
29/10/2026
5 min

Helbor deixa a B3 e acionistas viram sócios da HBR. Entenda a troca de ações

Família Borenstein reúne seus negócios imobiliários e deixa uma pergunta no ar sobre o futuro dos acionistas

Helbor deixa a B3 e acionistas viram sócios da HBR. Entenda a troca de ações

Tudo em família, mas com mudanças na bolsa. A HBR Realty assumiu o controle da Helbor após comprar 83,16% de suas ações em um leilão na B3, na quarta-feira, 28. As duas empresas têm o mesmo dono — ambas são controladas pela família Borenstein. Por trás da operação, que envolveu uma troca de ações, está uma reorganização dos negócios imobiliários do conglomerado.

Mas, afinal, o que aconteceu com os acionistas da Helbor nesse rearranjo?

Ao todo, a HBR adquiriu 111,3 milhões de ações da Helbor, pelo preço final de referência de R$ 2,73 por papel. Em contrapartida, serão entregues cerca de 90,8 milhões de ações da HBR aos participantes da oferta pública de aquisição (OPA).

O resultado também abriu caminho para o cancelamento do registro da Helbor como companhia aberta e sua saída do Novo Mercado da B3.

Segundo o fato relevante divulgado pela Helbor, foram verificadas as condições mínimas da oferta. A companhia também informou que o quórum exigido para o cancelamento do registro foi atingido e que os procedimentos necessários para concluir a retirada da Bolsa ainda serão realizados.

O que acontece com quem tinha ações da Helbor?

Os acionistas que aceitaram a oferta trocaram seus papéis da Helbor por ações da HBR Realty. A relação estabelecida foi de 0,81553398 ação da HBR para cada ação ordinária da Helbor. Dessa forma, quem possuía 1.000 ações da incorporadora passou a ter direito a 815,53 ações da HBR, antes dos ajustes previstos para frações.

A principal mudança está no tipo de negócio ao qual esses acionistas passam a estar expostos. Antes, a participação estava diretamente ligada à Helbor, especializada em incorporação residencial.

Agora, o investimento passa a acompanhar a HBR, que combina atividades de desenvolvimento imobiliário com empreendimentos comerciais que geram receitas de aluguel.

Mas o movimento não representa um pagamento convencional em dinheiro, já que a aquisição foi estruturada como uma permuta de ações, permitindo que os antigos sócios da Helbor continuem participando dos resultados do grupo por meio da HBR.

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Alexandre Nakano: CEO da HBR Realty. (Marcos Mesquita/Divulgação)

O CEO da HBR, Alexandre Nakano, afirma que a nova estrutura permitirá aos acionistas participar de um negócio mais amplo. "Com a conclusão da operação os acionistas da empresa continuarão investindo no grupo e participarão de uma base de resultados mais ampla e robusta", relatou.

E quem não aceitou a oferta da HBR?

Os acionistas que não participaram do leilão ainda poderão vender suas ações da Helbor à HBR. O fato relevante estabelece um período entre 29 de outubro e 28 de novembro de 2026 para a apresentação das ordens de venda, conforme as condições previstas no edital da oferta.

O leilão também não obrigou todos os acionistas a vender suas participações de forma automática. Com o cancelamento do registro da Helbor, os papéis remanescentes deixarão de contar com a negociação regular da companhia no Novo Mercado da B3.

Por que a HBR comprou a Helbor?

A aquisição busca combinar dois modelos de negócio que já estavam sob o controle da família Borenstein. Enquanto a Helbor atua, principalmente, na construção e venda de imóveis residenciais, a HBR possui ativos comerciais que geram receitas recorrentes, como shoppings, edifícios corporativos, etc.

Com a transação, a HBR também passa a controlar um banco de terrenos, conhecido como "landbank", avaliado em mais de R$ 12 bilhões. A maior parte dos ativos está localizada na capital paulista, com foco em empreendimentos de médio e alto padrão.

Esse montante não representa dinheiro disponível em caixa ou lucro já obtido. O valor está associado ao potencial imobiliário do banco de terrenos e à possibilidade de desenvolvimento de futuros empreendimentos.

HBR/Helbor/Divulgação

Casamento imobiliário: HBR e Helbor unem forças em operação que mira ganhos de eficiência e liquidez. (HBR/Helbor/Divulgação)

A integração também deve permitir o aproveitamento de áreas comerciais nos projetos residenciais e a redução de despesas com estruturas administrativas duplicadas, segundo a administração.

A expectativa dos executivos é de combinar a geração de caixa das vendas de imóveis da Helbor com a previsibilidade dos aluguéis comerciais recebidos pela HBR. De acordo com o material institucional, o lucro bruto das duas empresas soma R$ 559 milhões.

A companhia acredita que a diversificação poderá reduzir a exposição às oscilações do mercado de incorporação residencial, embora os resultados continuem sujeitos ao comportamento da economia e do setor imobiliário.

Ações da HBR podem ganhar mais liquidez após a aquisição

Além da diversificação dos negócios, a HBR espera que a operação aumente a negociação de suas ações na Bolsa. A projeção é que o volume médio diário negociado passe de R$ 1 milhão para R$ 3,5 milhões, crescimento de 250% em relação ao patamar anterior.

Um volume maior costuma facilitar a compra e a venda de papéis, já que amplia a possibilidade de encontrar interessados nas negociações. O avanço projetado pela companhia, no entanto, ainda precisa se confirmar no mercado.

A operação também amplia a quantidade de ações da HBR em circulação, já que novos papéis serão entregues aos antigos acionistas da Helbor.

Isso reduz proporcionalmente a participação dos sócios anteriores no capital da companhia, mas não representa necessariamente uma perda financeira, pois a empresa também passa a controlar os ativos e as operações da incorporadora.

O controle dos negócios continuará com a família Borenstein, que já estava à frente das duas empresas. A diferença é que a Helbor deixará de ser uma companhia listada de forma independente, enquanto a HBR concentrará a estrutura societária do grupo na Bolsa.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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