Housi compra fatia de rede com 650 minimercados e projeta R$ 780 milhões em receita para 2026
Aquisição da Honest Market é o segundo M&A anunciado pela companhia neste ano e faz parte de uma estratégia que deve incluir novos negócios

RESUMO +
A plataforma de moradia e serviços Housi adquiriu uma participação na rede de minimercados autônomos Honest Market Brasil, com mais de 650 pontos em 20 estados. A operação amplia o ecossistema combinado para cerca de 800 mil moradores, com meta de 1 milhão. O valor e o percentual da aquisição não foram divulgados.
A Housi, plataforma de moradia e serviços fundada por Alexandre Frankel, está ampliando sua aposta em aquisições para ganhar escala dentro dos condomínios. A companhia acaba de adquirir participação na Honest Market Brasil, rede de minimercados autônomos com mais de 650 pontos de venda espalhados por 20 estados.
O valor da transação e o percentual adquirido não foram divulgados. Segundo Frankel, fundador e CEO da Housi, a fatia já "é relevante" e poderá aumentar ao longo do tempo. Em um cenário futuro, ele não descarta uma integração ainda maior entre os negócios.
A operação acrescenta cerca de 400 mil moradores à base alcançada pela Housi. A própria companhia já estava presente em um universo semelhante, o que leva o ecossistema combinado para aproximadamente 800 mil moradores. A meta é chegar em breve à marca de 1 milhão.
A Honest Market movimenta mais de R$ 100 milhões por ano e opera por meio de franquias. Já a Housi encerrou 2025 com faturamento de R$ 600 milhões. Para 2026, a empresa projeta crescimento de 30%, o que levaria a receita para perto de R$ 780 milhões.
“Os prédios vão se tornar grandes centros de conveniência. O mercadinho talvez seja o mais conhecido, mas hoje são 30 serviços diferentes que agregam funcionalidade e praticidade e, no fim, geram economia e tempo para o morador”, afirma Frankel.
Por que a Housi fez este investimento
A aproximação entre as duas empresas não começou com a negociação societária. Housi e Honest Market trabalham juntas há mais de três anos - e a rede de minimercados já estava no radar da companhia como possível alvo de investimento.
A lógica da aquisição passa menos pela venda de alimentos em si e mais pela tentativa de ampliar a presença da Housi dentro dos edifícios.
O AppSpace, plataforma da companhia, reúne serviços como lavanderia, wi-fi, adega, carregadores para carros elétricos e eletrodomésticos, além de soluções digitais de limpeza, manutenção, encanador e massagem.
Com a aquisição, a ideia é cruzar as duas bases. Prédios atendidos pela Housi e que ainda não possuem minimercado podem receber unidades da Honest, enquanto os condomínios atendidos pela rede de varejopassam a ter acesso a outros serviços do ecossistema.
“Hoje a Housi tem 400 mil moradores e a Honest também. A gente vai para um universo de aproximadamente 800 mil moradores”, diz Frankel. “Todas as unidades da Honest ganham o ecossistema de serviços.”
A estratégia também busca aumentar a atratividade econômica das franquias. Em vez de o franqueado obter receita apenas com o minimercado, a Housi pretende conectar outros produtos e serviços à operação.
Segundo Frankel, isso pode ampliar tanto o faturamento do ponto de venda quanto a renda do franqueado. A companhia, porém, não informou uma estimativa de quanto essa receita adicional pode representar.
Até onde pode chegar a participação da Housi
A Housi decidiu não divulgar nem o valor desembolsado nem a participação adquirida na Honest Market.
Frankel afirma que a política deve valer também para futuras aquisições da empresa, principalmente para evitar a exposição dos múltiplos utilizados nas negociações.
“É uma participação relevante e ela aumenta no tempo”, afirma.
Segundo o executivo, o desenho permite que a Housi aumente gradualmente sua posição na empresa. Uma fusão integral também aparece como possibilidade no longo prazo, embora não exista anúncio nesse sentido neste momento.
“Eventualmente, em um movimento corporativo, a gente pode fazer uma fusão total. A ideia é que os nossos associados tenham independência para continuar fazendo bem aquilo que fazem, só que agora com muito mais tecnologia e muito mais escala.”
A aquisição é o segundo M&A anunciado pela Housi em 2026, segundo Frankel, e não deve ser o último. A companhia procura negócios capazes de complementar a plataforma, especialmente em áreas ligadas a serviços e conveniência dentro dos edifícios.
Como a Housi quer ganhar escala dentro dos prédios
Frankel vê os condomínios como um novo canal de distribuição para empresas de bens de consumo e prestadores de serviços.
Entre as empresas que já mantêm relações com o ecossistema estão nomes como Nestlé, Unilever e Natura. A tese é que, quanto maior a base de moradores e pontos de venda, maior a capacidade de negociar com grandes marcas e investir em tecnologia.
Para o fundador, o varejo vem passando por um processo contínuo de aproximação com o consumidor: dos hipermercadosdistantes dos centros residenciais para supermercados de bairro, depois lojas menores de conveniência e, finalmente, operações instaladas no próprio prédio.
“Agora definitivamente chegou a proximidade máxima, que é um elevador de distância”, afirma.
A companhia tem a meta de se tornar, em até um ano, a maior empresa do país em número de pontos de venda, segundo Frankel. O executivo não informou quantos PDVs serão necessários para alcançar esse objetivo.
A expectativa é que a base ampliada também ajude a Housi a se aproximar rapidamente de 1 milhão de moradores.
Além da conveniência, o modelo prevê uma lógica de benefícios financeiros. O consumo dentro do ecossistema pode gerar cashback ao morador, enquanto parte das receitas é revertida aos condomínios.
De onde veio a Housi
A Housi nasceu em 2019 como uma spin-off da Vitacon, incorporadora também fundada por Frankel.
A origem do negócio estava ligada a uma dificuldade percebida entre investidores que compravam apartamentos compactos para locação, mas não queriam administrar tarefas como mobília, cobrança e gestão dos imóveis.
A Housi surgiu inicialmente para digitalizar essa operação e desenvolveu o conceito de moradia por assinatura, com imóveis preparados para ocupação e contratação de forma digital.
A pandemia, poucos meses depois da criação da companhia, derrubou a demanda pelo modelo inicial.
Foi nesse período que a empresa encontrou uma nova avenida de crescimento ao licenciar marca e tecnologia para empreendimentos de terceiros.
O negócio passou então a operar de maneira mais ampla, conectando imóveis, moradores e uma rede de serviços sem precisar ser proprietária dos ativos imobiliários.
Agora, as aquisições passam a ocupar um papel maior nessa expansão.
A empresa também começa a desenvolver novas verticais. Frankel cita, entre elas, produtos voltados à população mais velha e soluções financeiras para apoiar os franqueados, como recebíveis e financiamento.
No curto prazo, porém, o foco está em ganhar escala no ecossistema de serviços dentro dos prédios.
