Hyperliquid bate máxima histórica em dia de correção para outras criptos

A criptomoeda HYPE, da rede de negociação de futuros perpétuos Hyperliquid, atingiu sua máxima histórica nesta terça-feira, 16. Enquanto a maioria das criptomoedas perde o ímpeto em comparação com os ganhos de ontem, a hyperliquid novamente faz uma alta de mais de dois dígitos.
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O otimismo no mercado de criptoativos veio depois do acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra que começou em fevereiro. Além disso, os investidores também estão atentos ao lançamento de mais um fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês) de bitcoin pela gestora trilionária BlackRock.
A combinação de melhora no ambiente geopolítico e expectativa de mais adoção institucional de cripto por conta do ETF da BlackRock animam o mercado, mas boa parte dos tokens cai hoje com uma realização de ganhos após a disparada do dia anterior.
Às 11h21 (horário de Brasília), a HYPE dispara 11%, a US$ 74,71,
Já o ether, moeda digital da rede Ethereum, cai 1,6%, a US$ 1.781, enquanto o bitcoin tem queda de 1,1%, a US$ 65.701.
Entre os ETFs de ether à vista, foi registrada ontem uma entrada líquida de capital de US$ 22,5 milhões, interrompendo uma sequência de quatro pregões de fluxo negativo.
O maior alvo dos depósitos líquidos foi o ETHA, da BlackRock, com US$ 17,5 milhões de excesso de compras de cotas em relação às vendas.
Do lado das outras altcoins, as criptomoedas que não são o bitcoin, o XRP, token de pagamentos internacionais utilizado pela Ripple, tem perdas de 1,3%, a US$ 1,22. Já o BNB, token da Binance Smart Chain, tem queda de 3,4%, a US$ 604,32; a solana registra leve variação negativa de 0,3%, a US$ 73,32; e a TRX, da blockchain Tron, recua 0,8%, a US$ 0,31.
Fundamentos da Hyperliquid
Segundo Matheus Parizotto, analista de criptoativos do BTG Pactual, a nova máxima da hyperliquid, mesmo em um mês negativo para as criptomoedas, reforça a tese diferenciada do ativo. Essa tese seria pautada por geração de receitas, uso real da plataforma e modelo econômico com captura de valor mais clara para o token.
O modelo de negociação de futuros de quase todo o tipo de ativo na plataforma descentralizada, indo do bitcoin ao petróleo, tornou a rede uma das mais relevantes no cenário cripto apesar de ter sido criada só em 2023.
Parizotto destaca que a Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX fortaleceu a Hyperliquid, pois os futuros da empresa aeroespacial de Elon Musk funcionaram como referência de preço para as ações antes mesmo de começarem a negociar nas bolsas americanas.
“Com o IPO, os preços convergiram para a faixa que já vinha sendo precificada na plataforma, reforçando a percepção de que a Hyperliquid pode se tornar uma infraestrutura relevante para descoberta de preços de ativos que ainda têm acesso restrito no mercado tradicional”, diz o analista do BTG.
Fora isso, Parizotto explica que a plataforma Hyperliquid é uma das maiores geradoras de receita do setor cripto e parte relevante desse faturamento é redirecionada para recompras do token HYPE. “Isso cria uma relação mais direta entre uso da plataforma, geração de caixa e demanda pelo token, algo que a maioria dos criptoativos ainda não tem”, aponta.
O analista do BTG considera que a criptomoeda deve continuar se destacando no curto e no médio prazo por causa desses fundamentos, ainda que a volatilidade permaneça elevada, como em qualquer criptoativo.
Política monetária
No cenário macroeconômico, o principal evento da semana é a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dos EUA, que ocorre amanhã à tarde.
No entanto, hoje já teve um evento importante nesse sentido, com implicações relevantes para a liquidez internacional. O Banco Central do Japão elevou a sua taxa básica de juros para 1%, no maior patamar em quase três décadas.
Fabricio Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin, afirma que a decisão era amplamente esperada e teve impacto limitado nos mercados, porém os investidores ficaram atentos à comunicação da autoridade monetária.
“Hoje, o mercado trabalha com a expectativa de mais uma ou até duas altas adicionais nos juros até 2027, dependendo principalmente da trajetória da inflação japonesa”, destaca Tota.
