'IA e robôs': a receita de Elon Musk para solucionar a dívida dos EUA
Em entrevista a Walter Isaacson, também criticou a resistência política a cortes e reconheceu que deveria ter voltado mais cedo às suas empresas

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Elon Musk afirmou que inteligência artificial e robôs seriam a saída para a dívida americana após sua experiência no DOGE. Em entrevista a Walter Isaacson, também criticou a resistência política a cortes e reconheceu que deveria ter voltado mais cedo às suas empresas.
A tentativa de cortar gastos em Washington levou Elon Musk a uma conclusão sobre o futuro das contas americanas. Depois de participar do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), o empresário passou a defender que a solução para a dívida dos Estados Unidos depende de inteligência artificial e robôs.
"A única maneira de resolvermos a dívida nacional é com IA e robôs", afirmou Musk ao biógrafo Walter Isaacson, em entrevista ao podcast The Builders, segundo trechos divulgados pela Axios neste sábado, 17.
A declaração vem acompanhada de uma avaliação crítica sobre sua passagem pelo governo de Donald Trump. Para Musk, faltou disposição para reduzir despesas na Presidência, no Congresso e no Judiciário. Ele também reconheceu que permaneceu afastado de seus negócios por mais tempo do que deveria.
Da promessa de economia à resistência política
O DOGE foi apresentado como uma iniciativa para reduzir desperdícios e tornar a administração federal mais eficiente. Sua atuação envolveu cortes de contratos, redução de estruturas e demissões de servidores.
As expectativas de economia já haviam encolhido durante a participação de Musk. Em abril de 2025, ele reduziu a projeção de US$ 1 trilhão para US$ 150 bilhões. O valor anunciado era uma previsão, não um resultado de economia comprovada.
Na conversa com Isaacson, o empresário atribuiu parte das dificuldades ao custo político de interromper financiamentos. Em sua avaliação, os cortes criam adversários, e Trump não gosta de receber reclamações das pessoas atingidas pelas decisões.
O tempo em Washington entrou na revisão
Musk disse que deveria ter mantido uma atuação mais discreta e limitado sua participação a um ou dois meses, em vez dos quatro meses em que esteve formalmente na Casa Branca. Também avaliou que deveria ter retomado o foco em IA mais cedo.
A divisão de atenção entre governo e empresas já era discutida em 2025. Em abril daquele ano, Trump reconheceu que o empresário precisava cuidar de seus negócios, mesmo ao afirmar que ele poderia permanecer na equipe pelo tempo que quisesse.
A aposta em robôs também é uma aposta da Tesla
A tecnologia apresentada por Musk como resposta para as contas públicas ocupa espaço crescente em seus planos empresariais. Na Tesla,o Optimus passou a integrar a estratégia de expansão para além dos automóveis, com a proposta de executar tarefas no mundo físico.
Transformar essa ambição em produção em escala continua sendo um desafio. A fabricação de robôs humanoides depende de componentes, fornecedores e capacidade industrial. A previsão de Musk para a dívida americana tampouco equivale a uma demonstração de que esses produtos resolverão o problema fiscal.
A entrevista integra a nova série de Isaacson, produzida pela Kaleidoscope, cuja estreia está marcada para terça-feira, 20 de outubro. O programa reúne conversas com empreendedores e pesquisadores sobre as tecnologias que desenvolvem e suas consequências.
