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Mundo
22/09/2026
5 min

IA, Irã, Cuba e sem citação ao Brasil: os recados de Trump no discurso na ONU

Presidente americano defendeu avanço da inteligência artificial, ameaçou "aniquilar" o Irã e falou sobre Venezuela, Cuba, Groenlândia e Tribunal Penal Internacional

IA, Irã, Cuba e sem citação ao Brasil: os recados de Trump no discurso na ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o discurso na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 22, para apresentar as prioridades de sua política externa e destacar ações de seu governo. Em uma fala de 37 minutos, o republicano abordou temas como o programa nuclear e a guerra do Irã, a Venezuela, a Groenlândia, Cuba, inteligência artificial e o Tribunal Penal Internacional.

Trump afirmou que os Estados Unidos estão em uma posição de fortalecimento e disse que seu governo usará o poder americano para proteger interesses nacionais quando considerar necessário.

Opresidente americano também fez críticas a organismos internacionais e defendeu uma postura mais ativa dos Estados Unidos em questões de segurança e tecnologia.

Diferentemente do discurso de 2025, quando citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que "rolou uma química", Trump não citou o Brasil.

O discurso ocorreu após a abertura da Assembleia Geral feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apresentou críticas a aspectos da política externa americana e defendeu maior participação de países em desenvolvimento nas decisões globais.

Trump diz que Irã nunca terá arma nuclear e fala em acordo ou ação militar

O Irã foi um dos principais temas do discurso de Trump. O presidente americano afirmou que Teerã nunca terá uma arma nuclear e disse que o governo iraniano teria recusado oportunidades de negociação oferecidas pelos Estados Unidos.

"O regime fanático do Irã causou um banho de sangue não só no Oriente Médio, mas além dele. Eles eram os agressores do Oriente Médio e não são mais", afirmou Trump.

O presidente americano disse que avalia duas possibilidades: um novo acordo diplomático ou uma ação militar contra a República Islâmica.

"Será que um acordo com o Irã será feito? Vamos deixar que eles reconstruam um país? Ou será que eu aniquilo a República Islâmica e não dou uma chance de eles matarem e destruírem países?", declarou.

Trump também afirmou que acredita em um possível acordo após as eleições americanas de meio de mandato, marcadas para novembro de 2026. Segundo ele, autoridades iranianas estariam aguardando o resultado do processo eleitoral para avaliar o cenário político dos Estados Unidos.

Republicano cita Venezuela e diz que EUA usarão força quando necessário

Ao falar sobre a Venezuela, Trump afirmou que a operação americana que retirou Nicolás Maduro do poder demonstrou que os Estados Unidos não aceitarão novas ameaças no Hemisfério Ocidental.

"Nossas ações na Venezuela comprovam que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças à América ganhem terreno em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para garantir os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos", disse.

Trump também falou que os americanos acabaram com os cartéis de drogas venezuelanos e afirmou que essas organizações foram classificadas por seu governo como equivalentes ao Estado Islâmico no Ocidente.

Ele defendeu ações contra esses grupos e disse que seu governo acompanha atividades criminosas na região.

Groenlândia

A Groenlândia também apareceu entre os temas abordados por Trump. O presidente americano afirmou que os Estados Unidos chegaram a um acordo envolvendo o território e disse que o país terá autorização para atuar em sua proteção.

"Faremos o necessário para proteger o continente americano e os outros também. Ninguém poderá ocupar a Groenlândia sem a permissão dos Estados Unidos", afirmou.

Trump disse que o acordo seria assinado no mesmo dia do discurso e afirmou que pretende trabalhar com representantes da Dinamarca e da Groenlândia.

Cuba

Trump afirmou que seu governo acompanha a situação em Cuba e classificou o país como um "Estado falho". O presidente americano também fez críticas ao governo cubano e disse que a liberdade e a segurança chegarão à ilha e ao México, em alusão a uma possível operação americana no país.

Segundo Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, "está cuidando do assunto".

Durante o discurso, Trump associou o governo cubano a grupos políticos de esquerda e afirmou que mudanças ocorrerão na região. Ele não apresentou detalhes sobre quais medidas seriam adotadas pelos Estados Unidos.

Avanço da IA e propõe uso do termo superinteligência

A inteligência artificial foi outro ponto central do discurso. Trump afirmou que os Estados Unidos devem incentivar o desenvolvimento da tecnologia e rejeitou medidas que, segundo ele, poderiam limitar o setor.

"Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial", afirmou.

Trump disse que os Estados Unidos estão à frente da China no desenvolvimento da inteligência artificial e afirmou que quem liderar a tecnologia terá vantagem estratégica.

"Quem vencer na área da IA, quem vencer na área da superinteligência, vence", declarou.

O presidente também propôs substituir o termo inteligência artificial por "superinteligência" em documentos oficiais do governo americano.

"A partir de agora, todos os documentos dos Estados Unidos, e esperamos que do mundo inteiro, passarão a usar o termo muito mais preciso 'super' em vez de 'artificial'. Portanto, é superinteligência", afirmou.

Segundo Trump, o governo americano deve incentivar o desenvolvimento da tecnologia e acompanhar seus impactos por meio do Departamento de Justiça.

Trump pede saída de países do Tribunal Penal Internacional

Trump também criticou o Tribunal Penal Internacional (TPI), instituição sediada em Haia, na Holanda, responsável por julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

O presidente americano classificou o tribunal como uma instituição "desonesta" e "fora de controle" e pediu que países integrantes deixem a organização.

"Apelo a todas as nações que são membros do TPI para que se demitam oficialmente e imediatamente desta instituição desonesta", disse.

Os Estados Unidos não fazem parte do TPI, embora diversos aliados americanos sejam membros da instituição. O governo americano prepara medidas contra o tribunal, segundo informações divulgadas anteriormente.

Durante o discurso, Trump apresentou uma visão de política externa baseada no fortalecimento da capacidade militar, na defesa de interesses estratégicos dos Estados Unidos e no avanço tecnológico.
AutorAndré Martins
FonteExame
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