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27/08/2026
4 min

IA vai exigir dinheiro tokenizado e transações em blockchain, diz Citi

Executivo do banco norte-americano falou em entrevista à EXAME sobre tokenização do dinheiro, importância das stablecoins e interoperabilidade entre meios de pagamento

IA vai exigir dinheiro tokenizado e transações em blockchain, diz Citi

Um futuro em que empresas e pessoas podem colocar agentes de inteligência artificial para efetuar compras e vendas para eles é possível, mas depende de uma adaptação tecnológica. Para Driss Tensamani, diretor de negócios digitais do Citi, esse futuro deve se apoiar na tokenização do dinheiro e em transações realizadas em blockchain.

Em entrevista à EXAME durante a Febraban Tech 2026, Temsamani disse que haverá uma grande transformação quando uma empresa puder cotar a compra de um insumo, como computadores, por exemplo, junto a 10 fornecedores com uma IA em blockchain.

“Você pode dizer ao agente: preciso de tantos laptops e quero comprar por qual faixa de preço, e em quanto tempo. O agente vai fechar o negócio com os outros agentes dos fornecedores conforme a oferta que cumpra de maneira mais eficiente esses parâmetros”, descreve Temsamani. Porém, o executivo lembra que se a transação demorar o agente pode abandoná-la.

Para evitar que isso ocorra, Temsamani diz que é importante que o agente e o dinheiro falem a mesma língua. Ou seja, bits e bytes, e de preferência sem sair de um sistema para outro. “A instrução do agente é um token de inteligência artificial criado em chatbot. E o pagamento tem que vir em token também. Se a IA tem que passar para um novo sistema de bancos diferentes, ele abandona a operação por causa da complexidade”, explica.

Na opinião do executivo, as transações precisam, portanto, ser atômicas. As operações atômicas são aquelas que ocorrem um sistema computacional de forma indivisível, ou seja, a entrega do produto só ocorre no momento exato em que cai o pagamento e vice-versa. Se houver qualquer erro o sistema reverte todas as alterações. E o blockchain é justamente a tecnologia que faz pagamentos atômicos.

E esse é só um dos casos para o qual Temsamani enxerga um futuro promissor na tecnologia que mantém de pé as criptomoedas.

A importância das Stablecoins

O Citi prevê que as stablecoins, que são criptomoedas cujo preço está atrelado ao de alguma moeda tradicional (como o dólar) na paridade de 1:1, chegarão ao valor de US$ 1,9 trilhão até 2030. Hoje, esse mercado está próximo dos US$ 300 bilhões.

Isso porque, de acordo com Temsamani, o futuro que presenciamos hoje começou no início dos anos 2000, quando a economia da internet se estabeleceu.

“Dentro da economia digital existem novos modelos de negócios, como a economia de criadores, a gig economy [serviços freelancers como o de motoristas de aplicativo] etc. Eles nasceram com a internet e os smartphones aceleraram isso. O que não mudou foi a infraestrutura do dinheiro. A única forma de conseguir o impacto final é achar uma forma de dinheiro compatível com isso”, avalia.

Para ele, as empresas criptonativas saíram na frente nesse movimento e se tornaram tão populares que atingiram o “mainstream”, como é o caso de Tether e Circle. Elas são respectivamente as emissoras da maior e da segunda maior stablecoin do mundo em valor de mercado, o USDT e o USDC.

O Citi, nesse cenário teria o papel de impulsionar o uso dessas novas formas de movimentar o dinheiro globalmente, uma vez que é uma instituição que opera em mais de 90 países.

Citi Token Services e a necessidade de interoperabilidade

“Nós experimentamos com blockchain desde 2017, quando fizemos nossa primeira transação com a Nasdaq”, lembra. “Começamos a desenvolver a partir disso, com o Citi Token Services, uma infraestrutura própria baseada em blockchain voltada para clientes institucionais e corporativos, que permite que os clientes movimentem dinheiro através de corredores em blockchain.”

O Citi Token Services integra depósitos tokenizados do banco com contratos inteligentes em sua rede global para permitir pagamentos transfronteiriços 24 horas por dia nos sete dias da semana.

Por mais que o caminho adotado pelo banco tenha sido o dos depósitos tokenizados, Temsamani diz que os Estados Unidos deram um passo importante com a lei de regulamentação de stablecoins chamada de Genius Act. “Os EUA resolveram trazer os emissores de stablecoins para parte da rede regulada de bancos. Outros países farão coisas diferentes”, afirma.

O que falta agora, na opinião do executivo, é tornar esses pagamentos interoperáveis, de modo que as soluções não se tornem ilhas que não conversam entre si. “Blockchain e tokenização nos permitirão reimaginar o valor. Só vamos atingir nossos propósitos quando nos tornarmos interoperáveis sabendo monetizar esse valor.”

Para tanto, Temsamani aponta que as empresas precisam investir em incentivos para que seus clientes utilizem um determinado token como meio de pagamento. "Você, quando vai ao posto de gasolina, recebe um incentivo do posto em usar um meio de pagamento como o cartão em vez de dinheiro físico. É isso que precisamos fazer ao monetizar a interoperabilidade."

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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