Ibovespa a 200 mil pontos? Flávio Bolsonaro à frente e força da direita nas urnas animam mercado para segunda-feira
Vantagem de Flávio Bolsonaro e força da direita nos estados e no legislativo alimentam expectativa de reformas fiscais; especialistas projetam alta da bolsa, valorização do real e queda dos juros nesta segunda-feira (5)

A força da direita nas urnas neste domingo (4) colocou no radar do mercado uma combinação que anima investidores: a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial e um ambiente político considerado mais favorável à aprovação de reformas econômicas a partir de 2027.
A expectativa entre os especialistas é de uma reação positiva dos ativos brasileiros já nesta segunda-feira (5). O motivo vai além da corrida pelo Palácio do Planalto e passa pela força da extrema-direita nas urnas, com o PL se destacando entre governadores, senadores e deputados federais eleitos.
Na visão de Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, dado o cenário que as urnas mostraram hoje, seria muito difícil Lula vencer o segundo turno. Nesse cenário, o gestor espera uma alta forte da bolsa, valorização do real e queda dos juros nominais e reais, com os investidores antecipando uma vitória de Flávio.
“A reação será guiada pela expectativa de maior disciplina fiscal no próximo governo”, afirma em nota.
Amanhã é dia de festa no Ibovespa?
A perspectiva de uma vitória de Flávio já aparece nas projeções para a bolsa. Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, avalia que o quadro formado após o primeiro turno pode levar o Ibovespa a superar os 200 mil pontos, com uma reação particularmente favorável às ações de estatais, como Banco do Brasil (BBSA3) e Petrobras (PETR4).
Segundo Mendes, a força de deputados e senadores alinhados à direita aumenta a confiança dos investidores na possibilidade de reformas que promovam um ajuste nas contas públicas.
Essa expectativa poderia reduzir os juros de médio e longo prazo. Para a abertura de amanhã, ele projeta a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2031 perto de 13,5%.
No câmbio, Mendes espera uma valorização do real no curto prazo, embora ressalte que fatores externos podem provocar oscilações e fazer a moeda perder força mais adiante. Sobre a Selic, o economista considera que a direção de queda já é esperada independentemente do vencedor, com diferenças na velocidade e na magnitude do movimento.
Além de Flavio Bolsonaro, direita mostra força nos estados e no Congresso
Para Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos, o mapa das eleições estaduais é outro elemento central da leitura dos resultados. Segundo ela, a direita lidera majoritariamente nos estados, em uma mudança na correlação de forças que amplia o peso dos governadores na governabilidade dos próximos anos.
Essa configuração ganha relevância diante de um novo Senado que a economista descreve como majoritariamente de centro-direita. Na avaliação de Machado, o mercado observa o que essa composição pode representar para a articulação política, a aprovação de reformas e a execução de uma agenda econômica e fiscal a partir de 2027.
“O ponto central não é o nome do candidato, e sim a probabilidade de uma mudança na trajetória fiscal”, diz. Quando essa probabilidade aumenta, explica a economista, o prêmio de risco embutido nos juros longos tende a diminuir, favorecendo o real e os ativos domésticos.
O segundo turno ainda pode mudar as expectativas
O otimismo dos especialistas depende, portanto, da expectativa de vitória de Flávio e de uma mudança na trajetória fiscal. A eleição presidencial, porém, ainda terá uma nova rodada de votação.
Machado ressalta que parte da melhora dos ativos pode ser devolvida caso a disputa volte a se apertar nas pesquisas do segundo turno. Assim, a reação esperada para segunda-feira será o primeiro teste de como os investidores vão incorporar os resultados às cotações — e de quanto da mudança política projetada já estava nos preços.
*Com informações de G1 e Estadão Conteúdo.
