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InvestMercadosACS
03/08/2026
5 min

Ibovespa abre agosto em baixa com Vale e Petrobras, enquanto NY sobe forte

Índice recua com queda do petróleo, pressionado por petroleiras, após Trump sinalizar negociação com Irã; dólar opera em leve alta frente ao real

Ibovespa abre agosto em baixa com Vale e Petrobras, enquanto NY sobe forte

O Ibovespa abriu o primeiro pregão de agosto em baixa depois de encerrar o mês passado com alta de 3,47%, no melhor desempenho desde fevereiro. Por volta das 11h40 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 registrava queda de 0,38%, aos 177.516 pontos. O índice acompanha o recuo do petróleo no exterior após a suspensão de um ataque dos Estados Unidos ao Irã e a possível reabertura do Estreito de Ormuz, bem como a divulgação de índices setoriais no Brasil e no exterior. O dólar, por sua vez, opera em leve alta.

O movimento no exterior pressiona as ações ligadas ao setor de energia, diante da forte queda da commodity. A Petrobras recua entre 1,11% (PETR3) e 0,80% (PETR4). Também operam no campo negativo Prio (PRIO3), com baixa de 3,25% e Brava Energia (BRAV3), que desaba 6,62%.

Outra peso-pesado, a Vale (VALE3) também recua 2,28%.

Na contramão, o setor financeiro ajuda a limitar as perdas do índice, com exceção do Banco do Brasil (BBAS3) que cai 0,23%.

A maior alta do dia é Cury (CURY3), que valoriza 3,72%. Na sequência, apareceram Embraer (EMBJ3) que sobe 3,20% e Direcional (DIRR3), com alta de 2,91%. Entre as baixas, CSN (CSNA3) recua 7,64%, a maior queda do dia, seguida pelas petrolíferas Brava Energia, PetroReconcavo (RECV3), com reciio de 3,19%%, e Prio.

No cenário doméstico, o Boletim Focus trouxe a quinta redução consecutiva na expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. A projeção passou de 5,12% para 5,03%. As estimativas para 2027, 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 4,22%, 3,80% e 3,50%, respectivamente.

O mercado também reduziu a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao fim de 2026, de 14% para 13,75%. As projeções para 2027, 2028 e 2029 ficaram mantidas em 12%, 10,50% e 10%. Já a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 permaneceu em 1,99%. O dólar projetado para 2026 seguiu em R$ 5,20.

O dólar comercial chegou a ficar estável mas, às 11h39, registrava ligeira alta de 0,20%, cotado a R$ 5,088.

A confiança do empresariado brasileiro, por outro lado, voltou a cair em julho após dois meses de recuperação. O Índice de Confiança Empresarial, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), recuou 1,4 ponto, para 91,3 pontos, pressionado principalmente pelos setores de indústria e serviços.

Os dados de atividade também mostraram sinais divergentes. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços do Brasil, calculado pela S&P Global, subiu de 50,4 para 51,3 em julho, mantendo a expansão pelo oitavo mês seguido. Apesar do avanço, o levantamento apontou a primeira queda no emprego do setor em cinco meses e o menor nível de otimismo em 11 meses.

Já o PMI industrial brasileiro caiu de 50,8 para 47,5 em julho, retornando ao campo de contração. O resultado representa o pior desempenho desde fevereiro e foi influenciado pela queda dos novos pedidos, levando empresas a reduzirem produção e vagas.

Petróleo cai após sinal de negociação entre EUA e Irã

Os preços do petróleo recuam com força após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que suspendeu uma ofensiva contra o Irã para permitir a retomada das negociações. O petróleo do tipo West Texas Intermediate (WTI, referência estadunidense) caía 6,07%, negociado a US$ 79,53 por barril, enquanto o Brent recuava quase 5%, a US$ 83,57.

O mercado monitora, principalmente, a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte da commodity. O movimento ocorre após uma forte alta do petróleo em julho, quando os contratos de Brent e WTI avançaram mais de 20% diante da escalada das tensões no Oriente Médio.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) também aprovou neste fim de semana um aumento de cerca de 188 mil barris por dia na produção de setembro, concluindo a reversão de parte dos cortes voluntários adotados pelo grupo.

Bolsas dos EUA avançam com alívio da guerra no Irã

As bolsas americanas sobem no primeiro pregão de agosto, após o presidente Trump suspender um ataque planejado contra o Irã. O Dow Jones avança cerca de 1,14%, enquanto o S&P 500 sobe 1,11% e o Nasdaq ganha 1,62%.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano também cederam, com a Treasury de dez anos recuando 7 pontos-base, para cerca de 4,67%, em meio ao alívio nas preocupações com inflação.

Nesta semana, o mercado acompanha uma agenda de indicadores dos EUA, com destaque para os dados de emprego (payroll, em inglês) de julho na sexta-feira, 7. A expectativa é de criação de 87.500 vagas, ante 57.000 em junho, segundo a FactSet.

Bolsas da Europa avançam com atividade industrial

Os principais índices europeus operam majoritariamente em alta, impulsionados pela melhora do cenário externo e por dados positivos da atividade industrial. O Stoxx 600 sobe 0,27%, enquanto o DAX, de Frankfurt, avança 1,32%, o CAC 40, de Paris, ganha 1,10%, e o FTSE MIB, de Milão, sobe 0,85%. Na contramão, o FTSE 100, de Londres, recua 0,09%.

O setor de viagens e lazer lidera os ganhos, enquanto as petrolíferas recuam pressionadas pela queda do petróleo. Já o PMI industrial da zona do euro avançou de 51,4 em junho para 51,9 em julho, atingindo o maior patamar em três meses.

Bolsas da Ásia fecham sem direção única

Os mercados asiáticos encerraram o pregão em direções distintas. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu mais de 5%, devolvendo parte da forte alta registrada na sexta-feira, 31, enquanto o Nikkei 225, do Japão, recuou 0,94%. Na direção oposta, o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,47%. O CSI 300, da China continental, fechou em queda de 0,98%.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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