Ibovespa abre julho em queda com aversão ao risco global; dólar sobe

O Ibovespa iniciou o pregão de julho em território negativo acompanhando o mau humor dos mercados globais e a cautela dos investidores com o cenário macroeconômico, com queda do petróleo e alta do dólar. O principal fator de pressão no dia é a divulgação de dados industriais brasileiros e de emprego abaixo do esperado nos Estados Unidos.
Por volta das 11h, o principal índice acionário da B3 recuava 0,31%, aos 171.511 pontos com 37 dos 78 papéis que compõem o Ibovespa em queda, 33 estáveis e apenas oito em alta. Entre os papéis de maior peso, a Vale (VALE3), que chegou a cair nos primeiros minutos de negociação, registrava alta de 0,63%.
Enquanto a Petrobras rondava a estabilidade com ligeira queda de 0,10% nos papéis ordinários (PETR3) e recuo de 0,19% nas preferenciais (PETR4). Já os bancos caíam com exceção do Itaú (ITUB4) que subia 0,42%.
Entre as maiores altas do índice, destaque para Azzas (AZZA3) e Embraer (EMBJ3), que sobem 0,84% e 0,79%, respectivamente.
Na ponta negativa, as maiores baixas eram de BB Seguridade (BBSE3), com queda de 4,34%, Engie Brasil (EGIE3), com recuo de 3,27%, Brava Energia (BRAV3) também recuava 3,01%, seguida por Cosan (CSAN3) com queda de 2,97%.
Já o dólar comercial subia 0,35%, cotado a R$ 5,181.
No Brasil, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) industrial da S&P Global subiu para 50,8 em junho, indicando uma leve expansão, mas revela que a produção e os novos pedidos continuam em contração. Os fabricantes revisaram para baixo suas previsões de crescimento, e a confiança dos negócios atingiu o menor nível em 14 meses.
O sentimento de aversão ao risco também ganhou força após o relatório da Automatic Data Processing (ADP) mostrar que o setor privado dos EUA criou apenas 98 mil vagas em junho, um resultado inferior à expectativa de consenso de 110 mil postos. O dólar comercial subia 0,54%, a R$ 5,19.
Essa perda de fôlego na maior economia do mundo sinaliza restrições tanto na oferta quanto na demanda por mão de obra, o que gera incerteza sobre o ritmo da atividade econômica global e as próximas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), segundo a imprensa internacional.
Commodities e o peso do petróleo
No mercado de commodities, o petróleo abriu o mês mantendo a tendência de baixa que marcou o mês de junho, quando registrou sua maior queda mensal em seis anos.
O barril do Brent caía 1,40%, negociado a US$ 71,93, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 0,81%, para US$ 68,94.
Esse movimento é reflexo de um alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, com negociações ocorrendo no Catar e a percepção de que o fluxo de óleo pelo Estreito de Ormuz segue estável.
Wall Street em queda com pressão de chips
Os principais índices de Nova York iniciaram o pregão em baixa, pressionados por uma realização de lucros nas ações de fabricantes de semicondutores após um primeiro semestre de forte valorização.
O Nasdaq liderava as perdas, com queda de 0,74%, enquanto o S&P 500 recuava 0,48% e o Dow Jones cedia 0,39%.
Papéis como Micron, Sandisk, Nvidia e Broadcom operavam em queda, refletindo o movimento de investidores que aproveitaram os ganhos acumulados nos últimos meses.
Europa começa julho em baixa
As principais bolsas europeias abriram o segundo semestre em queda. O índice Stoxx 600 recuava 0,67%, enquanto o DAX, da Alemanha, caía 0,40%, o CAC 40, da França, perdia 0,94%, e o FTSE 100, de Londres, recuava 0,50%.
Na contramão, o setor químico avançava cerca de 1,1%, enquanto as montadoras europeias registravam alta de 0,42%, amenizando parte das perdas do mercado.
Ásia fecha mista após realização de lucros
As bolsas da Ásia encerraram o pregão sem direção única, refletindo um movimento de realização de lucros após o forte desempenho registrado no primeiro semestre.
No Japão, o Nikkei 225 avançou 0,59%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 2,04%. Na China, o CSI 300 recuou 0,41%, e o S&P/ASX 200, da Austrália, perdeu 0,64%, em um pregão marcado pela cautela dos investidores antes de novos indicadores econômicos.
