Ibovespa acompanha aversão global e volta a cair; dólar sobe

O Ibovespa negocia nesta quarta-feira, 3, em forte queda, pressionado pelo desempenho negativo das blue chips, os papéis de grandes empresas de peso no indicador. O pregão é marcado pela cautela dos investidores diante da nova escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, que impulsiona os preços do petróleo no mercado internacional, além da expectativa de novas tarifas comerciais por Washington.
Por volta das 10h40, o principal índice acionário da B3 recuava 1,21%, aos 172.083 pontos. Na véspera, a referência encerrou no patamar dos 174 mil pontos.
O clima de aversão ao risco leva as ações da Vale (VALE3) a caírem 1,80%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) recuava 1,47%, Bradesco (BBDC4) perdia entre 1,49% e 1,69%, Banco do Brasil (BBAS3) cedia 1,26% e BTG Pactual (BPAC11) caía 2,65%.
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) operam estáveis com ligeira queda de 0,15% e 0,07%, respectivamente. Entre as poucas altas, estavam Minerva (BEEF3), subindo mais de 7%; Copasa (CSMG3), 1,55%, e Marfrig (MBRF3) e Hypera (HYPE3) com altas de 0,95% e 0,55%.
Guerra no Irã no foco
O conflito no Oriente Médio voltou ao centro das atenções. Apesar das declarações do presidente Donald Trump de que o Irã teria concordado em não desenvolver armas nucleares, os EUA acusam Teerã de continuar realizando ataques na região, elevando as incertezas sobre uma solução diplomática para a crise.
Os investidores também repercutem a proposta do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) de aplicar tarifas adicionais de até 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo União Europeia, China e Japão devido à suposta falta de ações deles para impedir mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A agenda dessa quarta-feira também concentra uma série de indicadores econômicos no Brasil e no exterior. Dados de atividade, emprego, indústria e inflação devem ajudar investidores a recalibrar as expectativas para a trajetória dos juros nas principais economias.
No âmbito do petróleo, o barril do Brent sobe 1,40%, negociado a US$ 97,34, e o West Texas Intermediate (WTI) avança 1,35%, para US$ 95,03. Já o dólar comercial avança 0,84% frente ao real, a R$ 5,050.
Wall Street ensaia pausa após recordes
Em Wall Street, os índices futuros operam mistos após o S&P 500 renovar sua máxima histórica na véspera e fechar acima dos 7.600 pontos pela primeira vez. O Dow Jones recua 0,4%, com perda de 236 pontos. O S&P 500 oscila próximo da estabilidade, enquanto o Nasdaq avança levemente, sustentado pelas ações de tecnologia.
O avanço do petróleo e dos rendimentos dos títulos dos Treasuries contribuem para uma postura mais defensiva dos investidores. A taxa da Treasury de dez anos se aproxima de 4,5%, enquanto o rendimento do papel de 30 anos ronda 5%, refletindo preocupações de que a alta da energia possa reacender pressões inflacionárias nos EUA.
Analistas avaliam que o mercado pode entrar em uma fase de acomodação após uma sequência de ganhos por lá. Caso o S&P 500 encerre a semana em alta, será a décima semana consecutiva de valorização e a maior sequência desde 1985. O cenário, contudo, passa a conviver com riscos geopolíticos mais elevados e com a proximidade de um período tradicionalmente mais fraco para os mercados durante o verão no Hemisfério Norte.
Europa reage a tarifas e guerra no Irã
As bolsas europeias operam em queda, pressionadas pela combinação entre a escalada da guerra e novas ameaças tarifárias de Washington. O índice pan-europeu Stoxx 600 recua 0,47%, enquanto o DAX, da Alemanha, cai 0,89%, liderando as perdas entre os principais mercados do continente. Em Londres, o FTSE 100 perde 0,22%, o CAC 40, de Paris, cede 0,39%, e o FTSE MIB, da Itália, recua 0,40%.
Entre os destaques corporativos na Europa, as ações da Akzo Nobel despencam cerca de 18% após o fracasso das negociações para uma potencial aquisição conjunta pela Nippon Paint e pela Sherwin-Williams. Na outra ponta, os papéis da Inditex, dona da Zara, avançam quase 4% depois da divulgação de resultados trimestrais alinhados às expectativas do mercado e de um início forte para as vendas da temporada de verão.
Nikkei renova máxima histórica na Ásia
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão sem direção única. O destaque ficou com o Japão, onde o Nikkei 225 saltou 2,5% e renovou seu recorde histórico, impulsionado por compras em ações ligadas à tecnologia e à inteligência artificial (IA). O movimento ocorreu apesar do aumento das tensões no conflito oriental.
Na China, o índice de Xangai avançou 0,22%, enquanto o CSI 300 ganhou 0,49%. Já em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,56%, refletindo uma realização de lucros após a forte valorização acumulada nas últimas semanas. Na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 0,70%, mesmo após dados mostrarem desaceleração da economia local.
