Ibovespa acompanha otimismo global com acordo EUA-Irã e dispara; Vale sobe 4%

O Ibovespa opera em forte alta no pregão desta segunda-feira, 15, embalado pelo alívio nos mercados globais após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Por volta das 11h10 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 subia 1,48%, aos 173.670 pontos, enquanto o dólar comercial ampliava a queda frente ao real ao cair 0,52%, cotado a R$ 5,036.
O movimento acompanha o forte apetite por risco após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a conclusão de um acordo de paz com o Irã, além da reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de tarifas. A notícia provocou uma forte queda dos preços do petróleo, superiores a 5% nesta manhã.
No mesmo horário, a Vale (VALE3) avançava 3,95%, dando importante sustentação ao índice. Os grandes bancos também operavam em alta, com Itaú Unibanco (ITUB4) subindo 1,38%, Bradesco (BBDC4) avançando 1,80%, Banco do Brasil (BBAS3) ganhando 1,49% e BTG Pactual (BPAC11), do mesmo grupo controlador da EXAME, 2,22%.
Na contramão, as ações ligadas ao petróleo figuravam entre as principais pressões negativas da sessão. A Petrobras recuava 3,69% nas ações preferenciais (PETR4) e 3,85% nas ordinárias (PETR3). A Prio (PRIO3) também registrava forte queda, de 4,19%, enquanto PetroReconcavo (RECV3) cedia 1,28% e Brava Energia (BRAV3) caía 2,76%.
Entre os destaques de alta do índice, Embraer (EMBR3) liderava os ganhos, com valorização de 6,09%. O papel é seguido pelas ações de Hapvida (HAPV3), que subia 5,88%; Usiminas (USIM5), com alta de 5,90%; CSN (CSNA3), 5,62% e CSN Mineração (CMIN3), que avançava 5,58%.
"O acordo entre EUA e Irã derrubou o petróleo e reduziu o risco de uma ruptura prolongada no Estreito de Ormuz, um ponto que vinha sustentando prêmio de risco nos mercados globais", afirma Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.
De acordo com Araújo, isso favorece ações sensíveis a custo de energia e ajuda a devolver foco aos fundamentos locais, com bancos, commodities e nomes ligados à atividade doméstica reagindo mais ao fluxo internacional do que à geopolítica pura.
"No pregão anterior, o índice já vinha apresentando um patamar elevado, acima dos 171 mil pontos, o que mostra que a bolsa entra na semana com fôlego, mas ainda muito dependente do humor externo", diz o consultor.
Bolsas globais disparam com acordo de paz
O clima de otimismo tomou conta dos mercados internacionais após o anúncio do acordo entre Washington e Teerã. Em Nova York, o Dow Jones avançava 1,2%, enquanto o S&P 500 subia 1,3% e o Nasdaq ganhava 2,2%.
Na Europa, os principais índices também operavam em alta. O Stoxx 600 avançava 0,64%, o DAX alemão subia 1,41%, o CAC 40 francês ganhava 1,14% e o FTSE MIB italiano avançava 0,94%.
Na Ásia, os mercados encerraram a sessão com fortes ganhos. O Kospi, da Coreia do Sul, disparou 5,2%, enquanto o Nikkei 225, do Japão, avançou 3,51%. O movimento foi impulsionado principalmente pelas ações de tecnologia.
Petróleo despenca e favorece ativos de risco
Os preços do petróleo registram forte queda após o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz. O barril do Brent recuava 4,64%, negociado a US$ 83,28, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) caía 5,09%, para US$ 80,56.
O CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan, relata que o mercado vinha precificando há semanas uma solução para o conflito. Com a retirada do chamado "prêmio de guerra" dos preços do petróleo, aumenta a expectativa de alívio para a inflação global e doméstica.
"O anúncio de domingo é o catalisador que o mercado vinha precificando há semanas, e a reação no petróleo foi imediata. (...) Esse prêmio de guerra está saindo dos preços, e isso tem efeito direto sobre a inflação esperada no Brasil", afirma.
Para o especialista, a queda da commodity também contribui para o fechamento da curva de juros no Brasil, uma vez que reduz as pressões inflacionárias futuras e reforça as apostas de um ambiente monetário menos restritivo nos próximos trimestres.
'Superquarta' está no radar dos investidores
Os investidores acompanham uma agenda intensa de indicadores econômicos ao longo da semana, culminando na chamada "superquarta", quando Banco Central e Federal Reserve (Fed) anunciam suas decisões de política monetária.
O relatório Focus divulgado nesta manhã mostrou nova deterioração das expectativas para inflação e juros. A projeção para o IPCA de 2026 avançou de 5,11% para 5,30%, enquanto a estimativa para a Selic no mesmo ano subiu de 13,50% para 13,75%.
Ainda nesta segunda-feira, o mercado acompanha a divulgação do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), além dos dados da balança comercial semanal. No exterior, investidores monitoram indicadores de atividade nos EUA, Europa e China, bem como os próximos passos dos bancos centrais.
