Ibovespa acompanha perdas de NY com escalada da guerra no Irã e inflação nos EUA

O Ibovespa voltou a recuar na sessão desta quarta-feira, 10, após a leve recuperação no pregão anterior, pressionado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais. O principal índice acionário da B3 encerrou em queda de 0,70%, aos 168.619 pontos, após oscilar entre a mínima de 168.070 pontos e a máxima de 169.812 pontos. O volume financeiro somou R$ 25,6 bilhões.
Os investidores acompanharam a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que elevou os temores sobre inflação e crescimento econômico, além de monitorarem os desdobramentos do cenário político doméstico.
Entre as ações de maior peso do índice, a Petrobras avançou acompanhando a forte alta do petróleo no mercado internacional. Os papéis ordinários Petrobras (PETR3) subiram 1,50% e os preferenciais Petrobras (PETR4) ganharam 1,17%. Já Vale (VALE3) caiu 1,02%, mesmo com a valorização do minério de ferro na bolsa da Dalian, na China.
No setor bancário, o desempenho foi majoritariamente negativo. As units do BTG Pactual (BPAC11) recuaram 3,24%, enquanto as preferenciais do Bradesco (BBDC4) perderam 0,98%. As units do Santander Brasil (SANB11) caíram 0,63% e as ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram 0,58%. A exceção foi Itaú Unibanco (ITUB4), que avançou 0,36%.
Entre as maiores quedas do dia, Totvs (TOTS3) despencou 7,02%, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 6,74% e Natura (NTCO3) recuou 5,65%. Na ponta positiva, Marfrig (MRFG3) avançou 2,71%, SLC Agrícola (SLCE3) ganhou 2,27% e Caixa Seguridade (CXSE3) subiu 2,17%.
No Brasil, os investidores também repercutiram os dados da produção industrial regional divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de acompanharem os desdobramentos do cenário eleitoral para 2026.
Dólar fecha perto da estabilidade após inflação dos EUA
O dólar comercial encerrou o dia em leve queda de 0,1o%, cotado a R$ 5,172, após oscilar entre R$ 5,159 e R$ 5,198 ao longo da sessão.
A moeda americana reagiu tanto às notícias envolvendo o conflito no Oriente Médio quanto aos dados de inflação dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,5% em maio, em linha com as expectativas do mercado, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,2%, patamar ainda distante da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed).
Apesar do dado reforçar a expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos, o dólar mostrou pouca variação frente às principais moedas globais. O índice DXY encerrou o dia com ligeira alta de 0,09%, aos 100,003 pontos.
Bolsas de Nova York caem com pressão sobre tecnologia
Os principais índices de Wall Street fecharam em queda nesta quarta, pressionados principalmente pelas ações de tecnologia e semicondutores. O Dow Jones recuou 1,87%, aos 49.918 pontos. O S&P 500 caiu 1,62%, aos 7.266 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 1,98%, aos 25.169 pontos.
Entre os destaques negativos estiveram Qualcomm (QCOM), com queda de 6,92%, Arm Holdings (ARM), que perdeu 5,37%, AMD (AMD), com recuo de 4,86%, Micron Technology (MU), que caiu 4,70%, Broadcom (AVGO), com baixa de 5,12%, e Nvidia (NVDA), que perdeu 3,73%.
Petróleo sobe com ameaça de novos ataques ao Irã
Os contratos internacionais de petróleo fecharam em forte alta diante do agravamento das tensões no Oriente Médio e da redução dos estoques americanos. O tipo Brent para agosto avançou 1,80%, encerrando a US$ 93,10 por barril. Já o WTI para julho subiu 2,07%, para US$ 90,03 por barril.
O mercado reagiu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar o Irã com novos ataques caso não haja avanços em negociações para um acordo de paz.
Também contribuiu para a alta o relatório do Departamento de Energia dos EUA (DoE), que mostrou queda de 7,2 milhões de barris nos estoques americanos de petróleo na última semana, bem acima da expectativa de redução de 2,9 milhões de barris.
As preocupações com possíveis impactos sobre a oferta global da commodity continuam no radar dos investidores, especialmente diante da relevância estratégica do Estreito de Ormuz para o transporte mundial de petróleo.
