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InvestMercadosACS
10/06/2026
5 min

Ibovespa acompanha queda global das bolsas com inflação dos EUA

Ibovespa acompanha queda global das bolsas com inflação dos EUA

O Ibovespa iniciou o pregão desta quarta-feira, 10, em queda de 0,64%, aos 168,7 mil pontos, acompanhando o aumento da aversão ao risco nos mercados globais. Os investidores analisam a escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, além da repercussão dos dados de inflação ao consumidor estadunidense e da agenda econômica doméstica, que inclui indicadores da indústria.

Às 11h11, o principal índice acionário da B3 mantinha a queda, mas num patamar menor ao cair 0,42%, aos 169.091 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial operava em leve queda, com recuo de 0,29%, cotado a R$ 5,163, um pouco distante da máxima do dia, de R$ 5,198.

Entre os papéis de maior peso do índice, Vale (VALE3) caía 0,97%, assim como os papéis do setor bancário. As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) recuavam 0,71%, mas o tombo é ainda maior nas units do BTG (BPAC11), que caem 1,44%; e nas preferenciais do Bradesco (BBDC4), com queda de 0,75%.

Já as ações da Petrobras operavam em alta. Tanto as ordinárias (PETR3) como as preferenciais (PETR4) subiam 0,65% e 0,44%, respectivamente, acompanhadas pela Prio (PRIO3), com alta de 0,89%. Os papéis seguem a valorização do petróleo no mercado internacional, com exceção da Brava Energia (BRAV3), que cai 0,89%.

Entre as maiores quedas, Magazine Luiza (MGLU3) perdia 3,10% e Cyrela (CYRE3) recuava 2,80%.

No Brasil, a produção industrial avançou 0,7% em abril frente a março, com crescimento em dez dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As maiores altas foram registradas na Bahia (3%), Ceará (2,3%), Espírito Santo (2,1%) e Minas Gerais (2,1%), enquanto Mato Grosso (-5,2%), Pará (-5%) e Pernambuco (-3,6%) lideraram as quedas.

Petróleo avança com novos rumos da guerra

Os contratos internacionais de petróleo operam em forte alta diante da piora das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O Brent para agosto avançava 1,14%, a US$ 92,49 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para julho subia 1,44%, a US$ 89,47.

O movimento ocorre após novas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Irã e a realização de ataques militares estadunidenses a alvos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz.

O mercado também avalia os riscos para a oferta global da commodity, após estimativas apontarem perdas expressivas de produção na região do Golfo.

Bolsas dos EUA caem após dados de inflação

Em Wall Street, os principais índices abriram em queda, pressionados pela escalada do conflito entre Washington e Teerã. O Dow Jones recuava 0,38%, aos 50.680,83 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,19%, aos 7.372,43 pontos, e o Nasdaq caía 0,32%, aos 28.972,288 pontos.

Além das preocupações geopolíticas, os investidores repercutem os dados de inflação dos EUA. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,5% em maio, em linha com as expectativas do mercado, desacelerando em relação ao avanço de 0,6% registrado em abril. Em 12 meses, a inflação atingiu 4,2%.

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês, abaixo da projeção de 0,3%, enquanto a taxa anual ficou em 2,9%, em linha com as estimativas, mas ainda acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed).

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a leitura geral do CPI foi mais positiva do que negativa justamente por conta do núcleo da inflação. "O ponto positivo foi exatamente a leitura do núcleo mensal menor do que o esperado e metade do que foi o mês anterior", afirmou.

O estrategista destacou ainda sinais de moderação em componentes considerados importantes para a política monetária americana. Os custos de moradia, que respondem por mais de um terço do índice, desaceleraram de alta de 0,6% em abril para 0,3% em maio, enquanto os serviços de transporte registraram queda de 0,6%.

Segundo Alves, esses dados sugerem que as pressões inflacionárias seguem relativamente concentradas na energia, sem uma disseminação mais ampla para outros setores da economia. "Talvez esse impacto e os mecanismos de transmissão dessa inflação ainda estejam limitados", disse. A reação dos mercados reforçou essa interpretação, com queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e leve enfraquecimento do dólar após a divulgação dos números.

A agenda do dia ainda reserva ainda a divulgação dos estoques semanais de petróleo nos EUA e o leilão de títulos públicos de dez anos, que podem influenciar os rendimentos dos Treasuries e o comportamento dos ativos de risco.

Mercados europeus

O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,13%, aos 617,82 pontos. O alemão DAX caía 0,66%, o francês CAC 40 perdia 0,26% e o britânico FTSE 100 cedia 0,11%. Na contramão, o italiano FTSE MIB avançava 0,14%.

As ações dos setores automotivo, de seguros e de saúde lideravam os ganhos, enquanto empresas de tecnologia e bancos apresentavam desempenho inferior ao restante do mercado. O movimento sugere uma busca por segmentos considerados mais defensivos diante do aumento das incertezas globais.

Bolsas asiáticas encerram em queda

A maior parte dos mercados asiáticos encerrou o pregão em queda. O principal destaque negativo foi a Coreia do Sul, onde o índice Kospi despencou 4,52%, para 7.730,82 pontos, pressionado por um movimento de realização nas ações de tecnologia.

No Japão, o Nikkei 225 caiu 1,89%, aos 64.179,27 pontos. Na China, o CSI 300 recuou 1,11%, para 4.748,59 pontos, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, registrava perda de 0,77% nas negociações da tarde.

A exceção ficou com a Austrália, onde o S&P/ASX 200 mostrou desempenho relativamente mais resiliente, encerrando aos 8.653,30 pontos.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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