Ibovespa ainda pode subir quase 20%, mas investidores estão com pé atrás; Safra explica o motivo
Pesquisa do banco mostra que o Ibovespa pode chegar em 220 mil pontos, mas a questão fiscal ainda pesa quando o assunto é investir na bolsa brasileira

O Ibovespapode ter espaço para subir, mas os investidores ainda não estão dispostos a aumentar as apostas. Embora a entrada de capital estrangeiro e as eleições presidenciais sustentem o bom humor do mercado, a cautela continua presente, segundo uma pesquisa de sentimento do Safradivulgada nesta sexta-feira (25).
O banco espera que o principal índice da bolsa brasileira alcance os 220 mil pontos, indicando um potencial de valorização de 19,6% sobre os níveis atuais.
Ainda assim, mais da metade dos investidores pretende manter a alocação emações, enquanto uma parcela ainda maior busca preservar o nível de risco dos portfólios.
“A expectativa de entrada de capital estrangeiro e a percepção favorável sobre as eleições coexistem com a preferência pela manutenção da exposição à bolsa e do risco dos portfólios”, destacam os estrategistas Cauê Pinheiro, Carolina Carneiro, Yves Adam e Luana Nunes, que assinam o relatório sobre o levantamento.
O que o mercado acredita
A pesquisa ouviu 188 participantes da J. Safra Investment Conference entre os dias 22 e 23 deste mês.
Do total, 72% projetam o Ibovespa entre 180 mil e 220 mil pontos ao fim de 2027, enquanto 18% acreditam que o índice pode superar esse patamar. Além disso, 44% esperam um aumento da entrada de capital estrangeiro, e 36% preveem estabilidade.
O fluxo positivo já aparece nos números. No acumulado do ano até o último dia 23, os estrangeiros aportaram R$ 27,2 bilhões no mercado acionário brasileiro, segundo dados da B3.
O otimismo, porém, ainda não se transformou em uma disposição para aumentar as apostas: 57% pretendem manter a alocação em ações, enquanto 63% planejam preservar o atual nível de risco das carteiras. Os dados apontam para uma postura positiva, mas ainda cautelosa.
Sobre o que os investidores se mostram pessimistas
Um dos motivos que explicam o “mix” de sentimento do mercado sobre o Ibovespa é a situação fiscal brasileira. Nesse quesito, 55% dos investidores apontam o quadro das contas públicas como o principal risco para 2027.
A preocupação é que um desequilíbrio prolongado entre as receitas e as despesas do governoaumente a dívida pública e mantenha os juros elevados. Nesse cenário, a renda fixa se torna mais atraente, enquanto as empresas enfrentam crédito mais caro, fatores que podem reduzir o apetite por ações.
As eleições, por outro lado, são vistas com bons olhos: 48% acreditam que o processo eleitoral pode ser positivo para a bolsa, enquanto 31% esperam um efeito neutro. Já as tensões geopolíticas preocupam 22% dos entrevistados, principalmente diante das incertezas envolvendo Estados Unidos e Irã.
Setores preferidos do mercado
Segundo o Safra, um dos setores queridinhos do mercado é o de commodities, com 34% das preferências. A escolha é explicada pela busca por empresas de maior capitalização, dolarizadas e que pagam dividendos elevados.
Em seguida, com 32% das respostas, vêm os serviços financeiros. Para o banco, a preferência evidencia a “busca por maior previsibilidade de resultados” e, assim como ocorre com as commodities, reflete o interesse por “setores mais resilientes frente ao ciclo econômico doméstico”.
Na sequência aparecem utilidades básicas (10%), consumoe varejo (9%) e construção e shoppings(7%) entre os setores nacionais preferidos.
No exterior, o setor de tecnologiaé considerado a principal oportunidade por 36% dos participantes. Na corrida pela inteligência artificial, 45% dos participantes veem as gigantes do setor como as principais vencedoras, seguidas por semicondutores (23%), energia (18%) e software (10%).
Já entre diferentes alternativas de investimento, as preferências se concentram em:
- renda variável internacional: 45%, considerando tecnologia global, com 36%, e bolsa norte-americana, com 9%;
- renda fixa local: 38%, formada por títulos indexados à inflação, com 22%, prefixados, com 13%, e crédito privado, com 3%;
- ações brasileiras: 18%.
*Sob supervisão de Carolina Gama.
