Ibovespa busca direção em dia de prévia da Vale; Wall Street sobe com balanços

O Ibovespa opera em queda, apesar de rondar a estabilidade, no pregão desta terça-feira, 21, em compasso de consolidação com os investidores avaliando a alta do petróleo em meio a novos desdobramentos no Oriente Médio e uma agenda doméstica mais esvaziada. Por volta das 1120h, o principal índice acionário da B3 recuava 0,15%, aos 173.107 pontos. Já o dólar estende as perdas da sessão passada ao recuar 0,21%, cotado a R$ 5,078.
Entre as blue chips, de maior peso no índice, a Vale (VALE3), que abriu as negociações em alta, virou para leve queda de 0,25%, no mesmo horário, com os investidores no aguardo da divulgação de seu relatório de produção do segundo trimestre.
A Petrobras, também de peso no índice, acompanha o avanço do petróleo, com as ações ordinárias (PETR3) subindo 0,59%, e as preferenciais (PETR4) avançando 0,53%.
Entre os grandes bancos, o desempenho é misto. O Banco do Brasil (BBAS3) avança levemente 0,10%, assim como o Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11) que sobem 0,19% e 1,33%, respectivamente. Por outro lado, as units do BTG Pactual (BPAC11) recuam 0,39%, enquanto o Bradesco (BBDC4) caem 0,22%.
Entre as maiores altas, destaque para a MBRF (MBRF3), que avança mais de 3%; seguida por CSN Mineração (CMIN3), que sobe 1,65%, e Prio (PRIO3), com ganho de 1,65%. Os papéis da Embraer (EMBJ3) também registram alta de 0,49%. Na ponta negativa, a Rede D'Or (RDOR3) lidera as perdas com queda de 3,44%, seguida por Hypera (HYPE3), que recua 2,61%.
De acordo com o CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan, a abertura reflete um ajuste natural do mercado à espera de novos gatilhos, como a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, programada para 4 e 5 de agosto, mantendo a expectativa de cortes na Selic após a leitura da inflação abaixo do consenso.
"Seguimos construtivos com a bolsa brasileira no médio prazo, mas reforçamos que, com juro real ainda elevado, seletividade e disciplina de alocação continuam determinantes", acrescentou Trevisan. Já no cenário externo, "o tom é construtivo."
No radar corporativo, as atenções voltam-se para a divulgação do relatório de produção e vendas do segundo trimestre da Vale após o fechamento do mercado, que deve dar direcionamento sobre os próximos dados do balanço da mineradora.
Petróleo avança com ameaças no Oriente Médio
Os preços do petróleo voltam a subir em meio ao aumento das hostilidades no Oriente Médio. O Brent avançava 2,13%, a US$ 91,12 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subia 2,49%, para US$ 85,30.
Nas últimas 24 horas, os Estados Unidos realizaram novos bombardeios no sul do Irã em resposta à morte de três soldados americanos, desencadeando retaliações iranianas contra instalações ligadas a Washington no Bahrein, Kuwait e Jordânia.
No Estreito de Ormuz, um navio foi atingido por projétil, enquanto os rebeldes Houthis, do Iêmen, ameaçam impor um bloqueio naval à Arábia Saudita.
Apesar da alta, os preços seguem contidos por fatores de oferta e demanda, como a redução das compras da China ao menor nível em quase uma década e a produção recorde dos EUA, de 13,93 milhões de barris por dia).
EUA ganham força com balanços e chips
Nos EUA, os índices operam no campo positivo, impulsionados pela temporada de balanços do segundo trimestre. O Dow Jones subia 0,52%, o S&P 500 avançava 0,47% e o Nasdaq registrava alta de 0,73%.
O setor de tecnologia é impulsionado pelos fabricantes de semicondutores, com o ETF SMH subindo mais de 3%, liderado por ganhos em Marvell (+6%), Micron (+6%), Astera Labs (+6%) e Intel (+5%).
Das 54 empresas do S&P 500 que já divulgaram balanço, 87% superaram as projeções de lucro, segundo a FactSet.
A 3M saltou mais de 7% após surpreender o mercado, enquanto a General Motors também superou as expectativas de receita e lucro. Investidores aguardam ainda os resultados da Alphabet, IBM e Tesla ao longo da semana, em busca de sinalizações sobre investimentos em inteligência artificial (IA).
No front econômico, o relatório semanal da ADP mostrou que a média de empregos privados criados em quatro semanas recuou para 16.500 vagas até 4 de julho, frente a 19.750 na semana anterior, reforçando o sinal de desaquecimento do mercado de trabalho americano.
Europa opera em tom misto com dados econômicos
Na Europa, os índices acionários operam sem direção única. O Stoxx 600 sobe 0,11%, o DAX da Alemanha avança 0,10% e o FTSE 100 de Londres opera em alta de 0,18%, enquanto o CAC 40 de Paris cede 0,05%.
O mercado do bloco repercute a Pesquisa Trimestral de Empréstimos Bancários do Banco Central Europeu (BCE), que revelou um endurecimento das exigências de crédito pelos bancos no segundo trimestre devido às incertezas geopolíticas e aos custos de energia decorrentes da guerra no Irã, com perspectiva de novo aperto no terceiro trimestre.
Em contrapartida, dados do instituto ZEW apontaram recuperação no sentimento econômico da Alemanha em julho, com o índice saltando 15,8 pontos, para 26,3 pontos, e o indicador da Zona do Euro subindo 13,9 pontos, para 23,4.
No Reino Unido, o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) informou que a taxa de desemprego recuou para 4,9% no trimestre até maio, mostrando resiliência do mercado de trabalho britânico.
Ásia fecha com fortes ganhos e apetite ao risco
Na Ásia, as bolsas fecharam o pregão com expressivas altas generalizadas. O índice Nikkei 225 de Tóquio saltou mais de 3%, alcançando 66.232 pontos, acompanhado pelo Topix (+2,44%).
O Kospi da Coreia do Sul avançou 3,56%, enquanto o CSI 300 da China continental subiu mais de 3% e o Hang Seng em Hong Kong fechou com ganho de 0,25%, refletindo uma forte busca por pechinchas após as perdas recentes da região.
