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InvestMercadosACS
30/06/2026
4 min

Ibovespa cai 0,68%, fecha junho em baixa, mas sobe quase 7% no semestre

Ibovespa cai 0,68%, fecha junho em baixa, mas sobe quase 7% no semestre

O Ibovespa encerrou o primeiro semestre de 2026 em queda no pregão desta terça-feira, 30, pressionado por ajustes de carteira típicos do fim do semestre e por um fluxo mais fraco de capital estrangeiro. O principal índice acionário da B3 fechou o dia em queda de 0,68%, aos 172.024,12 pontos, após uma sessão de forte volatilidade.

Pelo quarto mês seguido, o Ibovespa encerrou em queda, acumulando baixa de 1,01% em junho.

O pregão foi marcado pela divulgação doCadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostrou a criação de 72,96 mil vagas formais em maio, abaixo da expectativa do mercado de 120 mil. O resultado reforçou as apostas de novos cortes na taxa Selic, embora os investidores também tenham mantido atenção ao cenário fiscal.

Entre as ações de maior peso do índice, as perdas foram disseminadas. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuaram 1,25% e 0,89%, respectivamente, acompanhando a queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

A Vale (VALE3,) caiu 0,32% mesmo com a alta do minério de ferro, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) liderou as perdas entre os grandes bancos com recuo de 1,73%. Também fecharam em baixa as units do BTG Pactual Unit (BPAC11), com queda de 0,77%, Itaú Unibanco (ITUB4) recuou de 0,54%, Bradesco (BBDC4), queda de 0,39% e Santander Brasil Unit (SANB11), leve queda de 0,07%.

Na ponta negativa do índice, destaque para Braskem (BRKM5), que caíram 3,78%, após rebaixamentos de classificação de risco pelas agências S&P e Fitch, seguida por Assaí (ASAI3), queda de 2,89%, e Azzas (AZZA3) recuo de 2,72%.

Entre as maiores altas, ficaram Natura com alta de 5,18%, Embraer, alta de 2,08%, impulsionada pela certificação tripla do jato Praetor 500E, e Engie Brasil avanço de 1,90%.

Bolsa sobe quase 7% no 1° semestre

Apesar do recuo no dia e no acumulado de junho, a bolsa brasileira terminou os seis primeiros meses do ano no campo positivo com alta de 6,76%.

Na avaliação de Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, junho representou uma mudança importante nos fatores que vinham guiando os mercados. Segundo o especialista, o acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio provocou uma forte queda do petróleo, mas esse alívio geopolítico acabou sendo ofuscado pela primeira reunião do Federal Reserve sob a presidência de Kevin Warsh.

"O mercado avaliou essa mudança como mais relevante para o dólar global do que o próprio fim da guerra. O resultado foi um dólar americano nas máximas em treze meses, com o índice DXY superando os 101 pontos", afirma.

Para o analista, esse movimento teve reflexos diretos sobre os ativos brasileiros. "No Brasil, o Ibovespa viveu seu mês mais turbulento do semestre: emendou oito semanas seguidas de perdas, a maior sequência da série histórica desde 1982, e chegou a tocar 168.495 pontos no menor nível intradiário desde janeiro. Na reta final do mês, no entanto, houve recuperação consistente puxada por bancos", diz.

Praça ressalta ainda que o cenário doméstico também contribuiu para limitar o apetite por risco. Embora o Copom tenha reduzido a Selic para 14,25% em junho, o mercado já trabalha com a percepção de que o ciclo de afrouxamento monetário está próximo do fim.

Para julho, o especialista avalia que o mercado entra em uma nova fase. Segundo ele, os fatores que dominaram o primeiro semestre — guerra no Oriente Médio, petróleo e fluxo estrangeiro — tendem a perder espaço para a política monetária dos Estados Unidos e do Brasil, além do avanço do calendário eleitoral.

"Julho tende a ser um mês de transição de regime. A bolsa brasileira deixa de ser guiada pela tríade 'guerra, petróleo e fluxo estrangeiro' e passa a responder mais diretamente à política monetária dos dois lados do equador e ao calendário eleitoral doméstico", afirma.

Na visão do analista, a renda fixa deve continuar competitiva diante do nível elevado dos juros, favorecendo empresas com geração de caixa previsível e bancos, enquanto a tese de investimento em petroleiras perde força com a queda do petróleo. Já no câmbio, a expectativa é de que odólar permaneça fortalecido pela combinação de um Federal Reserve mais duro, um ciclo de cortes da Selic próximo do fim e o aumento das incertezas eleitorais no Brasil ao longo do segundo semestre.

AutorClara Assunção
FonteExame
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