Ibovespa cai 0,86% e dólar dispara 1,28% com pressão externa e eleição
Petróleo supera US$ 100, enquanto juros dos EUA sobem e pesquisa eleitoral mantém cautela no mercado

Após duas sessões seguidas em alta, o Ibovespa fechou o pregão desta quarta-feira, 23 de setembro, em queda de 0,86%, aos 185.814,09 pontos. O principal índice acionário oscilou entre a mínima de 185.676,38 e a máxima de 188.772,33 pontos. O volume financeiro somou R$ 20,8 bilhões.
O Ibovespa chegou a avançar mais de 0,7% durante a sessão, impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras, mas perdeu força ao longo do dia diante da piora dos mercados internacionais e das incertezas no cenário doméstico.A Petrobras foi o principal suporte do índice, acompanhando a forte valorização do petróleo no exterior. As ações ordinárias (PETR3) e preferenciais (PETR4) terminaram entre as maiores altas do Ibovespa com avanços de 2,61% e 2,59%, respectivamente.
O movimento, porém, não foi suficiente para sustentar o índice, que também contou com quedas de papéis relevantes, como Vale (VALE3) e parte dos grandes bancos. A mineradora recuou 1,85% e todos os demais bancos também recuaram mais de 1%, com exceção das units do BTG (BPAC11), que caíram 0,47%.
Para Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, a alta observada durante a manhã teve pouca sustentação porque não contou com a participação desses outros pesos importantes do índice.
“Quando o índice sobe sem bancos e sem Vale, eu não vejo um movimento sustentável”, afirma. Segundo ele, a combinação entre o cenário externo e as incertezas domésticas ajudou a explicar a perda de força do Ibovespa ao longo da sessão.
Entre as maiores altas do dia, além da Petrobras, ficaram Cosan (CSAN3), Magazine Luiza (MGLU3) e Vamos (VAMO3). Enquanto Tenda (TEND3), Engie (EGIE3) e Cury (CURY3) estiveram entre as principais queda ao recuarem mais de 4%.
Dólar dispara globalmente, mas eleição pesa
No cenário doméstico, os investidores também repercutiram a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg sobre a corrida presidencial. O estudo mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45,8% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), com 43,4%, o primeiro turno.
Em um eventual segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados, mas trocaram posições. Lula, que tinha sido ultrapassado numericamente por Flávio nas duas pesquisas anteriores, voltou a liderar, com 47,7%, contra 47,4% do senador.
"A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula voltando à frente numericamente, ainda em empate técnico, e o mercado reagiu cobrando mais prêmio. Na minha opinião, o que está em jogo não é o nome de quem vai ganhar. É a trajetória da dívida", diz Bassani.
"Enquanto não houver um sinal claro de compromisso com as contas públicas, acredito que o investidor vai continuar exigindo juros mais altos para financiar o país e vai buscar proteção no dólar".
O dólar à vista fechou em alta de 1,28%, a R$ 5,168, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior. A cotação oscilou entre R$ 5,122 e R$ 5,176 durante o pregão.
O movimento ocorreu em meio à alta dos rendimentos dos Treasuries e à maior preocupação com a inflação nos Estados Unidos. Dados de atividade divulgados nesta quarta-feira mostraram uma economia mais forte do que o esperado, enquanto declarações de dirigentes do Federal Reserve reforçaram as apostas de que o banco central americano poderá voltar a elevar os juros.
O PMI composto dos Estados Unidos subiu de 56 em agosto para 58,4 em setembro, atingindo o maior nível em 62 meses. A leitura reforçou as preocupações com as pressões inflacionárias e levou o rendimento do Treasury de dez anos a superar 5% durante a sessão.
Para Bassani, a mudança de foco dos investidores americanos, que passaram a olhar novamente para os juros depois de meses de forte valorização das empresas ligadas à inteligência artificial, também pesou sobre os ativos de risco.
Petróleo volta a superar US$ 100
Após cinco sessões consecutivas de baixas, os contratos futuros de petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira, em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e ao risco de uma nova escalada do conflito no Oriente Médio.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não vai se render aos Estados Unidos e acusou Washington e Israel de terrorismo. As declarações ocorreram um dia depois de Donald Trump dizer que poderia “aniquilar” os iranianos caso Teerã não aceitasse um acordo.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou ainda mais detalhes sobre as condições para as negociações indiretas com Washington, entre elas a garantia de uma rota segura pelo Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA, a liberação de ativos congelados e o encerramento da guerra em todas as frentes.
Também trouxe volatilidade ao mercado a notícia de que a Casa Branca estudava uma proibição de 90 dias às exportações americanas de diesel. A informação, publicada pelo Politico, foi posteriormente negada por uma autoridade americana não identificada, embora Trump tenha sinalizado apoio à possibilidade na véspera.
No mercado de petróleo, o Brent para novembro disparou 3,86%, a US$ 103,08 por barril, na ICE, enquanto o WTI para o mesmo mês avançou 1,81%, a US$ 92,16, na Nymex.O Departamento de Energia dos EUA informou ainda que os estoques de petróleo do país subiram 2,969 milhões de barris na semana passada, para 426,39 milhões de barris, contrariando a expectativa de queda de 500 mil barris.
Bolsas de NY caem com petróleo e juros longos na máxima desde 2004
A alta dos juros longos dos Treasuries e a valorização do petróleo pressionaram os ativos de risco nesta quarta-feira e levaram as bolsas americanas a encerrar a sessão em queda.
O Dow Jones terminou em baixa de 0,68%, aos 51.512,42 pontos. O S&P 500 recuou 0,75%, aos 7.706,39 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 1,13%, aos 26.936,04 pontos. Apenas o setor de energia terminou o dia no campo positivo.A piora ocorreu após dados de atividade mais fortes do que o esperado reforçarem as preocupações com a inflação e ampliarem as apostas de novas altas de juros pelo Federal Reserve. O rendimento do Treasury de dez anos chegou a 5,08% durante o pregão, no maior nível desde junho de 2007.
