Ibovespa cai 1,24% com pressão de Vale, bancos e Petrobras; dólar sobe para R$ 5,09

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, 16, pressionado pelo avanço das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, pelo fortalecimento global do dólar e pelo desempenho negativo de ações de grande peso, como Vale, Petrobras e os principais bancos. O principal índice da B3 caiu 1,24%, aos 173.825 pontos, após oscilar entre a mínima de 173.736,57 pontos e a máxima de 176.011,31 pontos. O volume financeiro negociado somou R$ 18,9 bilhões.
Entre as blue chips, a Vale (VALE3) recuou 2,05%, acompanhando o desempenho negativo do setor de mineração e siderurgia, mesmo com o minério de ferro encerrando o dia estável na bolsa de Dalian, na China.
As ações da Petrobras também pesaram sobre o índice, refletindo a queda dos preços do petróleo no mercado internacional. Os papéis ordinários (PETR3) caíram 1,95%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 1,72%. Os grandes bancos também contribuíram para o movimento de baixa do índice. A exceção ficou com o Banco do Brasil (BBAS3), cujas ações ordinárias avançaram 1,02%.
Entre as apenas 13 altas do pregão, o principal destaque foi a CSN Mineração (CMIN3), que subiu 4,01%, seguida por Ultrapar (UGPA3), com valorização de 2,86%. Na ponta negativa, entre as 54 ações em queda, a Braskem (BRKM5) liderou as perdas, com recuo de 4,84%. Outras 11 ações encerraram o dia estáveis.
Segundo Marcos Bassani, professor, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, o principal fator por trás da queda da bolsa foi a confirmação da tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros, com início previsto para 22 de julho.
"Nossa bolsa cai hoje após os Estados Unidos anunciarem que vão cobrar um imposto extra de 25% sobre vários produtos que o Brasil vende para lá. Isso assusta os investidores porque empresas que exportam ou dependem do comércio com os EUA podem vender menos ou ganhar menos dinheiro. Acredito que a bolsa brasileira desvaloriza, sem dúvidas, por causa desse fator", afirma.
Bolsas de NY recuam
O especialista acrescenta que o cenário externo também contribuiu para o aumento da aversão ao risco. Apesar de resultados considerados sólidos da fabricante de chips TSMC, as ações do setor de tecnologia recuaram em Nova York, em meio à percepção de que as empresas ligadas à inteligência artificial já negociam em patamares elevados.
"O mercado acredita que essas ações já estão muito caras, então mesmo uma boa notícia não foi suficiente para agradar os investidores", diz.
Em meio a essa baixa, o índice Dow Jones caiu 0,20%, aos 52.552,97 pontos. O S&P 500 recuou 0,51%, aos 7.533,77 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,47%, aos 25.881,95 pontos.
Dólar sobe frente ao real
No câmbio, o dólar à vista acompanhou o fortalecimento global da moeda americana e fechou em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,098, após oscilar entre R$ 5,082 e R$ 5,113.A valorização da divisa foi impulsionada pelodado de vendas no varejo dos Estados Unidos, que avançaram 0,2% em junho, e por declarações de dirigentes do Federal Reserve defendendo juros elevados por mais tempo para levar a inflação de volta à meta de 2%.
No cenário doméstico, a confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a preocupação com uma eventual retaliação do governo brasileiro aumentaram a cautela dos investidores. Na avaliação de Bassani, o movimento também reflete uma migração de recursos para ativos americanos.
"Quando o Banco Central americano sinaliza que pode manter os juros altos por lá, fica mais atraente investir em dólar do que em real. Aqui no Brasil, o Banco Central cortou um pouco os juros, mas disse que vai ter cautela daqui para frente, o que deixa os investidores inseguros. Soma-se a isso a tarifa dos EUA e a guerra no Oriente Médio. O resultado é mais insegurança, dólar mais caro e juros futuros em alta, porque o mercado passa a exigir um retorno maior para investir", explica.
Entre os destaques corporativos, Bassani observa que a forte queda da Vale está ligada à maior sensibilidade da mineradora ao comércio internacional. "A Vale é muito sensível a tarifas comerciais e a qualquer sinal de desaceleração no comércio global, então reage de forma intensa quando esse tipo de notícia aparece."
Já no setor financeiro, ele avalia que a pressão sobre bancos, como o Bradesco, decorre da incerteza sobre a trajetória dos juros e da atividade econômica. "Os bancos sofrem com a incerteza sobre o rumo dos juros e o poder de compra dos brasileiros, fatores que afetam a demanda por crédito e as taxas de financiamento".
