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InvestMercadosACS
04/09/2026
4 min

Ibovespa cai após 'payroll' sinalizar alta de juros nos EUA: dólar avança

Abertura de vagas de trabalho nos EUA veio quase três vezes o esperado

Ibovespa cai após 'payroll' sinalizar alta de juros nos EUA: dólar avança

O Ibovespa cai 0,74% nesta sexta-feira, 4, aos 183.822 pontos, pressionado pelo ambiente externo após o mercado de trabalho dos Estados Unidos surpreender para cima em agosto. O dado reforçou as apostas de uma política monetária mais dura pelo Federal Reserve (Fed) e levou investidores a realizar parte dos ganhos recentes da Bolsa.

O dólar comercial, por sua vez, sobe 0,31%, cotado a R$ 5,1203.

Entre as principais ações do índice, a Vale (VALE3) recua 0,64%, enquanto Petrobras cai 0,84% (PETR4) e 1,01% (PETR3). Os bancos também operam majoritariamente em baixa, com Itaú Unibanco (ITUB4) recuando 1,05%, Banco do Brasil (BBAS3), 1,11%, e Bradesco (BBDC4), 0,45%.

Entre as maiores altas, Minerva (BEEF3) avança 4,49%. Na sequência, aparecem Ultrapar (UGPA3), com alta de 1,78%, Gerdau (GGBR4), 0,76%, e Vibra Energia (VBBR3), 0,46%. Na ponta negativa, Usiminas (USIM5) recua 3,84%. Natura &Co (NATU3) vem logo atrás, com baixa de 2,93%, seguida por Cosan (CSAN3), -2,88%.

O movimento ocorre após uma sequência de fortes altas do mercado brasileiro. De acordo com o CEO da Asset, Gustavo Assis, a semana foi marcada pelo cenário eleitoral, com pesquisas apontando uma disputa mais apertada e levando investidores a revisar expectativas para a política econômica a partir de 2027.

"Esse movimento reduziu temporariamente parte do prêmio de risco fiscal, pressionou os juros futuros, fortaleceu o real e beneficiou principalmente bancos, varejistas, construtoras e empresas endividadas", destacou.

Payroll muda o humor dos mercados

O mercado de trabalho americano surpreendeu em agosto, com os Estados Unidos criando 162 mil vagas fora do setor agrícola (payroll), quase três vezes as 55 mil esperadas pelos analistas. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, em linha com o consenso, enquanto os dados de junho e julho foram revisados para cima.

O resultado aumentou as apostas de uma alta de juros pelo Fed em sua próxima reunião. A ferramenta CME FedWatch mostra que os contratos passaram a indicar probabilidade de 58% de aumento da taxa, ante 49,4% na véspera. O movimento fortaleceu o dólar e pressionou os ativos de risco.

O Dow Jones recua cerca de 0,3%, enquanto o S&P 500 cai 0,2% e o Nasdaq opera próximo da estabilidade. Os rendimentos do Tesouro dos EUA (Treasuries) também avançam, com a taxa do título de dois anos atingindo o maior nível desde janeiro de 2025.

Para Assis, a força do payroll aumenta a importância dos próximos dados de inflação. "Se a inflação americana também vier forte, o mercado poderá consolidar a expectativa de juros maiores nos Estados Unidos, fortalecendo o dólar e pressionando o Ibovespa", esclareceu.

Petróleo sobe na semana, mas perde força

O petróleo recua hoje, mas caminha para uma forte valorização semanal diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O Brent (parâmetro global de preços) cai 1,01%, a US$ 94,56 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI, referência nos EUA) recua 1,15%, a US$ 90,25.

Na semana, porém, o Brent avança 6,5%, enquanto o WTI acumula alta de 8,8%. A possibilidade de interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo e gás natural liquefeito, mantém o prêmio de risco elevado.

Europa opera majoritariamente em baixa

Na Europa, os principais índices operam majoritariamente no vermelho, acompanhando a cautela dos investidores após os dados de emprego dos EUA. O Stoxx 600 recua 0,14%, enquanto o FTSE 100, de Londres, cai 0,29%, e o CAC 40, de Paris, perde 0,34%. O FTSE MIB, de Milão, recua 0,32%.

Na contramão, o DAX, de Frankfurt, avança 0,33%. O setor de químicos lidera as perdas, com queda de cerca de 1%.

Os novos pedidos industriais da Alemanha, por outro lado, cresceram 2,5% em julho ante junho, mostrando alguma recuperação da indústria alemã, embora com diferenças entre a demanda doméstica e a estrangeira. No varejo, as vendas da zona do euro recuaram 0,6% em julho na comparação mensal.

Bolsas asiáticas fecharam em alta

Na Ásia, a maioria dos mercados encerrou o pregão em alta. O Kospi, da Coreia do Sul, avançou 1,64%, aos 6.687 pontos, enquanto o Kosdaq subiu 2,95%, aos 813,5 pontos. No Japão, o Nikkei 225 ganhou 1,26%, aos 65.020 pontos, e o Topix ficou praticamente estável.

Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,82%. Na China continental, o CSI 300 encerrou o dia perto da estabilidade, com leve queda. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,16%.

Balança comercial é destaque no Brasil

No cenário doméstico, o principal dado da agenda desta sexta-feira será a balança comercial de agosto, que será divulgada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) às 15 horas (horário de Brasília).

As pesquisas eleitorais devem continuar influenciando os ativos brasileiros, enquanto o mercado monitora também petróleo, guerra no Oriente Médio e novas sinalizações fiscais.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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