Ibovespa cai após Senado aprovar fim da escala 6x1 e pesquisas mais acirradas
Dólar sobe acima de R$ 5 enquanto Vale, bancos e construtoras lideram perdas da bolsa

O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira, 15, pressionado por bancos, varejistas, construtoras e ações ligadas a commodities, em um ambiente de aprovação do fim da escala de trabalho 6x1, eleições e forte aversão ao risco no setor de tecnologia no exterior. Por volta das 10h29 (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 1,22%, aos 203.980 pontos. O dólar comercial subia 0,63%, cotado a R$ 5,0601.
Vale (VALE3) recua 0,79%, enquanto Petrobras também opera no vermelho, com PETR4 caindo 0,43% e PETR3 perdendo 0,09%.
Já Itaú (ITUB4) recua 1,43%, Banco do Brasil (BBAS3) cai 2,03%, Bradesco perde 1,53% nas ações preferenciais (BBDC4) e BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo controlador da EXAME) cede 1,60%.
Entre os papéis ligados à economia doméstica, Direcional (DIRR3) cai 5,40%, Cosan (CSAN3) perde 3,36%, C&A (CEAB3) recua 3%, Vamos (VAMO3) cai 2,90%, MRV (MRVE3) perde 2,80% e Magazine Luiza (MGLU3) cede 2,67%.
Na ponta positiva, Ambev (ABEV3) sobe 1,03%, Telefônica Brasil (VIVT3) avança 0,42% e Caixa Seguridade (CXSE3) ganha 0,38%. TIM (TIMS3) também opera no azul, com alta de 0,16%.
No cenário político, investidores ainda repercutem a pesquisa Quaest divulgada na noite de quarta-feira, 14, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto, contra 44% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Hoje o Datafolha divulga uma nova rodada sobre o segundo turno.
Também a aprovação do fim da escala 6x1 entra no radar dos investidores. O Senado aprovou em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
Já o mercado externo continua repercutindo a inflação americana mais forte divulgada na quarta-feira. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% em setembro e 3,7% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,3% no mês.
Hoje o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) reforçou a preocupação. O indicador avançou 1,3% em setembro, maior alta mensal desde março de 2022, segundo o Escritório de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos.
A combinação de inflação resistente e juros elevados tem pressionado, principalmente, empresas de tecnologia e inteligência artificial (IA), que são mais sensíveis ao custo de financiamento.
Petróleo opera sem direção única nesta quinta
Os preços do petróleo apresentam sinais mistos na quinta-feira. O West Texas Intermediate (WTI), referência americana, sobe 0,89%, a US$ 95,94 por barril, enquanto o parâmetro global de preços Brent recua 1,08%, a US$ 104,91.
As cotações continuam voláteis em meio às tensões geopolíticas e às dúvidas sobre a oferta global. O mercado também acompanha possíveis mudanças nas restrições ao transporte de petróleo russo e os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz.
EUA caem com pressão sobre tecnologia e inflação
As bolsas de Nova York operam majoritariamente em queda, com investidores reduzindo exposição a empresas de tecnologia diante das preocupações com os elevados investimentos em IA e de novos sinais de inflação persistente nos EUA.
O S&P 500 recua 0,5%, enquanto o Nasdaq Composite cai 1,3%. Na contramão, o Dow Jones avança cerca de 0,5%, ou 269 pontos.
A pressão é mais forte sobre fabricantes de chips e empresas ligadas à IA. Micron Technology cai 4% e Advanced Micro Devices (AMD) perde 5%. Sandisk recua 6%, enquanto os papéis da sul-coreana SK Hynix negociados nos Estados Unidos caem 5%.
A venda de ações de tecnologia ocorre ao mesmo tempo em que dados americanos mantêm as preocupações com a inflação, aumentando a cautela dos investidores com a trajetória dos juros do Federal Reserve (Fed), banco central americano.
Bolsas da Europa têm desempenho misto
As bolsas europeias operam sem uma direção única, mostrando maior resistência do que os mercados asiáticos.
O Stoxx 600 sobe 0,10%, enquanto o FTSE 100, de Londres, avança 0,98% e o CAC 40, de Paris, ganha 0,56%. O DAX, de Frankfurt, recua 0,17%, e o FTSE MIB, de Milão, cai 0,67%.
Ásia cai com tombo de quase 5% no Japão
Os mercados asiáticos tiveram uma sessão majoritariamente negativa, com destaque para a forte queda das ações de tecnologia. No Japão, o Nikkei 225 despencou 4,90%, enquanto o índice de Xangai caiu 1,59% e o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,03%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 perdeu 0,09%.
A pressão foi especialmente forte sobre empresas ligadas a semicondutores e IA, diante da preocupação com valuations elevados e juros mais altos. A venda de ações de tecnologia também atingiu a Coreia do Sul, onde o Kospi chegou a cair quase 8% na sessão.
Na contramão, o Nifty 50, da Índia, avançou 1,66%.
