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InvestMercadosACS
06/08/2026
5 min

Ibovespa cai com balanços enquanto mercado digere nova Selic

Smart Fit e Brava Energia lideram perdas após resultados abaixo das expectativas, segundo especialista

Ibovespa cai com balanços enquanto mercado digere nova Selic

O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira, 6, um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Por volta das 10h50 (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 0,55%, aos 176,7 mil pontos. O dólar comercial caía 0,56%, cotado a R$ 5,09.

Entre as ações de maior peso do índice, a Vale (VALE3) recuava 0,64%, enquanto a Petrobras (PETR4) avançava 0,76%. O pregão é marcado por desempenho misto entre as blue chips, de maior peso, com investidores repercutindo balanços corporativos e os efeitos da decisão de juros no Brasil.

Smart Fit e Brava Energia lideram perdas

A maior queda vinha da Smart Fit (SMFT3), que recuava entre 6,02% e 6,12%. A rede de academias divulgou na quarta-feira, 5, resultados do segundo trimestre com receita e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em linha com as projeções, mas o lucro líquido recorrente ficou abaixo das expectativas, pressionado por despesas financeiras maiores.

A Brava Energia (BRAV3) também aparecia entre as maiores quedas, com baixa entre 3,96% e 4,78%. A companhia divulgou balanço, no mesmo dia em que a colombiana Ecopetrol venceu o leilão para assumir o controle da empresa, com aquisição de ações a R$ 23. A receita líquida e o Ebitda ajustado ficaram abaixo das estimativas do mercado, apesar de o lucro superar as projeções.

Bancos operam em sentidos opostos após balanços

Entre os bancos, o Bradesco (BBDC4) caía 0,78% e o Banco do Brasil (BBAS3) recuava 1%. A queda do Bradesco ocorre mesmo após o banco divulgar o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro e retorno sobre o patrimônio líquido de 16,2%.

A pressão sobre os papéis parece estar mais ligada à assembleia marcada para o início de setembro, que decidirá sobre o aumento de capital de R$ 10 bilhões anunciado pela instituição, de acordo com o head de análise da GTF Capital, Artur Horta.

Na outra ponta, Itaú (ITUB4) avançava entre 0,87% e 0,97%, enquanto Santander (SANB11) subia entre 1,09% e 1,12%. Já a Cyrela (CYRE3) liderava os ganhos do índice, com alta entre 3,61% e 3,89%, beneficiada pela expectativa de melhora no crédito após o corte da Selic.

E a decisão da Selic impacta o mercado hoje?

Para o CEO da Friggi & Secco, Alberto Friggi, a reação dos ativos reflete o fato de que o corte de juros já estava amplamente precificado pelos investidores. "A Selic em 14% já estava praticamente precificada. O que faltou ao investidor foi uma indicação de que setembro traria automaticamente o 5º corte consecutivo", disse.

Agora a dúvida sobre os próximos passos do Banco Central limita o impacto positivo da redução da taxa básica sobre as ações. "Para a Bolsa, isso faz diferença porque o valor das empresas incorpora a expectativa de juros de vários meses e anos à frente. Se o ritmo de redução da Selic se torna menos previsível, a queda imediata de 0,25 ponto tem impacto limitado sobre essa conta", explicou Friggi.

Na mesma linha, o analista da AGF, Pedro Galdi, avaliou que o cenário externo pode ajudar a limitar a pressão sobre a B3. "As bolsas de valores no exterior operam em recuperação e por aqui não deve ser diferente. O Ibovespa deve testar 179 mil pontos. No entanto é fundamental que o fluxo financeiro melhore, já que os últimos pregões o volume tem ficado abaixo da média", pontuou.

Há movimento de indicadores no Brasil e nos EUA

No Brasil, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou, nesta manhã, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) de julho, que subiu 0,66% no mês. Com o resultado, a alta acumulada em 12 meses passou de 4,46% em junho para 5,08% em julho.

Nos Estados Unidos, o mercado acompanha os pedidos semanais de seguro-desemprego, um dos principais indicadores sobre a força do mercado de trabalho americano. O dado voltou a subir levemente, mas permaneceu em nível historicamente baixo.

Petróleo sobe com expectativa sobre Ormuz

Os preços do petróleo avançam com o mercado acompanhando a possibilidade de um acordo entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz. Uma autoridade iraniana afirmou à emissora americana MS NOW que a navegação pelo estreito não seria taxada dentro de um acordo temporário.

O West Texas Intermediate (WTI) subia 1,34%, negociado a US$ 76,23 por barril, enquanto o Brent avançava 1,91%, a US$ 80,97.

O estrategista do Deutsche Bank, Jim Reid, afirmou que o mercado já passou por "muitos falsos sinais ao longo deste conflito" e que os investidores agora aguardam mais detalhes sobre o formato final do acordo, de acordo com a CNBC.

Wall Street opera sem direção única

As bolsas americanas operam sem direção única, enquanto investidores avaliam novos balanços corporativos e os avanços no Oriente Médio. O S&P 500 recuava 0,07%, o Nasdaq caía 0,48% e o Dow Jones avançava 0,05%.

Entre as maiores perdas, a Sandisk desabava cerca de 9% após o resultado do quarto trimestre fiscal decepcionar investidores. A AppLovin recuava perto de 19% após números mistos, enquanto a Western Digital caía cerca de 14%, pressionada pelas projeções para o primeiro trimestre.

O mercado também acompanha o fim do período de "lockup" das ações da SpaceX, que libera mais de 900 milhões de papéis para negociação.

Europa sobe com otimismo sobre Oriente Médio

A maioria das bolsas europeias opera em alta, apoiadas pelo otimismo em relação à possível reabertura do Estreito de Ormuz. O Stoxx 600 avançava 0,39%, o FTSE 100, de Londres, subia 0,21%, o CAC 40, de Paris, ganhava 0,75%, e o FTSE MIB, de Milão, avançava 0,97%. Na contramão, o DAX, de Frankfurt, recuava 0,03%.

Ásia fecha em queda

Os mercados asiáticos encerraram o pregão majoritariamente em baixa. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 4,58%, enquanto o Nikkei 225, do Japão, recuou 0,93%. O CSI 300, da China continental, teve baixa de 0,15%. Na direção oposta, o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,47%.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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