Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosACSBDR
29/07/2026
4 min

Ibovespa cai com bancos após balanço do Santander pior que o esperado

Ações de Petrobras sobem, enquanto o avanço das hostilidades no Oriente Médio impulsionam os preços do petróleo

Ibovespa cai com bancos após balanço do Santander pior que o esperado

O Ibovespa opera em queda de 0,46%, a 175,7 mil pontos, nesta quarta-feira, 29, em um pregão marcado pela pressão das ações do setor financeiro e pela forte valorização dos papéis ligados a commodities. O movimento ocorre, ainda, em meio à expectativa pela decisão de juros do banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), e ao avanço das hostilidades no Oriente Médio, que impulsionam os preços do petróleo.

A Petrobras avança com as ações preferenciais (PETR4) subindo 2,35%, enquanto as ordinárias (PETR3) avançavam 2,54%. A Vale (VALE3) também opera no campo positivo, com alta de 0,34%. Já o setor financeiro pesa sobre o índice após o balanço do Santander Brasil (SANB11), cujas ações recuavam 6,25%.

O Santander reportou lucro recorrente de R$ 3,01 bilhões no segundo trimestre, queda de 17,6% na comparação anual. O resultado foi afetado pelo aumento das provisões e pela pressão sobre os spreads, elevando a cautela dos investidores em relação ao desempenho dos bancos, segundo o head de análise da GTF Capital, Artur Horta.

Também caem as ações da B3 (B3SA3), a -2%; Bradesco, -2,01% (BBDC3) e -1,55% (BBDC4); Itaú Unibanco (ITUB4), -1,47%; e Banco do Brasil (BBAS3), -1,25%. Entre as maiores altas do índice, a Prio (PRIO3) lidera os ganhos, com valorização de 3,33%.

No mercado doméstico, investidores também acompanham dados econômicos. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 2,9 pontos em julho, para 97,2 pontos, registrando a maior queda desde setembro do ano passado. O indicador reflete o impacto das incertezas comerciais, dos juros elevados e do cenário eleitoral.

Já o dólar comercial era negociado a R$ 5,1156 por volta das 10h30 (horário de Brasília), baixa de 0,12%, enquanto investidores aguardam a decisão de juros do Fed e as sinalizações do presidente da instituição, Kevin Warsh, sobre o futuro da política monetária de uma das principais economias do mundo.

Petróleo dispara com guerra entre EUA e Irã

Os preços do petróleo ampliaram os ganhos após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país responderá com força aos ataques do Irã contra forças americanas no Oriente Médio.

O petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, avançava 6,9%, negociado a US$ 89,88 por barril, enquanto o Brent também registrava forte valorização.

O movimento ganhou força após o Comando Central dos EUA informar que forças da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançaram múltiplos mísseis balísticos em uma tentativa de ataque surpresa contra bases americanas na região. Segundo o órgão, os projéteis foram interceptados.

O mercado também monitora os riscos para a produção e o transporte de petróleo no Oriente Médio, após relatos de ataques dos Houthis contra estruturas ligadas ao setor petrolífero da Arábia Saudita.

Wall Street cai antes de decisão do Fed

Nos EUA, os principais índices acionários operam em queda, com investidores ajustando posições antes da decisão do Fed e após a forte alta do petróleo. O Dow Jones recuava 0,69%, aos 52.384 pontos; o S&P 500 caía 0,21%, aos 7.412 pontos; e o Nasdaq perdia 0,30%, aos 24.803 pontos. O Nasdaq 100 também registrava baixa de 0,17%.

Investidores precificam uma probabilidade próxima de 70% de manutenção dos juros americanos na faixa entre 3,50% e 3,75%, segundo contratos acompanhados pelo CME FedWatch.

Entre as ações individuais, os papéis ligados a semicondutores seguem pressionados. O ETF de chips iShares Semiconductor (SOXX) indicava queda antes da abertura, em meio às preocupações sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial (IA) e a maior concorrência da China.

Europa opera sem direção única

Na Europa, os mercados operam sem uma direção definida, com investidores divididos entre pressões geopolíticas e os balanços corporativos. O Stoxx 600 recuava 0,11%, enquanto o CAC 40, da França, caía 0,67% e o FTSE MIB, da Itália, perdia 0,13%.

Na contramão, o DAX, da Alemanha, subia 0,16%, e o FTSE 100, de Londres, avançava 0,28%. Entre as empresas, a Kering, dona da Gucci, disparava após divulgar crescimento de receita no segundo trimestre, enquanto a Hermès recuava após resultados considerados fracos pelo mercado.

Ásia fecha em queda com tecnologia

Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em baixa, pressionados pelas ações de tecnologia. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 6%, com quedas próximas de 10% para SK Hynix e superiores a 5% para Samsung. No Japão, o Nikkei 225 recuou 1,49%, afetado pela queda das ações da SoftBank Group, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou mais de 1%, apoiado pelos setores de saúde e consumo.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
Distribuído por