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MercadosACS
18/06/2026
5 min

Ibovespa cai com comunicado ‘difuso’ do Copom; dólar sobe a R$ 5,17

Ibovespa cai com comunicado ‘difuso’ do Copom; dólar sobe a R$ 5,17

O Ibovespa (IBOV) ignorou os fortes ganhos de Wall Street com o alívio nas tensões geopolíticas. Por aqui, o comunicado ‘difuso’ do Copom aumentou a aversão a risco dos investidores.

Nesta quinta-feira (18), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com leve queda de 0,10%, aos 168.277,55 pontos.

Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1752, com alta de 1,32%.

No cenário doméstico, os investidores repercutiram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva do Banco Central, em linha com o esperado pelo mercado. A decisão do colegiado foi unânime.

O BC destacou piora marginal das projeções de inflação, aumento das incertezas no cenário externo – com atenção especial às tensões no Oriente Médio – e passou a enfatizar o “ajuste total” do ciclo de política monetária, em vez do ritmo de cortes.

Apesar disso, o comunicado manteve a “porta aberta” para novos cortes na Selic, na contramão do tom adotado pelos principais bancos centrais ao redor do mundo, na visão de economistas.

Para o Goldman Sachs, por exemplo, o documento revela um descompasso entre a flexibilização da política monetária e a piora das projeções de inflação no horizonte relevante.

O principal ponto de atenção do mercado, porém, foi a sinalização antecipada da chamada “rolagem “do horizonte relevante da política monetária na próxima decisão do Copom. Na prática, o BC “adiou” o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto – o que foi lido, por parte do mercado, como leniência do BC com a inflação.

  • Copom abre brecha e gera ruído: entenda o ponto mais controverso do comunicado

Altas e quedas do Ibovespa

Em dia de forte volatilidade no mercado doméstico, a ponta positiva do Ibovespa foi liderada por WEG (WEGE3), que terminou o dia com alta de 4,59% (R$ 45,81), após a companhia anunciar o pagamento de R$ 438,1 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), o que corresponde a R$ 0,10 por ação.

Terão direito ao provento os acionistas com posição acionária em 19 de junho de 2026. A partir de 22 de junho, os papéis passarão a ser negociados na condição “ex-JCP”.

Já a ponta negativa foi encabeçada por Braskem(BRKM5) com baixa de 10,27% (R$ 7,51), o mercado ainda repercutindo a decisão da Justiça Federal em Alagoas tornar a companhia ré por crimes ambientais relacionados ao afundamento do solo em Maceió.

Além disso, a companhia e o seu novo acionista controlador, o IG4 Capital, estão tendo dificuldades para obter apoio de credores suficientes para avançar com uma proposta de reestruturação extrajudicial, de acordo com uma reportagem da Bloomberg na quarta-feira (17).

Entre os pesos-pesados, Petrobras(PETR4;PETR3), que detém cerca de 12% de participação da carteira do índice, limitou as perdas do Ibovespa, na esteira do desempenho do preços do petróleo, com o barril do Brent fechando as negociações em leve alta, mas ainda abaixo de US$ 80.

PETR3 terminou o dia com alta de 0,14% (R$ 43,13) e PETR4 registrou ganho de 0,73% (R$ 38,85).

Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, avançou com fluxo e destoou do desempenho do minério de ferro – o contrato mais líquido da commodity, negociado para setembro, encerrou as operações em Dalian, na China, com baixa de 1,13%, a 747 yuans (US$ 110,53) a tonelada. VALE3 subiu 0,20% (R$ 79,94).

Já o setor de bancos fechou em baixa: Índice Financeiro (IFNC) terminou o pregão com recuo de 0,17%. Itaú (ITUB4), que detém cerca de 8% da participação na carteira do IBOV, teve queda de 0,76% (R$ 40,49).

Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.

Exterior

Os índices de Wall Street terminaram o pregão com o cenário geopolítico em foco, com a assinatura do acordo entre EUA e Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os EUA esperam “um cessar-fogo total em todas as frentes”, incluindo o Líbano, o Hezbollah e Israel.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: +0,14%, aos 51.564,70 pontos;
  • S&P 500: +1,08%, aos 7.500,58 pontos;
  • Nasdaq: +1,91%, aos 26.517,931 pontos.

Na Europa, os índices fecharam em queda com declarações de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) e decisão de juros na Inglaterra. O Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manteve a taxa básica de juros em 3,75% ao ano, em uma decisão não-unânime. Hoje, o índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 0,34%, aos 637,14 pontos.

Na Ásia, os índices terminaram a sessão sem direção única com tom mais ‘duro’ do Federal Reserve. O índice Nikkei, do Japão, subiu 1,65% os 71.053,49 pontos e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve queda de 1,59%, aos 23.924,81 pontos.

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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