Ibovespa cai com Petrobras e balanços, enquanto NY sobe após payroll 'fraco'
Ibovespa perde força com queda de varejistas e cautela antes do fim de semana; dólar também recua frente ao real

O Ibovespa cai no último pregão da semana, após fechar a quinta-feira, 6, com queda de 1,23%. Por volta das 11h20 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 recuava 1,01%, aos 173.779 pontos, embalado pelo resultado da Petrobras e pela reação de Wall Street ao payroll de julho dos Estados Unidos, divulgado mais cedo. O dólar comercial, por sua vez, recuava 0,33% e era negociado perto de R$ 5,09.
No caso da Petrobras, a petroleira reportou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre na noite de qunita-feira, 6, uma alta anual de 96,8%, acima da expectativa do mercado. O conselho de administração aprovou ainda R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, mas os seus papéis (PETR4) caíam 0,66%. A Vale (VALE3), outra companhia de peso do índice, estava entre as poucas altas do dia com avanço de 0,41%.
Entre os demais balanços do dia, a Porto registrou lucro líquido de R$ 879,4 milhões no trimestre, praticamente estável na base anual, e as ações (PSSA3) caíam 4,08%. Já a Magazine Luiza apresentou resultado operacional ligeiramente acima das expectativas, mas reduziu a projeção de crescimento da receita para 2026, levando os ativos (MGLU3) a caírem 5,03%.
Entre as principais altas, o destaque ficava com as ações do Fleury (FLRY3), que disparavam 13,72%, seguidas por Hypera (HYPE3), com avanço de 2,95%, e PetroRecôncavo (RECV3), que subia 2,09%. Na ponta negativa, as maiores quedas eram lideradas por Lojas Renner (LREN3), que recuava 12,17%, Engie Brasil (ENGI11), com queda de 4,37%, e Assaí (ASAI3), que perdia 4,12%.
No radar macroeconômico local, o Banco Central informou que a caderneta de poupança registrou em julho retiradas líquidas de R$ 7,153 bilhões, o maior volume de saques desde março e o segundo mês seguido de resgates. O dado chega dois dias após a Taxa Selic ser cortada em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.
O relatório de emprego americano de julho também foi divulgado hoje e veio abaixo do esperado. A economia dos EUA fechou 23 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês, ante expectativa de criação de 85 mil postos, enquanto a taxa de desemprego recuou a 4,1%. Houve revisou dos dois meses anteriores para baixo.
O resultado fraco alterou as apostas do mercado sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). "Para os mercados, as duas maiores preocupações eram os rendimentos dos títulos e a inflação. Esse número mais baixo ajuda a não reforçar a narrativa do Fed de que precisa elevar os juros”, conforme a diretora de investimentos da Nuveen, Saira Malik, à CNBC.
Petróleo sobe com tensão sobre Ormuz
O mercado de petróleo operava sem grandes variações, com investidores aguardando um possível acordo sinalizado pelo governo de Donald Trump para garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, uma das principais passagens para o transporte global de energia.
O Brent operava próximo de US$ 82 o barril, em queda de 0,61%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recuava 0,43%, negociado perto de US$ 77.
Irã e Omã negociam um acordo para definir rotas de passagem no estreito, segundo a imprensa internacional. Pelo modelo em discussão, navios entrando na região utilizariam águas iranianas, enquanto embarcações de saída passariam por águas sob controle de Omã.
A expectativa por uma solução diplomática contrasta com os movimentos em Teerã. A mídia estatal iraniana divulgou na quinta-feira, 6, um projeto que prevê restrições ao tráfego no estreito, atualmente em análise pelo Parlamento do país.
Bolsas dos EUA sobem após payroll fraco
Os mercados acionários dos EUA operavam em alta, após o relatório de emprego de julho indicar uma perda inesperada de vagas, reforçando a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) não tenha necessidade de elevar os juros no curto prazo.
O S&P 500 avançava 0,3%, enquanto o Nasdaq Composto liderava os ganhos entre os principais índices, com alta de 0,9%. O Dow Jones subia 0,1%, ou 67 pontos.
O movimento colocava as bolsas americanas a caminho da segunda semana consecutiva de ganhos. O S&P 500 acumulava alta superior a 3% na semana, enquanto o Nasdaq caminhava para seu melhor desempenho semanal desde abril, com avanço de mais de 4%, impulsionado pela recuperação das ações de semicondutores.
Entre os destaques corporativos, as ações de tecnologia impulsionavam o avanço dos índices. A Cloudflare subia cerca de 10% após divulgar uma projeção positiva para o ano, enquanto a Atlassian disparava 34% depois de superar as expectativas de lucro e receita no quarto trimestre fiscal e apresentar uma previsão otimista. O Airbnb também avançava 12% após registrar resultados acima das projeções.
Bolsas da Europa operam mistas
As bolsas europeias abriram o último pregão da semana em alta, acompanhando o movimento positivo dos mercados globais. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,62%, aos 662,25 pontos, enquanto os principais mercados da região também operavam no campo positivo.
Em Frankfurt, o DAX subia 0,91%, aos 26.376 pontos, enquanto o FTSE 100, de Londres, avançava 0,53%, aos 10.925 pontos. Em Paris, o CAC 40 tinha alta de 0,40%, aos 8.734 pontos, e o FTSE MIB, de Milão, ganhava 0,25%, aos 53.814 pontos.
Entre os setores, as ações de saúde lideravam os ganhos na abertura, com avanço de 1,3%. As empresas de tecnologia também apresentavam desempenho positivo, com alta superior a 1%, impulsionadas pelo maior apetite por ativos de risco após dados mais fracos do mercado de trabalho americano reforçarem as apostas de juros mais estáveis pelo Fed.
Na ponta negativa, os papéis de viagens e lazer recuavam cerca de 0,5%, assim como as ações do setor automotivo e de autopeças, que também registravam perdas próximas de 0,5%.
Bolsas da Ásia fecham sem direção
Os mercados da Ásia-Pacífico encerraram o pregão sem direção única, em meio à cautela dos investidores com as incertezas envolvendo a navegação no Estreito de Ormuz.
No Japão, o índice Nikkei 225 fechou em queda de 0,12%, aos 65.606,71 pontos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,60%, aos 6.258,77 pontos, em uma sessão marcada por volatilidade. Na Austrália, o S&P/ASX 200 encerrou praticamente estável, aos 9.263,60 pontos.
Na China, o movimento foi positivo. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subia 0,44% próximo ao fim do pregão, enquanto o CSI 300, que reúne as principais ações listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,93%, aos 4.694,44 pontos.
O desempenho das bolsas chinesas foi apoiado pelos dados de comércio exterior do país. As exportações da China cresceram em julho acima das expectativas dos analistas, ajudando a melhorar o sentimento dos investidores em relação à economia chinesa.
