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InvestMercadosACS
13/07/2026
4 min

Ibovespa cai com tensão entre EUA e Irã, apesar de alta da Petrobras

Ibovespa cai com tensão entre EUA e Irã, apesar de alta da Petrobras

O Ibovespa recua no pregão desta segunda-feira, 13, com os investidores atentos aos desdobramentos da escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã, que colocou novamente o petróleo e os riscos geopolíticos no centro das preocupações dos investidores.

Por volta das 11h (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 caía 0,34%, aos 177.259 pontos, acompanhando a aversão ao risco global, apesar da redução das expectativas para a inflação brasileira no Boletim Focus e da forte alta das ações da Petrobras.

Já o dólar comercial avançava 0,36%, cotado a R$ 5,13, enquanto o mercado também monitora a temporada de balanços nos Estados Unidos e os dados de inflação estadunidense previstos para esta semana.

Entre as ações de maior peso do índice, a Vale (VALE3) caía 0,44%. Já a Petrobras avançava 2,44% nas ações ordinárias (PETR3) e 2,24% nas preferenciais (PETR4).

Os bancos também contribuíam para o desempenho negativo, com Itaú (ITUB4) em queda de 0,32%, Banco do Brasil (BBAS3) caindo 0,53%, e as units do BTG (BPAC11) e Santander (SANB11) recuando 0,34% e 0,22%, respectivamente. A exceção são as ações do Bradesco (BBDC4), que sobem 0,37%

O economista, professor universitário e conselheiro da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Brasil (Apimec Brasil), Ricardo Coimbra, avalia que os dados de inflação divulgados no Brasil vieram abaixo das expectativas do mercado, o que pode indicar uma possibilidade de queda da Taxa Selic na reunião seguinte.

Coimbra destaca, ainda, que os fluxos de dólar entrando no país estão entre os pontos de atenção dos investidores. Ao mesmo tempo, ressalta que o mercado segue acompanhando o cenário internacional, principalmente o desenrolar da guerra e os próximos dados de inflação dos Estados Unidos.

O principal indicador doméstico do dia foi o Boletim Focus. Analistas consultados pelo Banco Central reduziram a projeção para a Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 5,30% para 5,16%. Já as estimativas para a Selic em 2026 permaneceram em 14%, enquanto a projeção para o dólar foi mantida em R$ 5,20. Para o Produto Interno Bruto (PIB), por outro lado, a expectativa seguiu em 1,99% no próximo ano.

Petróleo dispara com escalada no Irã

Os preços do petróleo avançavam mais de 3% após novos confrontos entre Estados Unidos e Irã aumentarem os temores de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz. O Brent subia 3,60%, para US$ 78,75 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava 3,50%, a US$ 73,91.

O mercado acompanha o impacto dos ataques realizados durante o fim de semana e as declarações do Irã sobre restrições ao Estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo. Dados da consultoria Kpler mostram que o fluxo de embarcações caiu ao menor nível em cinco semanas.

Apesar da escalada das tensões, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a rota comercial segue aberta.

Wall Street opera em direção mista

As bolsas de Nova York abriram em queda, com investidores repercutindo a escalada das tensões entre Washington e Teerã, além de acompanharem uma forte correção nas ações globais de semicondutores. O S&P 500 caía 0,3%, enquanto o Nasdaq recuava 0,7%, pressionado pelas empresas de tecnologia. Já o Dow Jones operavaregistrava alta de 0,37%.

O setor de chips liderava as perdas. Os recibos de ações estrangeiras (ADRs) da SK Hynix recuavam cerca de 9%, devolvendo parte dos ganhos registrados na estreia da companhia na Nasdaq na sexta-feira, 10. Micron caía 5%, Sandisk perdia 6%, Seagate recuava 4%, enquanto AMD e Intel cediam 3% e 4%, respectivamente.

Além do cenário geopolítico, investidores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA, na terça-feira, 14, e o início da temporada de balanços do segundo trimestre.

Europa oscila entre petróleo e tecnologia

As bolsas europeias operavam sem direção única. O Stoxx 600 recuava 0,10%, enquanto o FTSE 100, de Londres, caía 0,14%. Na contramão, o DAX, da Alemanha, subia 0,18%, o CAC 40, da França, avançava 0,14%, e o FTSE MIB, da Itália, ganhava 0,28%.

As ações do setor de petróleo lideravam os ganhos, impulsionadas pela alta da commodity. Já as empresas de semicondutores acompanhavam a forte correção observada na Ásia, após o tombo das ações da SK Hynix.

Coreia do Sul lidera perdas na Ásia

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em queda. O principal destaque foi o Kospi, da Coreia do Sul, que despencou cerca de 9%, após o forte recuo da SK Hynix, desencadeando uma onda de vendas no setor de tecnologia.

O movimento também atingiu a Samsung Electronics, que perdeu quase 11%. No Japão, o Nikkei recuou 1,92%, enquanto o CSI 300, da China, caiu 1,79%, refletindo a aversão global às empresas ligadas à inteligência artificial (IA).

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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