Ibovespa cai com Vale e bancos, apesar da Petrobras; dólar sobe com aversão ao risco

O Ibovespa fechou em leve queda nesta terça-feira, 7, pressionado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O principal índice da B3 encerrou o pregão com baixa de 0,25%, aos 172.020 pontos, após oscilar entre a mínima de 171.417,06 e a máxima de 173.543,67 pontos. O volume financeiro negociado somou R$ 20,1 bilhões.
O avanço dos preços do petróleo ajudou a limitar as perdas da bolsa brasileira ao impulsionar as ações da Petrobras. Os papéis ordinários da estatal (PETR3) subiram 2,65%, enquanto as preferenciais (PETR4) avançaram 1,77%.
Na direção contrária, a Vale (VALE3) caiu 2,04%, acompanhando a queda de 0,47% do minério de ferro e repercutindo a renúncia do presidente do Conselho de Administração da companhia, Daniel André Stieler. O comunicado foi divulgado pela companhia em Fato Relevante na noite desta segunda, 6.
O setor financeiro também contribuiu para o desempenho negativo do índice. As units do Santander (SANB11) recuaram 2,62%, enquanto as do BTG Pactual (BPAC11) caíram 1,50%. As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) cederam 0,56%, as do Itaú Unibanco (ITUB4) perderam 0,31% e Banco do Brasil (BBAS3) fechou em baixa de 0,20%.
Entre as maiores quedas do dia estiveram Marfrig (MRFG3), com recuo de 4,14%, C&A (CEAB3), que caiu 4,13%, e Yduqs (YDUQ3), com baixa de 3,80%. Na ponta positiva, CSN Mineração (CMIN3) liderou os ganhos ao avançar 5,08%, seguida por Prio (PRIO3), com alta de 4,97%, e Azzas 2154 (AZZA3), que subiu 3,61%.
No câmbio, o dólar comercial acompanhou o fortalecimento global da moeda norte-americana e encerrou o dia em alta de 0,39%, cotado a R$ 5,152. Ao longo da sessão, a divisa oscilou entre R$ 5,129 e R$ 5,163.Segundo Marcos Praça, diretor de Análises da ZERO Markets Brasil, o mercado voltou a concentrar as atenções no cenário geopolítico após novos relatos de ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, principal rota de transporte de petróleo do mundo.
"O foco voltou ao Oriente Médio. Os novos ataques elevaram as cotações do Brent e do WTI e aumentaram a percepção de risco nos mercados internacionais. No Brasil, o Ibovespa chegou a operar em alta pela manhã, mas passou a acompanhar o movimento de queda observado em Nova York diante da piora do ambiente externo. A valorização do petróleo sustentou os ganhos da Petrobras e ajudou a limitar as perdas do índice, enquanto a Vale acompanhou a queda do minério de ferro", afirma.
O analista acrescenta que os investidores permanecem atentos à divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), prevista para quarta-feira, em busca de pistassobre os próximos passos da política monetária americana.
"Assim, o mercado encerra a sessão marcado principalmente por três fatores: a realização nas ações de tecnologia, a volta das tensões no Oriente Médio e a expectativa pelas próximas sinalizações do Federal Reserve", diz.
Bolsas em NY caem com techs e preocupações geopolíticas
As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta terça, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio e um novo movimento de realização nas ações de tecnologia, especialmente ligadas à inteligência artificial. O índice Dow Jones caiu 0,25%, aos 52.925,15 pontos. O S&P 500 recuou 0,45%, aos 7.503,77 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 1,16%, aos 25.818,69 pontos.
Além da tensão entre Irã e EUA, os investidores repercutiram o déficit comercial americano, que aumentou para US$ 77,6 bilhões em maio, levemente abaixo da expectativa do mercado.
Entre os destaques corporativos, as ações do Walmart avançaram 0,80% após a companhia anunciar redução de preços em parte de seus produtos.
