Ibovespa cai em dia de dados de inflação e de petróleo em baixa
O dólar também recua frente ao real e fica abaixo dos R$ 5,10

O Ibovespa abriu em queda o pregão desta sexta-feira, 11, pressionado pelas ações ligadas a commodities, enquanto investidores repercutem os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos e o noticiário político. Por volta das 11h (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 0,58%, aos 187.168 pontos. O dólar comercial, por sua vez, caía 0,41%, cotado a R$ 5,083.
"A divergência mostra que o capital estrangeiro não entra no Brasil de maneira uniforme. Parte do fluxo busca aproveitar o diferencial de juros, a valorização das commodities e o desconto das ações brasileiras, fortalecendo o real. Ao mesmo tempo, investidores realizam lucros na Bolsa depois da sequência recente de altas e reduzem posições antes dos dados de inflação dos Estados Unidos e da decisão do Federal Reserve", afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.
Entre as principais baixas do índice, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) recuavam 1,49% e 1,5o% no caso dos papéis ordinários (PETR3), acompanhando a queda dos preços do petróleo no exterior. A Prio (PRIO3) perdia 1,82%, enquanto Brava Energia (BRAV3) caía 1,65%. A pressão também atingia as siderúrgicas, com CSN (CSNA3) em baixa de 4,45% e Gerdau (GGBR4), de -1,58%.
A Vale (VALE3), também de peso na composição do Ibovespa, operava em queda de 0,83%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) rgistrava ligeiro avanço de 0,21%, BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo controlador da EXAME) subia 0,45% e Santander Brasil (SANB11) ganhava 1%. Já as ações de Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) recuavam 0,61%.
No cenário doméstico, o mercado repercute o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que registrou deflação de 0,32%, ante alta de 0,07% em julho. Em 12 meses, a inflação acumulada desacelerou para 4,22%, de 4,44% anteriormente. O resultado veio ligeiramente melhor que o esperado.
O campo político também está no radar nesta sexta, com a retirada do sigilo de processos do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Atendendo ao pedido do ministro Edson Fachin, o também magistrado André Mendonça tornou público 14 procedimentos sob sua relatoria no Supremo, incluindo a petição que é base do caso e inestigações correlatas.
Diante disso, a revista Piauí também trouxe ontem relatório de 196 páginas sobre as relações do ministro Dias Toffoli com o dono do Master, Daniel Vorcaro. A relatório cita o ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro, Fábio Faria, como "um faz-tudo de luxo de Vorcaro".
O fim do sigilo também trouxe à torna uma investigação contra o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no contexto do financiamento do filme Dark Horse.
Bolsas dos EUA sobem após dados de inflação
Nos Estados Unidos, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI, em inglês) avançou 0,4% em agosto, após alta de 0,1% em julho, em linha com as expectativas. O núcleo da inflação, porém, acelerou para 0,3%, ante 0,2% no mês anterior.
Mesmo com a leitura do núcleo, as bolsas americanas operam em alta hoje. O Dow Jones subia 1,15%, enquanto o S&P 500 avançava 0,99% e o Nasdaq ganhava 1%.Petróleo recua, mas Brent segue acima de US$ 100
Os preços do petróleo caem, mas continuam a caminho de uma forte valorização semanal em meio à tensão no Oriente Médio. Referência global de preços, o Brent recuava 2,90%, a US$ 104,51 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), que serve de parâmetro nos EUA, caía 3,14%, para US$ 99,26.
O Brent caminha para uma alta semanal de cerca de 8,4%, enquanto o WTI acumula avanço de 9,2%. O movimento mantém as ações de empresas petrolíferas sob pressão na B3.
O mercado segue atento aos desdobramentos da guerra envolvendo o Irã e aos riscos para a oferta global de petróleo. A possibilidade de um conflito prolongado também mantém elevada a preocupação com inflação e juros nas principais economias.
Bolsas da Europa avançam, enquanto Ásia caiu
Na Europa, os mercados operam em alta. O índice Stoxx 600 avançava 0,74%, enquanto o DAX, de Frankfurt, subia 0,65%, o CAC 40, de Paris, ganhava 0,88%, e o FTSE MIB, de Milão, avançava 1,10%.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido foi divulgado hoje e cresceu 0,4% no início do terceiro trimestre, após avanço de 0,3% em junho, superando as expectativas.
Na Ásia, porém, o tom foi negativo. O Nikkei, do Japão, caiu 1,93%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 1,76%. O CSI 300, da China, perdeu 0,84%.
O Banco Central da Rússia, além disso, manteve a taxa básica de juros em 14% ao ano, em decisão alinhada ao que era esperado pelo mercado. A autoridade monetária afirmou que a economia segue crescendo em ritmo moderado no terceiro trimestre, em meio à pressão de preços.
