Ibovespa cai mais 17% após 'circuit breaker' e dólar sobe 10%; ações caem até 60%
O tombo da bolsa é disseminado, com dez ações do Ibovespa registrando perdas superiores a 40%

O Ibovespa desabava 17,15% por volta das 11h30 desta segunda-feira, 26, após retomar as negociações às 10h41, depois de a B3 acionar o circuit breaker nos primeiros minutos do pregão. No mesmo horário, o dólar subia 9,75%, cotado a R$ 5,4813, em uma sessão marcada pela forte reação dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pelas regras do circuit breaker, a queda de mais de 15% do Ibovespa deveria provocar uma nova interrupção das negociações, desta vez por uma hora. Apesar de o índice ter ultrapassado esse patamar, os negócios seguiram normalmente. A EXAME procurou a B3 para entender o movimento, mas até a publicação desta nota, a controladora da Bolsa de Valores do Brasil ainda não havia se manifestado.
A moeda americana oscilava entre a mínima de R$ 5,4248 e a máxima de R$ 5,6048 no dia. Já a bolsa brasileira chegou a ter as negociações interrompidas após o Ibovespa registrar queda de 10% em relação ao fechamento anterior. A paralisação durou 30 minutos, conforme as regras do mecanismo de proteção da B3.
A vitória de Lula no segundo turno, realizado neste domingo, 25, contrariou as expectativas de parte do mercado financeiro e reacendeu as preocupações com a condução da política fiscal do país. O petista venceu com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), revertendo a desvantagem de 2,2 milhões de votos registrada na primeira etapa da eleição.
O tombo da bolsa é disseminado, com dez ações do Ibovespa registrando perdas superiores a 40%. A Vamos (VAMO3) liderava as baixas, com recuo de 51,33%, cotada a R$ 3,12. C&A (CEAB3) e Cosan (CSAN3) caíam 50% cada, enquanto MRV (MRVE3) perdia 48,85% e Assaí (ASAI3), 48,41%.
Magazine Luiza (MGLU3) recuava 48,38%, e a própria B3 (B3SA3) perdia 47,91%. Também figuravam entre as maiores baixas Smart Fit (SMFT3), Localiza (RENT3) e Energisa (ENGI11). As empresas atuam em segmentos como varejo, construção, locação e serviços, mais expostos à economia doméstica e ao custo do crédito.
Na contramão do movimento, ações de empresas com forte atuação exportadora registravam altas. A Suzano (SUZB3) avançava 10,50%, enquanto a Vale (VALE3) subia 6,48% e a Embraer (EMBJ3) ganhava 5,61%. Metalúrgica Gerdau (GOAU4), Gerdau (GGBR4), Bradespar (BRAP4), WEG (WEGE3) e Klabin (KLBN11) também operavam no positivo.
"Com as expectativas tão baixas, o mercado retira suas apostas do Brasil e prefere vender as ações a qualquer preço para poder remeter dólar daqui. Por isso, o movimento é muito forte de queda nas bolsas e alta do dólar", afirma Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
Movimento do Ibovespa destoa das demais bolsas
O movimento no Brasil destoava do desempenho das principais bolsas internacionais. Na Europa, o índice STOXX Europe 600 subia 0,59%, enquanto o DAX, da Alemanha, avançava 0,95%, e o CAC 40, de Paris, ganhava 0,92%.
Em Nova York, os principais índices também operavam em alta. Por volta das 10h40, o Dow Jones subia 0,40%, aos 52.422,60 pontos; o S&P 500 avançava 0,36%, aos 7.650,89 pontos; e o Nasdaq ganhava 0,35%, aos 26.046,90 pontos. O setor de tecnologia subia 0,53%, em meio ao otimismo com o protocolo do IPO da Anthropic e ao alívio nos preços do petróleo.
Na Ásia, o pregão terminou sem direção única. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 1,46%, e o Nikkei, do Japão, recuou 0,80%. Em contrapartida, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,51%, enquanto os índices da China continental tiveram resultados mistos.
No mercado de petróleo, o Brent recuava 0,87% no início da manhã, após ganhos recentes, em meio à cautela dos investidores com a escalada das tensões no Oriente Médio. As decisões de juros do Federal Reserve, do Banco Central Europeu e do Banco do Japão, previstas para os próximos dias, também estavam no radar dos mercados.
