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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
29/10/2026
5 min

Ibovespa cai pela 4ª sessão e acumula perda de 17,5% desde a eleição; dólar vai a R$ 5,38

Índice fechou em queda de 1,06% nesta quinta-feira, 29. A bolsas de NY também encerraram o dia no vermelho

Ibovespa cai pela 4ª sessão e acumula perda de 17,5% desde a eleição; dólar vai a R$ 5,38

O Ibovespa fechou em queda de 1,06% nesta quinta-feira, 29, aos 169.186,42 pontos, na quarta sessão consecutiva de perdas. O principal índice da B3 oscilou entre a mínima de 168.765,35 pontos e a máxima de 171.402,97 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 31 bilhões.

O mercado segue pressionado pelas incertezas sobre a política fiscal brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela saída de investidores que haviam apostado em uma mudança de governo. Desde o fechamento da sexta-feira anterior ao segundo turno, quando estava na casa dos 205 mil pontos, o Ibovespa acumula perda de 17,5%.

O dólar à vista também encerrou em alta, de 0,89%, a R$ 5,387, após oscilar entre R$ 5,343 e R$ 5,429. A moeda teve mais uma sessão de volatilidade em meio às preocupações com os planos econômicos do novo governo Lula 4.

A divisa chegou à máxima do dia após declarações publicadas no X, antigo Twitter, pelo secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmando que um ajuste fiscal não faz parte da agenda do novo governo. 

Perto do fechamento, porém, a moeda americana reduziu os ganhos após informações divulgadas pela rádio CBN de que Lula planeja viajar ao Piauí na próxima semana para convidar o governador Rafael Fonteles para comandar o Ministério da Fazenda.

Bancos, Vale e Petrobras pressionam o Ibovespa

Entre as ações de maior peso no índice, a Vale (VALE3) caiu 2,17%. A Petrobras também fechou no vermelho, com recuo de 0,59% nas ações preferenciais (PETR4). Os papéis ordinários (PETR3) encerraram praticamente estáveis, com ligeira alta de 0,05%.

Os bancos também fecharam em queda. O movimento contribuiu para pressionar o índice em uma sessão marcada pela cautela dos investidores diante das incertezas sobre a condução da política econômica.

Na ponta positiva, a Gerdau (GGBR4) liderou os ganhos entre os destaques, com alta de 5,60%. A Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avançou 5,35%, seguida pela Embraer (EMBJ3), que subiu 5,17%. A WEG (WEGE3) ganhou 4,92%, enquanto a Suzano (SUZB3) avançou 3,70%.

Entre as maiores quedas, a Minerva (BEEF3) recuou 7,96%. A MRV (MRVE3) caiu 6%, a Direcional (DIRR3) perdeu 5,59%, a Cogna (COGN3) recuou 5,26% e a Tenda (TEND3) caiu 5,24%.

Desmonte de posições e incerteza fiscal ampliam perdas

Para Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial, a queda da Bolsa tem como principal origem fatores domésticos, sobretudo o desmonte de posições montadas antes do segundo turno das eleições.

“O estrangeiro, que tinha entrado forte entre os dois turnos, está saindo, e a gente ainda espera bastante venda pela frente”, afirma. Segundo o estrategista, o ETF de Brasil negociado em Nova York, o EWZ, registrou resgate recorde de US$ 632 milhões. Embora investidores pessoas físicas estejam comprando ações durante a queda, esse movimento não tem sido suficiente para sustentar os preços.

Villegas também aponta a falta de definições sobre a equipe econômica e a ausência de sinais concretos de compromisso fiscal. A discussão sobre a tributação de letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA), além da alíquota de 11,3% da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), acima do que as empresas projetavam, contribui para a cautela.

Outro fator de preocupação é o risco de desaceleração econômica. Com juros reais próximos de 9%, famílias endividadas e inadimplência elevada, o estrategista avalia que a questão deixou de ser apenas o preço das ações. “A pergunta deixa de ser se Bolsa está barata e passa a ser qual vai ser o lucro das empresas em um Brasil desacelerando”.

O cenário externo também limita o apetite por risco, mas não explica, na avaliação do estrategista, a maior parte das perdas brasileiras. Como referência técnica, ele acompanha a região dos 167 mil pontos para o Ibovespa. Um anúncio de equipe econômica com credibilidade e sinais concretos de compromisso fiscal poderia ajudar a melhorar o humor dos investidores.

Wall Street fecha em queda, com pressão sobre tecnologia

As bolsas de Nova York também encerraram o pregão no vermelho, com perdas mais acentuadas no setor de tecnologia. O Dow Jones caiu 0,25%, aos 52.342,56 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,30%, aos 7.720,39 pontos. O Nasdaq perdeu 1,38%, aos 26.184,72 pontos.

Investidores avaliaram os indicadores da economia americana e os resultados das empresas, em meio a dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial. A divulgação de resultados da Alphabet reacendeu essas preocupações.

Na véspera, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve os juros entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão, acompanhada de dois votos favoráveis a uma alta, reforçou a atenção do mercado à trajetória da política monetária dos Estados Unidos.

Petróleo recua com expectativa de acordo entre EUA e Irã

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda moderada, diante da expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, que poderia reduzir os riscos para o abastecimento global. O cenário, porém, continua incerto, em meio às tensões no Oriente Médio e aos relatos de incidentes no Estreito de Ormuz.

O Brent para janeiro recuou 0,75%, a US$ 110,80 por barril, na ICE. Já o contrato para dezembro, que vence nesta sexta-feira, 30, caiu 0,38%, a US$ 114,88. O petróleo WTI para dezembro teve baixa de 0,76%, a US$ 102 por barril, na Nymex.
AutorClara Assunção
FonteExame
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