Ibovespa cai pela 4ª sessão seguida; dólar segue acima de R$ 5,20
Dados de emprego no Brasil e nos EUA dividem atenções com petróleo e guerra no Irã a seis dias das eleições gerais

O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, 29, pressionado pelas ações de Vale e Petrobras, enquanto investidores digerem novos dados do mercado de trabalho brasileiro e seguem atentos às negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. Por volta das 11h10 (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 0,30%, aos 182.443 pontos. O dólar comercial, por sua vez, também recuava 0,24%, cotado a R$ 5,212, após subir 0,86%, a R$ 5,2255, na véspera.
Entre os pesos-pesados, Vale (VALE3) caía 1,46%, enquanto as ações da Petrobras recuavam 1,56% (PETR3) e 1,19% (PETR4). A Prio (PRIO3) também operava no campo negativo, com baixa de 1,93%. As perdas se espalhavam ainda pelas siderúrgicas, com a CSN (CSNA3) detendo a maior queda do Ibovespa no início do pregão, com recuo de 7,68%.
Já CSN Mineração (CMIN3) perdia 2,77%, Gerdau (GGBR4) caía 2,35%, Metalúrgica Gerdau (GOAU4) recuava 2,32% e Usiminas (USIM5) cedia 2,29%. Na outra ponta, Azzas 2154 (AZZA3) liderava os ganhos, com alta de 4,64%. Fleury (FLRY3) avançava 1,12%, RD Saúde (RADL3) subia 1,08% e Marcopolo (POMO4) ganhava 0,95%.
No cenário doméstico, a atenção se voltou para novos números de inflação e emprego. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) avançou 1,57% em setembro, depois de registrar deflação de 0,22% no mês anterior, enquanto a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
Mais tarde, o mercado acompanha os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto, que mostrarão o saldo de criação de vagas formais no país.
Para o estrategista global da Avenue, Fernando Saad Benati, o pregão começa sem um vetor único nos mercados internacionais. "Em um dia de agenda mais vazia, com os dados de empregos Jolts como único destaque da agenda americana, o indicador acaba tendo um caráter mais retrovisor", detalhou.
O Oriente Médio segue no centro das atenções, e o estrategista também destaca que os juros americanos permanecem em níveis elevados, com os Treasuries de dez anos ainda acima de 5,2%, fator que continua influenciando os mercados globais e o comportamento das moedas emergentes.
Petróleo recua em meio a negociações entre EUA e Irã
Os preços do petróleo operam em queda, em uma sessão marcada por forte volatilidade, enquanto investidores acompanham os esforços diplomáticos para reduzir as tensões no Oriente Médio.
O West Texas Intermediate (WTI), referência americana, recuava 2,38%, a US$ 90,40 por barril, enquanto o parâmetro global Brent caía 2,01%, negociado a US$ 103,16.
Estados Unidos e Irã mantêm conversas separadas com mediadores na tentativa de avançar nas negociações para encerrar o conflito.
A possibilidade de algum avanço diplomático reduz parte do prêmio de risco embutido nos preços da commodity, embora as preocupações com a infraestrutura energética e com o fluxo de petróleo na região continuem no radar dos investidores.
Bolsas dos EUA ficam estáveis
Em Nova York, os principais índices acionários operam sem direção única, mas com viés positivo entre as empresas de tecnologia. O Nasdaq registrava ligeiro avanço de 0,04%, enquanto o S&P 500 estava no zero a zero e o Dow Jones recuava 0,15%.
As ações de tecnologia lideram os ganhos, com a Advanced Micro Devices (AMD) subindo cerca de 1% depois de anunciar a aquisição da empresa de inteligência artificial World Labs, enquanto a Nvidia avançava 0,7% e Meta ganhava 1,1%.
Os rendimentos dos Treasuries também recuam após a forte alta observada nos últimos dias. O rendimento do título americano de dez anos cai mais de 3 pontos-base, para 5,209%, enquanto o papel de 30 anos opera próximo de 5,54%.
Investidores acompanham, ainda, a divulgação do relatório Jolts, referente ao número de vagas de trabalho em aberto nos EUA em agosto. O dado antecede outros indicadores importantes do mercado de trabalho americano previstos para esta semana, como o Payroll.
O mercado também acompanha um encontro na Casa Branca entre o presidente Donald Trump e executivos de algumas das principais companhias ligadas à inteligência artificial (IA), incluindo Meta, Google, Nvidia, Anthropic e OpenAI.
A discussão deve envolver a regulação da tecnologia nos Estados Unidos.
Bolsas da Europa avançam nesta terça
As principais bolsas europeias operam majoritariamente em alta hoje. O Stoxx 600 avança 0,31%, enquanto o DAX, de Frankfurt, sobe 0,56%. O FTSE MIB, de Milão, ganha 0,55%.
Na direção oposta, o CAC 40, de Paris, recua 0,07%, e o FTSE 100, de Londres, fica praticamente estável, com baixa de 0,02%.
Os mercados da região acompanham tanto as oscilações do petróleo quanto os movimentos dos juros americanos e os desdobramentos diplomáticos no Oriente Médio.
Bolsas da Ásia fecham sem direção única
Os mercados asiáticos encerraram o pregão em direções distintas. No Japão, o Nikkei 225 caiu 0,6%, aos 65.481,27 pontos, enquanto o Topix recuou 1,7%, para 4.041,13 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 0,3%, aos 6.870,81 pontos, enquanto o Kosdaq avançou 0,4%, a 849,8 pontos.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 0,3%, aos 8.709,3 pontos. Na China continental, o CSI 300 ganhou 0,1%, a 4.345,21 pontos. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuava cerca de 0,4% na reta final do pregão.
*Com agências internacionais
