Ibovespa começa junho em baixa com pressão de Vale e setor financeiro

O Ibovespa recua nesta segunda-feira, 1º, pressionado pelo desempenho das ações de grandes bancos e da Vale (VALE3), todas de peso no principal índice acionário da B3. Por volta das 10h50, o Ibovespa cai 0,63%, aos 172.698 pontos e o dólar operava estável no mesmo horário, com ligeira queda de 0,05%, cotado a R$ 5,040.
Na contramão de parte das blue chips, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4), também de peso o índice, avançavam entre 2,85% e 1,98%, respectivamente, com a disparada do petróleo no mercado internacional, o que ajuda a limitar as perdas, em um pregão marcado pela cautela com o cenário externo e pela volatilidade das commodities.
Entre as maiores altas, as ações da Totvs (TOTS3) avançam 2,72%, seguidas pelos papéis das demais petroleiras. Já os papéis da CSN caem mais de 5%, a maior queda do dia.
Nacionalmente, investidores repercutem também a nova edição do Boletim Focus. O levantamento divulgado pelo Banco Central mostrou que os analistas elevaram pela 12ª semana consecutiva a projeção para a inflação em 2026, com a estimativa para o IPCA passando de 5,04% para 5,09%.
A expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano também teve leve alta, de 1,89% para 1,90%. Já as projeções para a taxa Selic permaneceram inalteradas em todo o horizonte analisado, enquanto as estimativas para o dólar recuaram marginalmente em 2026 e 2027. O dólar comercial cai 0,12% para R$ 5,03.
Na China, o Índice dos gerentes de compras (PMI) industrial oficial ficou em 50 em maio. O índice de novos pedidos para exportação recuou para 48,6. Os dados privados, porém, mostraram um quadro um pouco mais resiliente. O PMI industrial calculado pela S&P Global avançou para 51,8 pontos em maio.
Na Europa, os primeiros PMIs industriais também vieram mais fracos. Na Alemanha, principal economia do continente, o índice caiu para 50,1 em maio, praticamente estagnado.
Nos Estados Unidos, os investidores acompanham uma semana carregada de indicadores econômicos que podem recalibrar as apostas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). O principal destaque será o payroll de maio, divulgado na sexta-feira, 5.
Petróleo dispara com guerra
Os preços do petróleo ampliam os ganhos após novos ataques entre EUA e Irã e a intensificação da ofensiva militar israelense no Líbano. Por volta das 10h13, o barril do Brent avançava 3,56%, para US$ 94,36, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subia 4,22%, para US$ 91,05.
O mercado reage aos riscos de interrupções na oferta global da commodity, especialmente diante das ameaças ao tráfego no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo do mundo. A escalada do conflito reduziu o otimismo dos investidores em relação a um acordo duradouro entre Washington e Teerã.
Bolsas dos EUA em queda
Os principais índices de Wall Street iniciaram junho em baixa. O S&P 500 recuava 0,2%, enquanto o Nasdaq caía 0,1%, sustentado parcialmente pela alta das ações de tecnologia. Já o Dow Jones perdia cerca de 210 pontos, ou 0,4%.
O mercado reagia à deterioração das negociações entre EUA e Irã após relatos de que Teerã suspendeu as comunicações com Washington em resposta aos ataques israelenses no Líbano.
Na ponta positiva, a Nvidiasubia mais de 3% após anunciar um novo processador para computadores pessoais. O movimento impulsionava também as ações da Dell, que avançavam mais de 5%, e da HP, com alta superior a 3%.
Já a Intel caía mais de 4%, ampliando as perdas do setor de semicondutores tradicional.
Bolsas europeias operam mistas
As bolsas da Europa têm desempenho misto. O índice Stoxx 600 recuava 0,07%, enquanto o DAX, da Alemanha, avançava 0,65% e o CAC 40, da França, ganhava 0,41%. Já o FTSE 100, de Londres, caía 0,20%.
O setor de tecnologia limita as perdas após o SoftBank anunciar investimentos de US$ 87 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial (IA) na França nos próximos cinco anos.
Ásia fecha sem direção única
Na Ásia, o destaque foi a Coreia do Sul. O índice Kospi saltou 3,68%, renovando máximas históricas, impulsionado pela alta superior a 10% das ações da Samsung.
O Nikkei, do Japão, avançou 0,91%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,86%. Já os mercados chineses fecharam em queda, com o índice de Xangai recuando 0,27%.
