Ibovespa corrige após rali de 8%, mas segue acima dos 205 mil pontos; dólar vai a R$ 4,97
Em Nova York, os principais índices encerraram o pregão em alta, assim como os preços do petróleo

O Ibovespa encerrou os negócios desta terça-feira, 6, em baixa de 0,52%, aos 205.835,29 pontos, após oscilar entre a mínima de 204.725,23 e a máxima de 209.522,60 pontos. O índice corrigiu parte da forte alta registrada na véspera, quando avançou cerca de 8%, mas permaneceu acima dos 200 mil pontos. O volume financeiro somou R$ 43,5 bilhões.
A sessão foi marcada por realização de lucros após o forte rali da segunda-feira, quando o Ibovespa registrou a maior alta diária em seis anos, ao subir 7,70%, em meio à reação positiva do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.
“Acredito que o movimento do Ibovespa de hoje seja uma realização de lucro do dia de ontem. Normalmente, após um movimento muito forte de alta, o mercado tende a embolsar parte do lucro e isso é bem saudável”, disse Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
Segundo o especialista, a atenção dos investidores deve se voltar nos próximos dias para as notícias de Brasília e para movimentos mais bruscos dos ativos. “Como a negociação foi a maior na história do Ibovespa, quase R$ 80 bilhões de reais, é normal alguns ativos caírem sem nenhuma notícia aparente, apenas realização de lucros mesmo”.
Entre as maiores altas do índice, Minerva (BEEF3) avançou 7,40%, seguida por Cogna (COGN3), com alta de 4,83%, Vamos (VAMO3), que subiu 4,52%, Totvs (TOTS3), com ganho de 4,45%, e Fleury (FLRY3), que avançou 4,41% em meio à notícia de uma parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein paratrazer ao Brasil um teste capaz de detectar mais de 50 tipos de câncer.
Na ponta negativa, Banco do Brasil (BBAS3) caiu 6,42%, após o JP Morgan reduzir a recomendação para a ação. A Rumo (RAIL3) também recuou 3,49%, seguida por Prio (PRIO3), que perdeu 3,27%, Axia Energia (AXIA3), recuo de 3,10% e BTG Pactual (BPAC11), que teve baixa de 2,81%.
O movimento do Banco do Brasil contrastou com o desempenho do Bradesco (BBDC4), que avançou 4,40% após o JP Morgan elevar a recomendação para o papel.
Dólar recua
O dólar à vista fechou em baixa de 0,47%, a R$ 4,978, após oscilar entre R$ 4,944 e R$ 4,986. A moeda americana manteve a trajetória de queda diante do real, ainda sob influência do otimismo dos investidores com o resultado do primeiro turno das eleições e acompanhando a fraqueza do dólar no exterior.
Para Magno, a melhora do ambiente doméstico e a entrada de capital estrangeiro ajudam a explicar a pressão sobre o dólar.
“O mercado começa a colocar a moeda abaixo dos R$ 5,00 nas projeções. Além disso, conforme o capital estrangeiro entra no mercado brasileiro, seja via título público, seja via bolsa, o investidor de fora precisa trocar seus dólares por reais, o que, sem dúvidas, pesa contra a moeda americana em relação ao real”.
Petróleo fecha em leve alta
Os preços do petróleo terminaram o dia com leve alta, depois de passarem boa parte do pregão em baixa. O mercado segue monitorando os riscos para o fornecimento de petróleo no Golfo Pérsico, apesar de sinais de normalização dos fluxos na região.
A possibilidade de interrupções na oferta continua no radar dos investidores em meio às incertezas sobre um eventual acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e ao risco de novas tensões na região.
Na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para dezembro fechou em alta de 0,26%, a US$ 100,58 por barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para novembro ficou praticamente estável, com alta de 0,01%, a US$ 89,44.
Bolsas de Nova York sobem
Em Nova York, os principais índices encerraram o pregão em alta. O Dow Jones subiu 0,49%, aos 51.521,28 pontos. O S&P 500 avançou 0,58%, aos 7.818,93 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,45%, aos 27.599,79 pontos.
O que esperar
Apesar da realização desta terça-feira, a avaliação de Magno é de queo Ibovespa ainda pode avançar caso o próximo governo consiga apresentar um plano consistente para as contas públicas.
“Conforme o mercado for digerindo as decisões econômicas e com a possibilidade do Flávio Bolsonaro ser realmente o presidente, ele tomando as medidas necessárias para entregar um país mais saudável com relação às questões fiscais, é bem factível que o Ibov passe os 220 mil pontos.”
Para o analista, o principal fator a ser acompanhado nos próximos meses será a condução do ajuste fiscal. “Com o Flavio como presidente, o mercado tem essa expectativa e acredito que esse será o principal driver para o Ibovespa nos próximos meses.”
Magno, porém, alerta para o risco de frustração caso não haja um plano considerado consistente pelo mercado. “Caso não seja apresentado um plano contundente, o mercado pode se frustrar e os investidores globais perderem a confiança no país, o que faria com que quase tudo que entrou nos últimos meses saísse do Brasil de uma forma rápida, impactando Ibovespa, dólar e juros.”
