Ibovespa dispara com cenário eleitoral e ações de bancos e Vale; dólar recua 1%
As bolsas americanas encerraram a quarta-feira em alta, recuperando parte da pressão observada na sessão anterior

O Ibovespa fechou em forte alta nesta quarta-feira, 2, em um pregão marcado pelo maior apetite por risco dos investidores. O principal índice acionário da B3 subiu 3,05%, aos 185.205,09 pontos, após oscilar entre 179.733,57 e 186.028,06 pontos. O volume financeiro somou R$ 29,9 bilhões.
No Brasil, o mercado repercutiu uma nova pesquisa eleitoral, que mostrou uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno. Ocenário eleitoralimpulsionou as ações domésticas e ajudou o Ibovespa a se descolar da pressão observada nos mercados internacionais.
O dólar à vista recuou pela terceira sessão seguida, tendo o cenário eleitoral como fator de estímulo ao risco para os investidores.
Segundo o levantamento da Quaest, o Lula tem 42% nas intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 41%, em uma disputa de 2º turno, o que mostra uma disputa mais acirrada, confirmando o que outros levantamentos já vinham mostrando, uma tendência de acirramento da disputa ao Palácio do Planalto.
Em meio a esse cenário, a moeda americana fechou em baixa de 0,91%, a R$ 5,109, após oscilar entre R$ 5,098 e R$ 5,170.
Entre as ações de maior peso no índice, Vale (VALE3) subiu 3,19%, ignorando a queda do minério de ferro. Petrobras (PETR4) avançou 2,84%, enquanto Petrobras (PETR3) subiu 2,23%, acompanhando a alta do petróleo no exterior.
O destaque ficou com o setor financeiro. Banco do Brasil (BBAS3) disparou 5,50%, Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 3,84%, BTG Pactual (BPAC11) avançou 3,06%, Bradesco (BBDC4) ganhou 2,13% e Santander Brasil (SANB11) valorizou 1,98%.
Entre as maiores altas do índice, Magazine Luiza (MGLU3) disparou 16,88%, após anunciar uma parceria para vender seus produtos na plataforma do Mercado Livre. Vamos (VAMO3) subiu 16,11%, enquanto Azzas 2154 (AZZA3) avançou 11,28%, após anunciar uma ampla reorganização societária que, na prática, prevê a separação dos negócios que resultaram da união entre Arezzo&Co e Grupo Soma.
Na outra ponta, apenas três ações do Ibovespa fecharam em queda. Cosan (CSAN3) caiu 4,53%, Rumo (RAIL3) recuou 4,18% e Totvs (TOTS3) caiu 0,71%.
Para Pedro Galdi, analista da AGF, o segundo pregão de setembro mostrou uma intensificação da influência do cenário político sobre os ativos domésticos.
"No segundo pregão de setembro ficou claro que o nosso mercado de ações passou a refletir de forma mais intensa o 'Trade Eleitoral'. Começamos no primeiro pregão com o que estão chamando de Xandão Day e hoje, nova pesquisa, agita as especulações e apostas naqueles setores que possam ter influência mais representativa do novo governo que virá", afirmou.
Segundo Galdi, enquanto a bolsa brasileira se beneficiou do cenário doméstico, os mercados internacionais continuaram pressionados pelas tensões geopolíticas e pelos efeitos do petróleo sobre a inflação e as perspectivas para os juros.
"Lá fora, as bolsas de valores seguem pressionadas pela crise geopolítica, com o preço do petróleo sendo negociado acima de US$ 90 e gerando incertezas sobre inflação, decisão de juros de grandes bancos centrais e crescimento econômico. Estamos iniciando o mês, com o Ibovespa se descolando da pressão do exterior", disse.
A produção industrial brasileira mostrou leve recuperação em julho, avançando 0,2% em relação a junho e interrompendo uma sequência de dois meses de resultados negativos. Apesar da melhora na margem, a indústria ainda registrou queda de 0,5% na comparação com julho de 2025.
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho privado apresentou crescimento moderado em agosto. Segundo o Relatório Nacional de Emprego da ADP, foram criadas 38 mil vagas no setor privado, após alta revisada de 46 mil postos em julho. O dado abaixo do esperado reforçou as apostas em uma política monetária menos restritiva pelo Federal Reserve (Fed).
Petróleo volta a subir com novas ameaças de Trump ao Irã
Os contratos futuros de petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira, ainda que em menor intensidade após a disparada da véspera. Os investidores seguem monitorando as tensões no Oriente Médio e novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã.
Trump afirmou a repórteres na Casa Branca que a nova campanha militar contra o Irã "não vai durar muito tempo" e reiterou as ameaças de voltar a atacar duramente o país.
Em outra frente, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse à CNBC que as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz atingiram na terça-feira um recorde em tempos de guerra, com mais de 17 milhões de barris por dia. Antes do conflito, cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados passavam pela região.
Wright afirmou que o Irã está perdendo a capacidade deinterromper o tráfego em Ormuz à medida que aumenta o fluxo de embarcações em um corredor marítimo protegido pelos EUA.
Do lado da oferta, a Opep+ deve manter sua política de produção de petróleo inalterada para outubro, em reunião prevista para o próximo domingo, segundo fontes da Reuters.
O mercado também repercutiu os dados do Departamento de Energia dos EUA (DoE), que mostraram queda de 4,45 milhões de barris nos estoques de petróleo do país na semana passada, para 424,46 milhões de barris. O resultado contrariou a expectativa de alta de 300 mil barris, segundo acompanhamento do The Wall Street Journal.
No fechamento, o contrato do Brent para novembro subiu 1,04%, a US$ 95,63 por barril, na ICE, enquanto o WTI para outubro avançou 0,88%, a US$ 91,01 por barril, na Nymex.Bolsas dos EUA fecham em alta
As bolsas americanas encerraram a quarta-feira em alta, recuperando parte da pressão observada na sessão anterior, quando a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA pesou sobre os ativos de risco.
O Dow Jones subiu 0,56%, aos 53.061,95 pontos. O S&P 500 avançou 0,46%, aos 7.666,60 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 0,45%, aos 26.217,83 pontos.Apesar da recuperação das bolsas, o petróleo acima de US$ 90 continua no radar dos investidores devido ao potencial impacto sobre a inflação global e, consequentemente, sobre a trajetória de juros dos principais bancos centrais.
