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InvestMercadosACS
28/10/2026
6 min

Ibovespa em dólar tem 5ª maior queda diária da história após eleição, aponta estudo

Perda de 21,13% em moeda americana superou as baixas registradas durante a pandemia; índice caiu 13,88% em reais e dólar disparou 8,21% diante da reeleição de Lula

Ibovespa em dólar tem 5ª maior queda diária da história após eleição, aponta estudo
RESUMO +

O Ibovespa caiu 21,13% em dólares na segunda-feira, 26, a quinta maior queda diária de sua história, no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Em reais, o índice recuou 13,88%, enquanto o dólar subiu 8,21%. Segundo a consultoria Elos Ayta, as companhias da bolsa brasileira B3 perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado.

O Ibovespa registrou na segunda-feira, 26, a quinta maior queda diária de sua história em dólares, com uma desvalorização de 21,13% no primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais. O recuo superou as perdas observadas durante a fase mais aguda da pandemia de Covid-19, em março de 2020, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

Em reais, o principal índice da bolsa brasileira caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos, na maior baixa percentual diária desde março de 2020. A sessão foi marcada pela forte reação dos investidores à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições no domingo, 25, e pela revisão das expectativas para a condução da política econômica do país.

A queda do Ibovespa em dólares foi mais intensa do que a registrada em duas sessões de março de 2020. Em 12 de março daquele ano, o indicador recuou 18,44% em moeda americana. No dia 16, a perda foi de 17,59%, ambas durante a turbulência provocada pela pandemia.

“O resultado, registrado no primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, superou as perdas observadas em 12 e 16 de março de 2020, durante o auge da turbulência provocada pela pandemia de Covid-19”, afirma a consultoria.

A diferença entre o desempenho do índice em reais e em dólares reflete também o impacto da desvalorização da moeda brasileira sobre os ativos. Na segunda-feira, o dólar à vista disparou 8,21%, a R$ 5,4027, na maior alta diária desde 1999.

Para investidores estrangeiros, a combinação entre a queda das ações e a alta da moeda americana ampliou as perdas quando os investimentos foram convertidos para dólares.

Seis das dez maiores quedas ocorreram antes do Plano Real

O levantamento da Elos Ayta mostra que a queda de outubro entrou para um grupo de perdas extremas concentradas em períodos de turbulência política, econômica e internacional. Das dez maiores baixas diárias do Ibovespa em dólares, seis ocorreram antes da implantação do Plano Real, em julho de 1994.

A maior queda da série foi registrada em 21 de agosto de 1968, quando o índice recuou 25,15% em moeda americana. Na sequência, aparecem as perdas de 21 de fevereiro de 1983, de 24,12%; de 7 de dezembro de 1979, de 23,28%; e de 20 de março de 1990, de 22,88%.

Segundo a consultoria, os episódios de 1979 e 1983 coincidiram com as extremas desvalorizações da moeda brasileira. Já a queda de março de 1990 ocorreu nos primeiros dias do Plano Collor, período marcado pelobloqueio de ativos financeiros.

As crises internacionais também aparecem entre os episódios de maior impacto sobre a bolsa brasileira. Em 20 de outubro de 1987, na esteira do colapso das bolsas mundiais conhecido como "Segunda-feira Negra", o Ibovespa caiu 16,54% em dólares. Durante a crise financeira internacional de 2008, o índice recuou 16,67% em 22 de outubro. Em março de 2020, duas sessões entraram para a lista das dez maiores perdas históricas.

A Elos Ayta ressalta que a análise em moeda americana permite observar uma dimensão adicional do risco para investidores estrangeiros. “Além da oscilação das ações, a desvalorização do real pode ampliar significativamente as perdas quando convertidas para a moeda americana”, afirma a consultoria.

O estudo também pondera que uma queda dessa magnitude não significa, isoladamente, deterioração da segurança institucional do mercado brasileiro. "Mas evidencia como acontecimentos políticos e econômicos podem provocar mudanças abruptas na avaliação dos ativos nacionais e na percepção de risco dos investidores internacionais", diz a Elos Ayta.

Bolsa perdeu R$ 734 bilhões em um único pregão

A dimensão da reação do mercado também apareceu no valor de mercado das empresas listadas na B3. Em outro levantamento, a Elos Ayta calculou que as companhias negociadas na bolsa brasileira perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado na segunda-feira, uma retração de 12,91%.

O montante consolidado caiu de R$ 5,684 trilhões na sexta-feira, 23, para R$ 4,950 trilhões. A perda equivaleu a 98,4% do valor de mercado da Petrobras, segundo a consultoria.

“O levantamento evidencia a velocidade com que ganhos acumulados durante vários meses podem ser revertidos em momentos de elevada volatilidade no mercado acionário brasileiro”, afirma a Elos Ayta.

A queda também eliminou avalorização acumulada durante o rali eleitoral entre o primeiro e o segundo turnos. Entre 2 e 23 de outubro, o valor de mercado das empresas listadas na B3 havia avançado R$ 409 bilhões, de R$ 5,275 trilhões para R$ 5,684 trilhões. Após a sessão de segunda-feira, o montante ficou R$ 325 bilhões abaixo do nível registrado em 2 de outubro.

A correção consumiu ainda 75,5% dos ganhos acumulados pelas companhias desde o fim de 2025 até 23 de outubro. Nesse intervalo, o valor de mercado da bolsa havia crescido R$ 972 bilhões. Mesmo após a perda de R$ 734 bilhões em um único pregão, o montante permaneceu R$ 238 bilhões acima do registrado no encerramento do ano passado, uma alta de 5,05%.

Circuit breaker e liquidação generalizada de ações

A sessão de segunda-feira foi marcada por forte volatilidade desde a abertura. O Ibovespa oscilou entre a máxima de 205.088,74 pontos e a mínima de 169.516,43 pontos. No pior momento do pregão, chegou a cair 17,34%, ficando abaixo dos 170 mil pontos.

A B3 acionou o circuit breaker logo na abertura, interrompendo as negociações por 30 minutos. Foi a primeira vez em mais de seis anos que o mecanismo foi utilizado. Após a retomada, o índice voltou a registrar perdas superiores a 15%, mas não houve uma segunda paralisação.

A bolsa explicou à EXAME que a decisão tomada antes da abertura já havia considerado um cenário de desvalorização superior a 20%, com base no preço teórico do Ibovespa. Uma nova interrupção poderia ocorrer caso as perdas ultrapassassem esse patamar.

O volume financeiro negociado na B3 somou R$ 88,6 bilhões, cerca de três vezes a média diária do mercado. A sessão terminou com investidores ainda tentando avaliar os efeitos do resultado eleitoral sobre a condução da política econômica do novo governo.

AutorClara Assunção
FonteExame
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